quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Discurso de Proclamação da República Popular da China

Por Mao Zedong
(Retirado de http://www.novacultura.info/)


Presidente Mao Zedong discursando
na Praça Tian An Men, a 1 de Outubro de 1949.
O povo de toda a China esteve mergulhado em amargos sofrimento e atribulações desde que o reacionário governo de Chiang Kai-shek e seu Kuomintang traiu a pátria, em conluio com os imperialistas, tendo-se lançado na guerra contrarrevolucionária.

Felizmente o nosso Exército Popular de Libertação, apoiado por toda a nação, tem lutado heroicamente e abnegadamente para defender a soberania territorial de nossa pátria, para proteger a vida e os pertences das pessoas, para aliviar o povo de seu sofrimento e lutar por seus direitos, tendo finalmente acabado com as tropas reacionárias e derrubado a ordem reacionária do governo Nacionalista.

Agora, a Guerra de Libertação Popular está praticamente ganha, e a maioria da população no país está livre. Sob tal fundamento, a primeira sessão da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, composta por delegados de todos os partidos democráticos e de organizações populares da China, pelo Exército Popular de Libertação, as diversas regiões e nacionalidades do país, além dos patriotas chineses no exterior e outros elementos, foi convocada.

Representando o desejo de toda a nação, [esta sessão da conferência] promulgou a Lei Orgânica do Governo Popular Central da República Popular da China, elegeu Mao Zedong presidente do Governo Popular Central, e Zhu De, Liu Shaoqi, Song Qingling, Li Jishen, Zhang Lan, e Gao Gang como vice-presidentes [do Governo Popular Central], e Chen Yi, Ele Long, Li Lisan, Lin Boqu, Jianying Ye, Ele Xiangning, Lin Biao, Peng, Liu Bocheng , Wu Yuzhang, Xu Xiangqian, Peng Zhen, Bo Yibo, Nie Rongzhen, Zhou Enlai, Dong Biwu, Seypidin, Rao Shushi, Tan Kah-kee [Chen Jiageng], Luo Ronghuan, Deng Zihui, Ulanhu, Xu Deli, Cai Chang, Liu Geping, Ma Yinchu, Chen Yun, Kang Sheng, Lin Feng, Ma Xulun, Guo Moruo, Zhang Yunyi, Deng Xiaoping, Gao Chongmin, Shen Junru, Shen Yanbing, Chen Shutong, Szeto Mei-tong [Meitang Situ], Li Xijiu , Huang Yanpei, Cai Tingkai, Xi Zhongxun, Peng Zemin, Zhang Zhizhong, Fu Zuoyi, Li Zhuchen, Li Zhangda, Zhang Nanxian, Liu Yazi, Zhang Dongsun, e Yun Long como membros do conselho para formar o Conselho do Governo Popular Central, proclamou a fundação da República Popular da China e escolheu Beijing como a capital da República Popular da China.

O Conselho do Governo Popular Central da República Popular da China tomou posse hoje na capital e por unanimidade tomou as seguintes decisões:
·         Proclamar o estabelecimento do Governo Popular Central da República Popular da China;
·         Adotar o Programa Comum da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês como a política de governo;
·         Eleger Lin Boqu entre os membros do conselho como secretário-geral do Conselho do Governo Popular Central;
·         Apontar Zhou Enlai como presidente do Conselho Administrativo Governamental do Governo Popular Central e ministro simultaneamente ministro das Relações Exteriores, Mao Tsé-tung como presidente da Comissão Militar Revolucionária Popular do Governo Popular Central, Zhu De como comandante-em-chefe do Exército Popular de Libertação; Shen Junru como presidente da Corte Popular Suprema do Governo Popular Central, e Ronghuan Luo como procurador geral da Suprema Procuradoria Popular do Governo Popular Central; e encarregá-los da tarefa da rápida formação dos vários órgãos do governo para a realização do trabalho governamental.

Ao mesmo tempo, o Conselho do Governo Popular Central decidiu declarar aos governos de todos os outros países que este governo é o único governo legal que representa todo o povo da República Popular da China.

Este governo está disposto a estabelecer relações diplomáticas com qualquer governo estrangeiro que esteja disposto a observar os princípios de igualdade, benefício mútuo e respeito mútuo à integridade territorial e à soberania.


