segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Carta de Ho Chi Minh ao Partido Comunista da Indochina

Por Ho Chi Minh

(Kwelin, 10 de maio de 1939)

Traduzido por I.G.D.

Cartaz com a imagem de Ho Chi Minh e
abaixo está escrito: Partido Comunista do Vietnã.
Queridos camaradas: No passado, segundo minha opinião e de um bom número de camaradas, o trotskismo aparece para nós como uma questão de luta entre as tendências no seio do Partido Comunista da China. Por isso quase não lhe prestamos atenção. Mas, pouco antes do estalar da guerra, mais exatamente desde o fim do ano de 1936, e sobre tudo durante a guerra, a propaganda criminosa dos trotskistas fez com que nós abríssemos os olhos. Depois, nos pusemos a estudar o problema. E nosso estudo nos levou às seguintes conclusões:

1. O problema do trotskismo não é uma luta entre as tendências no seio do Partido Comunista da China. Porque entre comunistas e trotskistas não existe qualquer laço, absolutamente nenhum. Se trate de um tema que concerne ao povo inteiro: a luta contra a pátria.
2. Os fascistas japoneses e estrangeiros o conhecem. Por isso buscam criar falácias para enganar a opinião pública e prejudicar o nome dos comunistas, fazendo com que as pessoas pensem que comunistas e trotskistas pertencem ao mesmo campo.
3. Os trotskistas chineses (assim como os trotskistas de outros países) não representam um grupo, muito menos um partido político. Não são mais do que uma corja de criminosos, de cães de caça do fascismo japonês (e do fascismo internacional).
4. Em todos os países, os trotskistas se deram belos apelidos para mascarar sua tarefa suja de bandidos. Por exemplo, na Espanha, se chamam Partido Operário de Unificação Marxista (POUM). Vocês sabiam que são eles que constituem ninhos de espiões em Madrid, em Barcelona e em outros lugares, a serviço de Franco? São eles que organizam a célebre “quinta coluna’’, um organismo de espionagem do exército dos fascistas italianos e alemães. No Japão, se chamam Liga Marx-Engels-Lenin (MEL). Os trotskistas japoneses atraem os jovens para sua organização e logo os denunciam para a polícia. Buscam penetrar no Partido Comunista Japonês com o objetivo de destruí-lo por dentro. Segundo minha opinião, os trotskistas franceses, atualmente organizados em torno do grupo Revolução Proletária(1) estabeleceram como meta sabotar a Frente Popular. Sobre este assunto, penso que vocês estarão mais informados que eu. Em nosso país, os trotskistas se agrupam em organizações tais como La Lutte, Guerra contra os Japoneses, Cultura e Bandeira Vermelha.

5. Os trotskistas não são apenas inimigos do comunismo, mas também inimigos da democracia e do progresso. São os traidores e os espiões mais infames. Talvez tenham lido as atas de acusação dos processos na União Soviética contra os trotskistas. Se vocês ainda não leram, aconselho vocês a ler junto com seus amigos. É uma leitura muito útil. Ajudará vocês a ver a verdadeira face repugnante do trotskismo e dos trotskistas. Aqui, deixem-me extrair algumas passagens relacionadas diretamente a China. O verdadeiro rosto repugnante do trotskismo.

Frente ao tribunal, o trotskista Rakovsky(2) confessou que em 1934, quando estava em Tóquio (como representante da Cruz Vermelha soviética) um alto personagem do governo japonês lhe havia dito: “Temos o direito de esperar dos trotskistas uma mudança de estratégia. Não quero entrar em detalhes. Só que eu queria dizer que esperamos da parte dos trotskistas, ações que favoreçam nossa intervenção nos assuntos da China’’. Respondendo a este japonês, Rakovsky dizia: “Vou escrever a Trotsky a respeito disso’’. Em dezembro de 1935, Trotsky enviou aos seus partidários na China, instruções em que enfatizava várias vezes esta frase: “Não criar obstáculos à invasão japonesa na China’’. E como vem atuando os trotskistas da China? Estão com pressa de saber, não é? Mas, amados camaradas, não poderei responder vocês mais que em minha próxima carta. Vocês não me recomendaram escrever cartas curtas? Espero vê-los em breve.

Notas:
(1) Revolução Proletária: jornal que publicava um grupo de sindicalistas franceses.
(2) Líder revolucionário nos Bálcãs antes da Primeira Guerra Mundial, primeiro ministro ucraniano desde 1919 até 1923, foi então embaixador soviético em Paris e um dos fundadores da “Oposição de Esquerda’’. Expulso do PCUS em 1927, continuou com sua tarefa até capitular em 1934.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Eliminar Resolutamente do Partido Toda Ideologia Não Proletária*

Por Zhou Enlai

11 de Novembro de 1928

(Traduzido por I.G.D.)

Camaradas, é certo que muitas das ideias incorretas a respeito da linha política do Partido são reflexo das circunstâncias objetivas, mas não é menos que uma das causas mais importantes de sua existência consiste em que as organizações do Partido não se bolchevizaram ainda, e que são advertidas no Partido numerosas manifestações da ideologia não proletária. Como o Partido Comunista da China foi fundado depois do Movimento de 4 de Maio(1), em um momento em que não existia nenhum outro partido político revolucionário, sendo o Kuomintang simplesmente um bloco de burocratas e politiqueiros, entraram em nosso Partido numerosos elementos radicais da pequena burguesia, mesmo elementos burgueses. E sobre todo o período da cooperação entre o Kuomintang e o Partido Comunista, ingressaram nas fileiras deste último uma grande massa de elementos pequeno burgueses. Em consequência, nada mais para alterar a situação da revolução, muitos membros do Partido vacilaram e tomaram uma atitude passiva, traíram abertamente o Partido entregando-se ao inimigo e vendendo aqueles que haviam sido seus camaradas. Após a Reunião de 7 de Agosto(2) se formulou o lema de “renovar o Partido”, sob a qual foram expulsos do Partido decididamente todos os elementos vacilantes e reestruturaram os órgãos dirigentes, o que permitiu reforçar, de forma paulatina, a posição da ideologia proletária no seio do Partido. Mas, até hoje, as organizações do Partido carecem de uma sólida base proletária e se advertem nelas ainda muitas manifestações da ideologia pequeno burguesa. Particularmente, devido a que, na composição de classe do Partido, os militantes de origem camponesa representam pelo menos 75%, é oferecido um terreno adubado para uma ampla difusão da ideologia pequeno burguesa. Com a finalidade de realizar a bolchevização do Partido, é necessário, antes de tudo, fortalecer sua base proletária e, ao mesmo tempo, continuar renovando suas organizações e combater com maior firmeza a ideologia pequeno burguesa.  Por conseguinte, logo depois de examinar nossa linha política, devemos fazer uma minuciosa revisão dos erros relacionados com os conceitos de organização.
Primeiro, tendência ao ultrademocratismo. Antes, no organizativo existia uma forma de “patriarcalismo” caracterizada pela obediência mecânica dos militantes de nossas fileiras às ordens ditadas pelos organismos dirigentes do Partido e das organizações inferiores às superiores, e pela ausência de toda vivacidade no interior do Partido. Agora, como chegou o momento de renovação do Partido, muitos lugares passaram para o ultrademocratismo. Há membros do Partido que se permitem não cumprir com as decisões deste. As células do Partido não tomam qualquer atitude em exigir explicações aos órgãos superiores do Partido quando estes emitem tal ou qual circular sem submetê-la previamente para a sua aprovação. Há, além disso, militantes que acham que tem o direito de atuar em livre