Mao Zedong
Presidente

Governo Popular Central

A República Popular da China

domingo, 13 de setembro de 2015

Discurso do Presidente Xi Jinping na comemoração dos 70 anos da vitória na Guerra de Resistência do Povo chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial

Traduzido por Diego A. Gregório

Compatriotas de todo o país.

Excelentíssimos senhores chefes de estado e de governo.

Representantes da ONU e outras organizações internacionais.

Distintos enviados.

Todos os oficiais e soldados participantes na parada militar.

Senhoras e senhores, companheiros e amigos:

Hoje é uma data sempre comemorada por todos os povos do mundo. Em um dia como hoje há 70 anos, depois de 14 anos de lutas extraordinariamente duras e difíceis, o povo chinês conquistou a grande vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa, declarando a vitória total na Guerra Antifascista Mundial, o sol da paz voltou a iluminar todos os rincões da terra.

Em nome do Comitê Central do Partido Comunista da China, da Assembleia Popular Nacional, do Conselho de Estado, do Comitê Nacional da Conferencia Consultiva Política do Povo Chinês e da Comissão Militar Central, quero expressar aqui nossa grande consideração a todos os veteranos combatentes, companheiros, personalidades patrióticas e chefes militares de todo o país participantes na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa, assim como a todas as filhas e filhos da nação chinesa dentro e fora do país que deram importantes contribuições a vitória nessa guerra, manifesto também nosso sincero agradecimento aos Governos e amigos estrangeiros que nos deram apoio e ajuda ao povo chinês em sua resistência contra a agressão e nossas calorosas boas-vindas a todos os enviados e amigos das forças armas dos distintos países por acompanharmos nessa comemoração.

Senhoras e senhores, companheiros e amigos:

A Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e a Guerra Antifascista Mundial foram um grande duelo entre a justiça e o mal, a luz e as trevas assim como o progresso e a reação. Nessa contenda tão lúgubre como heroica, a Guerra de Resistência do povo Chinês contra a Agressão Japonesa foi a que teve o começo mais cedo e a duração mais longa. Frente aos agressores, as filhas e filhos da nação chinesa, lutando a sangue e fogo com coragem indomável, derrotaram definitivamente os agressores militaristas japoneses, salvaguardando os frutos de mais de 5000 anos de desenvolvimento da civilização chinesa, a causa da paz da humanidade, forjando uma glória nas histórias bélicas e uma proeza da nação chinesa.

A vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa constitui a primeira vitória completa que a China conquistou em suas lutas contra as agressões estrangeiras na era moderna. Esta grande vitória derrotou em definitivo o complô do militarismo japonês de colonizar e escravizar a China, levando a humilhação nacional de sofrer fracasso após fracasso nos combates contra os agressores estrangeiros desde os tempos modernos. Essa grande vitória reestabeleceu o status da China como grande país na política internacional, permitindo ao povo Chinês conquistar o respeito dos povos amantes da paz de todo o mundo. Esta transcendental vitória abriu as brilhantes perspectivas para a grande revitalização da nação chinesa, empreendendo a nova marcha da China milenar, como a fênix que renasce das chamas depois do nirvana.

Diante dessa contenda, o povo chinês despontou como a principal frente no Oriente na Guerra Antifascista Mundial mediante grandes sacrifícios nacionais, fazendo contribuições transcendentais a vitória da Guerra Antifascista Mundial. O povo chinês também contou com o amplo apoio da comunidade internacional em sua Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa e guardará para sempre em sua memória as contribuições dos povos do mundo na luta da vitória na Guerra de Resistência Chinesa contra a Agressão Japonesa.

Senhoras e senhores, companheiros e amigos.

Os que viveram a guerra conhecem melhor o quão precioso é a paz. Nossa comemoração dos 70 anos da Vitoria na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial tem por objetivo gravar na mente a história, honrar a memória dos mártires, valorizar a paz e criar o futuro.

Essa conflagração se estendeu pela Ásia, Europa, África e Oceania, causando mais de 100 milhões de mortos e feridos entre militares e civis, incluindo mais de 35 milhões de Chineses e mais de 27 milhões mortos da União Soviética. Não permitindo que se repita a tragédia histórica constitui a melhor comemoração dos heróis caídos naqueles anos em defesa da liberdade, da justiça e da humanidade e dos inocentes que morreram vítimas das matanças cruéis.

A guerra é um espelho que nos permite apreciar melhor a paz. Hoje em dia, a paz e o desenvolvimento se converteram no tema da nossa época. No entanto, o mundo segue sendo muito inseguro, com a espada de Dâmocles da guerra sobre a cabeça da humanidade. Devemos tirar lições da história e proteger nossa determinação em salvaguardar a paz.

No caminho da paz, devemos consolidar a consciência sobre a comunidade de destino da humanidade. O preconceito, a descriminação, o ódio e a guerra só levam desastres e angustias. O respeito mútuo, o trato em pé de igualdade, o desenvolvimento pacífico e a prosperidade comum constituem a lei do mundo. Os países devem salvaguardar juntos a ordem o sistema internacional que tem como núcleo os propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e construir ativamente as relações internacionais de novo tipo enfocadas na cooperação e no ganhar, visando a impulsionar em conjunto a sublime causa da paz e do desenvolvimento mundial.

No caminho da paz, a China seguirá consequentemente o caminho do desenvolvimento pacífico. A nação chinesa sempre foi amante da paz. Seja qual for sua fase de desenvolvimento, a China nunca pretenderá a hegemonia ou buscará a expansão, nunca imporá sua trágica experiência aos outros povos. O povo chinês sempre manterá seu trato amistoso com todos os povos do mundo, defenderá com firmeza os frutos da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial, ao mesmo tempo que se esforçará para fazer novas e maiores contribuições a humanidade.

O Exército Popular de Libertação da China é um exército formado por filhos do povo. Os oficiais e soldados de todo o exército devem recordar sempre o propósito fundamental de servir ao povo de todo o coração, cumprir fielmente o dever sagrado de salvaguardar a segurança da pátria e a vida pacifica do povo e desempenhar com lealdade a sagrada missão de preservar a paz mundial. Declaro que a China procederá um desarme de 300 mil efetivos.

Senhoras e senhores, companheiros e amigos.

Depois de dar o primeiro passo com o pé direito, devemos assegurarmos de que a causa colha frutos. O realizar da grande revitalização da nação chinesa exige esforços de geração em geração. A nação chinesa, construtora de uma esplêndida civilização de mais de 5000 anos de história, poderá também criar, sem dúvida alguma, um amanhã mais promissor.

No caminho do avanço, os povos de todas as etnias do país há de ater-se, sob a liderança do Partido Comunista da China, a orientação do marxismo-leninismo, o pensamento Mao Zedong, a teoria Deng Xiaoping, o importante pensamento da tripla representatividade e a concepção científica do desenvolvimento, seguir o caminho do socialismo com peculiaridades chinesas a luz da disposição estratégica das quatro integridades, dando maior esplendor ao grande espírito patriótico e de resistência do povo chinês contra a agressão japonesa, para seguir avançando com bravura, unidos como um só homem e desafiando a tempestade, até nossos objetivos estabelecidos.

Deixemo-nos gravar juntos na mente a grande verdade ilustrada pela história:

Triunfará a justiça!

Triunfará a paz!

Triunfará o povo!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

China e Venezuela fortalecem aliança estratégica

Publicado por ‘’ Correo del Orinocco’’
Traduzido por I. G. D.

O presidente da República Bolivariana de Venezuela, Nicolás Maduro, realizou nesta terça-feira (1 de setembro), uma reunião de alto nível com seu homólogo chinês, Xi Jinping, no Grande Palácio do Povo, para fortalecer a aliança estratégica no contexto da visita ao líder sul-americano pelo gigante asiático.

Ambos chefes de Estado almejam consolidar a aliança estratégica entre os dois países, baseada em confiança mútua, entendimento, e na busca de um mundo multipolar e de maior equilíbrio.

Segundo anunciou o ministério do Poder Popular para a Informação e para a Comunicação da Venezuela, a reunião bilateral se orientou também em ampliar os esforços para consolidar a cooperação entre as duas nações, que abrirão neste ano, as comportas do desenvolvimento produtivo do país sul-americano.

Este encontro foi precedido pela reunião do último 6 de agosto em Caracas (capital venezuelana), que foram destacados os avanços da Comissão Mista Venezuela-China, da qual inclui empresas dispostas a trabalhar em território venezuelano.

Relações econômicas
Em sua chegada em Pequim (capital da RP da China), N. Maduro assegurou que a sua visita tem como objetivo ‘’ conversar sobre novas fórmulas de financiamento para o desenvolvimento, que vão aperfeiçoando as que já havíamos criado, em fundo pesado, o fundo de financiamento conjunto’’.

Outro dos objetivos da visita é aperfeiçoar os mecanismos de complementaridade entre os dois países e ‘’ garantir os recursos que a Venezuela necessita para seu desenvolvimento, em meio a complexidades: a guerra econômica brutal que estamos enfrentando junto ao povo, a queda do preço do petróleo’’.

Maduro assistirá os atos comemorativos do 70º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e o fim da Segunda Grande Guerra Mundial; além da celebração da XIV Comissão Mista de Alto Nível Venezuela-China.

‘’ É o 70º Aniversário do início dessa era tão complexa, mas que no final vimos levantar todos os povos do mundo, os países, entre eles, a grande potência China’’, destacou o chefe de Estado.

N. Maduro visitou o Vietnã na segunda-feira, onde assinou com seu homólogo Truong Tan Sang um acordo de cooperação na área agrícola e impulsou novos projetos em matéria de gás natural e petróleo.

Relações entre China e Laos alcançam uma altura histórica!

Publicado por ‘’ Manos Fuera de China’’

Traduzido por I.G.D.

O presidente da República Popular da China, Xi Jinping, se reuniu hoje (1 de setembro) com o presidente do Laos, Choummaly Sayasone, e disse que as relações entre China e o país do sudeste asiático atingiram um grau jamais visto.

Choummaly está em Pequim para assistir a comemoração do 70º aniversário da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa, na Segunda Grande Guerra.

Xi, que também é secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh), manifestou o seu apreço ao Partido Popular Revolucionário do Laos (LPRP) e ao governo do Laos pelo seu apoio para as celebrações do Dia da Vitória.

China e Laos foram vítimas da Segunda Guerra Mundial, disse Xi, e acrescentou que ambos povos colaboraram para combater a agressão e engajaram-se na luta pela independência nacional.
A China espera contribuir ainda mais para a paz e ao desenvolvimento mundial junto com Laos e outros países, destacou Xi Jinping.

Choummaly, que também é secretário-geral do Comitê Central do PPRL, elogiou a grande contribuição da China durante a Segunda Guerra Mundial e a amizade profunda construída entre os povos chineses e laosianos ao lutar lado a lado.

China tem organizado uma série de eventos para o 70º aniversário do fim da Segunda Grande Guerra, os quais culminarão com um desfile militar em 3 de setembro em Pequim.

Ao elogiar os atuais laços bilaterais e os esforços de Choummaly na confiança e cooperação mútuas desde que assumiu o cargo em 2006, Xi disse que a relação entre os dois países e os dois partidos políticos ‘’ ingressaram em seu melhor período da história’’.

Os últimos anos atestaram um crescimento enorme da cooperação bilateral, com maiores conexões entre ambos países, acrescentou o Presidente Xi.

O presidente chinês disse que seu país está disposto a trabalhar com o Laos para dar impulso a associação de cooperação estratégica integral e agregou que a associação conta com um alto grau de confiança mútua, assistência mútua e reciprocidade.

Xi pediu para as ambas partes manter intercâmbios de alto nível entre os dois partidos políticos e países e a reunião anual entre os dois presidentes.

A República Popular da China está pronta para avançar na cooperação com Laos sob as iniciativas de ‘’ a Faixa e a Rota’’ e a cooperar na produção, indicou o presidente chinês.

Xi também pediu para ambas as partes impulsionarem a cooperação nos âmbitos da segurança, cultura, turismo, educação e intercâmbios juvenis.

Ao elogiar o apoio de muito tempo do Laos para a China em relação aos assuntos internacionais e regionais, Xi disse que a China espera que ambas as partes possam seguir cooperando na Organização das Nações Unidas, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e a Cooperação Econômica na Sub-região do Grande Mekong.

Ao informar a Xi sobre a situação internacional do Laos, Choummaly expressou seu apreço pelo apoio e assistência da China e disse que o Laos deseja manter contatos muito estreitos com a China e fortalecer a cooperação nos assuntos internacionais e regionais.


Logo depois das conversações, os dois presidentes firmaram de uma série de acordos entre ambos governos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sobre o Problema Relativo aos Quadros

Escrito por Zhu De

10 de junho de 1947

Traduzido por I.G.D.


Camarada Zhu De ao lado do Presidente Mao Tsé-tung
Atualmente, entre nossos quadros veteranos existem indivíduos semelhantes a Gorlov** que fazem um verdadeiro alarde de sua grande experiência e se sentem orgulhosos, e o presumem pelo simples fato de que possuem um histórico revolucionário de mais de vinte anos, de que libertaram inúmeras regiões e de que fortaleceram as fileiras do Partido e do exército. Mas se esqueceram de que os marxistas nunca devem se dar por satisfeitos na aprendizagem, que enquanto viverem devem continuar a aprender. A sociedade progride sem parar e, portanto, devemos ter sempre presente os ensinamentos do Presidente Mao Tsé-Tung sobre a necessidade de ‘’ nos prevenir contra a presunção e a precipitação’’, e atuar com modéstia e precaução.

Não são muitos os nossos quadros veteranos. Dos que participaram na Grande Revolução (1911) não passam de algumas centenas, e dos que participaram da Grande Marcha (1934-1936), são apenas alguns milhares. Estes camaradas são muito valiosos; a sociedade e o Partido lhes respeitam muito, mas seria perigoso se começassem a vangloriar-se de sua rica experiência, pois fechar-se-iam em si mesmos e não terão mais vontade de progredir. Se se comportam desta maneira, ficarão no atraso e sua tão merecida glória irá para debaixo da terra.

Alguns dirigentes de nossas organizações se equivocam ao considerar ainda como novos quadros os elementos que se juntaram a revolução durante a Guerra de Resistência contra o Japão (1937-1945) e que já possuem pelo menos uns dez anos de militância no Partido. Estes camaradas constituem precisamente a parte principal do nosso contingente de quadros. É necessário capacita-los como são para que tomem para si a missão de libertar toda a China. Eles, entretanto, devem estar moralmente preparados para tal missão.

Os quadros que trabalham nas zonas de vocês são dezenas de milhares, sendo algumas vezes menos outras vezes mais. As reclamações de vocês acerca da carência de quadros, apesar da presença de vocês em grande número, se deve que mentalmente vocês não sabem lidar como deveriam com o problema relativo aos quadros. Como não se promovem quadros desde a base, muitos homens de talento vegetam no anonimato. É próprio da mentalidade daqueles que ‘’ dividem tudo em partes’’ não permitir por nada deste mundo que os quadros de grande mérito passem a trabalhar em outros lugares e esperar que tais estejam mortos para exaltá-los com elogios póstumos. Os quadros devem ser treinados desde a base e não se deve esperar que sejam designados desde cima. Não devemos temer que os subalternos se rebelem para ‘’ usurpar o poder’’. Cada um de nós deve preparar substitutos, a fim de que o trabalho possa ser realizado como deve ser: o mesmo trabalho em sua ausência deve ser feito da mesma maneira que em sua presença.

Se logo após sua transferência estragar o seu trabalho, pode se afirmar que possui grande capacidade de trabalho? Basta com que cada nível de direção conte com substitutos que preencham as respectivas vagas para que não tenhamos motivos para nos preocuparmos com ausência de quadros.

Na reforma agrária, as massas, quando se levantaram, levaram ao chão certos quadros nocivos, o que é positivo, já que servirá de advertência para outros quadros. Se trata justamente da supervisão das massas. Dirigimos as massas e estas, por sua vez, exercem uma supervisão sobre nós, e só semelhante aprendizagem mútua e crítica recíproca nos permitirão progredir.

Temos que preparar um grande número de quadros. As entidades oficiais devem se simplificar ao mesmo tempo que a direção das escolas devem ser fortalecidas. É preciso conservar e capacitar em forma planificada um bom número de quadros para emprega-los no futuro quando avançarmos sobre outras regiões. Esta é uma tarefa de suma importância.

Notas:
** - Gorlov, comandante chefe de uma frente de guerra que aparece no drama soviético A Frente. É um homem vaidoso, arrogante e orgulhoso.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Os comunistas devem ser leais ao Partido (1940)

Por Chen Yun

Traduzido por I.G.D.

Camarada Chen Yun, no ano de 1958.
Há poucos dias, dois intelectuais que ingressaram recentemente ao Partido me visitaram em ocasiões diferentes. Acabavam de graduarem-se em uma escola, e logo partiram para trabalhar em outros locais. O primeiro camarada me disse: ‘’ Existem três coisas que nunca informei ao Partido. Eu preciso que você saiba antes de eu partir.’’ Então ele me falou sobre aquelas três coisas que não eram questões políticas sérias mas de qualquer forma não foram mencionadas no formulário de ingresso ao Partido. O segunda também me revelou um feito que jamais havia mencionado no seio do Partido. A fim de ganhar a vida, se alistou no Kuomintang em um momento e um lugar determinados, mas desde então, não havia assistido a nenhuma de suas reuniões nem havia recebido qualquer documento de identificação deste partido. Perguntei-lhe por que não havia dito antes ou depois de ter se incorporado ao nosso Partido. Me respondeu que estava com medo de não ser admitido ou de que não teria permissão de estudar na escola de nossa organização. Depois de revelar o que haviam ocultado no passado, ambos camaradas me disseram que estavam aliviados agora que eles expressaram tudo e que não mais possuem qualquer peso na consciência.

Ao escutá-los, pensei que por fim haviam dito a verdade antes de partirem para seus respectivos trabalhos e se comportaram honradamente diante do Partido, o qual significava um grande progresso. Eu os desculpei pela infantilidade, mas tive que dizer para eles que haviam cometido um enorme erro ao ocultar informação ao Partido. Nossa organização não permite que seus membros se comportem deste modo. Para ajudar a ambos camaradas a avisar previamente de seus erros, lhes pedi que escrevessem um informe a respeito para o Partido.

Haveriam ocultado ao Partido outros militantes, em particular aqueles que ingressaram recentemente, atos semelhantes? Aconteceram e acontecem casos semelhantes, e não são poucos.

O mais comum destes casos é o seguinte: Os novatos que ingressam ao Partido, que procedem da classe proprietária de terras ou capitalista, ou cujo pai ou irmão trabalha nos círculos políticos ou militares reacionários, não escrevem a verdade no formulário de ingresso ao Partido, e dizem que a sua família é pequeno-burguesa. Outros solicitantes, que se dedicaram a diversos ofícios sociais, não dão detalhes ao preencher os formulários, chegando até mesmo a colocar ‘’ proletário’’ como origem social, quando nunca sequer haviam trabalhado. Por que ocultam a verdade? Porque temem não ser aceitos pelo Partido ou serem discriminados em seu seio. Aqueles que apontam sua origem como ‘’ proletário’’ querem ser bem recebidos pelo Partido.

Toda ocultação é incorreta; em sua essência revela uma ideologia não proletária. Em termos mais exigentes, essas pessoas não estão qualificadas para serem comunistas, estes que se caracterizam pela sinceridade e pela franqueza. Pensaram que ocultando a verdade poderiam se incorporar ao Partido sem ser submetidos a um cuidadoso exame. Ignoram, contudo, que o Partido deve examinar atentamente a origem social e os antecedentes familiares de cada militante. Se caso um elemento esconde a verdade ao ingressar nas fileiras do Partido, será submetido a um exame e uma investigação mais rigorosos e detalhados quando for descoberto seu segredo. Aquele que oculta a verdade frente ao Partido se responsabilizará pelas consequências. Todos os membros do Partido devem saber que este julga os militantes principalmente observando sua posição política e sua atuação prática diante da causa do mesmo. O Partido está perfeitamente ciente de que não faltam revolucionários que vem de famílias ou âmbitos reacionário. Portanto, todos os militantes devem ter fé no Partido e não lhe ocultar nada, e devem aceitar de bom grado qualquer verificação que este efetue a respeito.

Por outro lado, devemos reconhecer que alguns comunistas encarregados do trabalho partidário sofrem também de certos defeitos. Ao recrutar novos militantes, só querem pessoas ‘’ puras’’. Por ‘’ pureza’’ entendem somente a juventude inexperiente. Não se atrevem a recomendar pessoas das quais possuem conexões familiares ou sociais incomuns ou intrincados antecedentes em sua folha de serviços. Como consequência, pessoas jovens e ingênuas vindas de escolas e oficinas ingressam uma atrás da outra nas fileiras do Partido, enquanto que quem já é mais velho, mais experiente, são pouco solicitados. Até houve um caso estranho em que se rechaçou a solicitação de ingresso de um pai, mesmo quando o Partido havia admitido seu filho, este último que se tornou um progressista graças a influência de seu pai. Os camaradas encarregados do trabalho do Partido não compreendem que por pureza não queremos dizer juventude com poucos contatos sociais, mas sim uma forte dedicação à luta pelo comunismo em circunstâncias complexas e instáveis.

O nosso é um Partido cujos atos correspondem à suas palavras. Somente um Partido Comunista pode proceder deste modo. Nosso Partido não permite que seus militantes digam uma coisa e façam outra e proíbe completamente que qualquer membro diga uma só mentira ao Partido. De nenhum modo devemos copiar os partidos das classes exploradoras, dos quais dão permissão a seus membros que digam mentiras para enganar o povo. Se os militantes de nosso Partido se deixassem contagiar por este hábito maléfico, não poderíamos estabelecer um clima de confiança mútua no Partido, nem unificar as vontades em seu seio, nem colocar em prática uma ferrenha disciplina. O partido deixaria de ser então um destacamento organizado do proletariado, não teria a confiança do povo e nem sequer chegaria a ser seu dirigente.

Por conseguinte, todos os militantes do Partido enfrentam o seguinte problema: se querem ser bons comunistas devem lutar consigo mesmos, trocando as ideias erradas pelas corretas. O êxito nesta luta resultará em progressos ideológicos. Se você não combate suas próprias ideias incorretas e as encoberta, estas se desenvolverão ainda mais e irão conduzi-lo pela via incorreta e por fim, ao abandono das fileiras revolucionárias. Os atos dos comunistas devem corresponder às suas palavras; isto é uma norma do Partido. O militante que a infringe estará desrespeitando a disciplina. Alguns mentirão ao Partido em uma ou outra ocasião, e depois de serem aconselhados e não mudarem de postura, e continuarem com mentiras ainda maiores; estes deverão ser expulsos do Partido sem hesitação alguma, por mais que pareçam revolucionárias suas palavras ou por mais louváveis que foram seus serviços no passado.

Muitos dos que ocultaram a verdade ou disseram mentiras ao Partido carecem de maturidade política ou são membros novos. Contudo, se infiltraram no Partido algumas pessoas com outras motivações políticas, elementos nocivos que perpetraram muitas malfeitorias, renegados, agentes inimigos e elementos hostis. Todos eles ocultam seu passado e mentem com o objetivo de minar o nosso Partido. Diferem no essencial dos comunistas imaturos já mencionados. Além disso, também existem uns poucos carreiristas que frequentemente ocultam a verdade e recorrem aos métodos de enganação para ganhar a confiança do Partido e obter postos de direção. Devemos reforçar nossa vigilância diante de todos estes elementos e não dar para eles qualquer oportunidade de sabotar a nossa causa.

domingo, 9 de agosto de 2015

Cuba e China, aliança com potencialidades infinitas!

Por Claudia Fonseca Sosa (Granma)

Traduzido por I.G.D.


Em 28 de Setembro de 1960, a República de Cuba e a República Popular da China estabeleceram relações diplomáticas. Poucos meses depois, durante a visita à nação asiática realizada pelo Comandante Ernesto Che Guevara, foram feitos os primeiros acordos bilaterais de cooperação econômica e tecnológica.

Esse primeiro contato de Che Guevara com a terra de Mao Zedong teve um grande significado para a jovem revolução caribenha, não só pela magnitude dos acordos estabelecidos, mas também porque na época Cuba já enfrentava o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.

Com o passar dos anos e na medida em que as relações políticas entre ambas as nações ganhavam confiança e profundidade, os intercâmbios entre Cuba e China no âmbito econômico e comercial também se ampliaram.

China é hoje o segundo maior parceiro comercial do nosso país e sua participação em múltiplas esferas de desenvolvimento e da economia nacional a confirmam como um parceiro estratégico.

Desde a década de 1980, a Comissão Mista Intergovernamental para as Relações Econômicas e Comerciais vem desempenhando um papel fundamental na promoção, execução e desenvolvimento de diversos projetos, assim como na estimulação de investimento mútuo.

O trabalho em conjunto de especialistas de todos os ramos propiciou também a busca de novas formas de realização do comércio bilateral e, unido ao sistemático intercâmbio de visitas de alto nível político, permitiu que aumente o conhecimento e a compreensão mútuas.

Durante um período relativamente curto, Cuba pagou com açúcar os produtos que comprava da China. Mas desde 1999, em sintonia com as reformas aplicadas na economia e no comércio exterior da nação asiática, todas as operações mercantis entre ambos os países decorrem em moeda livremente convertível, através de créditos e mecanismos de pagamentos que fiquem de acordo com os contratantes.

Desta forma, o mercado chinês permite ao nosso país adquirir equipamentos imprescindíveis para reanimar setores da economia nacional estagnados, como o transporte, e desenvolver outros como as telecomunicações. Nas últimas décadas se obteve êxito em introduzir na China produtos cubanos de biotecnologia, rum, tabaco, açúcar, mariscos e níquel.

No âmbito dos investimentos, fica em destaque a empresa mista Biotec Pharmaceutical, fundada no Centro Internacional de Ciências da China e no Centro de Imunologia Molecular de Cuba, que se especializa na investigação, produção e venda de anticorpos monoclonais usados para o diagnóstico e tratamento do câncer, assim como no desenvolvimento, produção, registro e comercialização de vacinas e proteínas terapêuticas recombinantes com tecnologia cubana.

Outro exemplo desta relação é a entidade mista Gran Kaimán, associação entre o Grupo Eletrônico de Cuba e da Corporação de telecomunicações Grande Dragão da China, que produz equipamentos para o mercado nacional e para a América Latina.

Também destaco como experiência positiva a empresa mista Cuba-Shanghai, onde participam na construção de hotéis de luxo a Corporação Cubanacan S/A e a Companhia Sun-time Internacional da China.

Em julho de 2014, durante a visita oficial do presidente chinês Xi Jinping, a Havana, foram assinados outros 29 acordos que ampliam o alcance das relações econômicas e comerciais entre ambos os países.
Entre eles se destaca um acordo que formaliza a concessão de uma linha de crédito por parte do país asiático para a execução de um projeto de construção de um terminal com inúmeras finalidades no porto de Santiago de Cuba.

Foi afirmado também um Acordo de Financiamento entre o Banco Nacional de Cuba e a Corporação Bancária de Desenvolvimento da China, que oficializa a concessão de um crédito para a compra de equipamento com destino ao desenvolvimento de telecomunicações no arquipélago.

Não menos significativo foram os contratos que estabelecem o serviço de perfuração de poços de petróleo de até 9.000 metros de profundidade em águas cubanas, assim como a cooperação tecnológica e industrial em matéria de televisão digital.

Enquanto ao turismo, foi assinado um Entendimento entre o Grupo Empresarial Palmares e Beijing Enterprises Group para a constituição da empresa mista Bellomonte S/A, dedicada a construção e exploração de um complexo imobiliário associado a um campo de golfe em Havana.

No contexto da visita do presidente chinês a Cuba, também se inaugurou uma planta de bio sensores para a medição do nível de glicose no sangue.

‘’O alto nível das relações políticas entre Cuba e China e a amizade indestrutível entre nossos povos nos permite continuar fortalecendo uma aliança estratégica que hoje mostra importantes resultados e que possui potencialidades infinitas’’, expressou então Marino Murillo Jorge, membro do Birô Político e vice-presidente do Conselho de Ministros.

Além disso, o chefe da Comissão Permanente para a Implementação e Desenvolvimento deu um destaque especial nas colaborações no âmbito farmacêutico, onde as empresas chinesas tem sido uma fonte significativa de fornecimento para o desenvolvimento da indústria cubana de medicamentos.

Mais recentemente, durante a VIII Reunião do Grupo de Trabalho Conjunto de Biotecnologia Cuba-China, realizada no mês passado em Havana, foram assinados outros 11 acordos que abrem caminho para novos projetos de colaboração para o período 2015-2017.

Foi endossado também cartas de intenção para o estabelecimento na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel de duas empresas mistas, uma dirigida para a produção e comercialização de biofarmacêuticos, e a outra para vacinas contra o câncer.

Foram assinados de maneira igual dois contratos para a representação e distribuição comercial de anticorpos biossimilares e de vacinas contra o pneumococo.

Foi feito o acordo de que a Empresa de Serviços Médicos começará a dar atenção para pacientes chineses em Cuba, e à introdução acelerada da vacina contra o rotavírus neste mercado e no resto da América Latina.

O Centro de Neurociências de Cuba e a Universidade da Ciência e da Tecnologia Eletrônica do gigante asiático, realizaram um pacto para a criação de um laboratório conjunto e o desenvolvimento de cinco produtos neuro tecnológicos.

São alguns exemplos de uma relação de colaboração e benefício mútuo entre países amigos, que ainda tem potencialidades para serem exploradas no contexto da atualização da economia cubana e do processo de abertura e reforma chinesas.

Os laços estreitos da amizade e da confiança política construídos em mais de meio século de intercâmbios bilaterais, vem tendo um reflexo indiscutível nos múltiplos projetos de comércio e cooperação desenvolvidos, muitos deles com um grande impacto social.

(Retirado de: http://manosfueradechina.blogspot.com.es/)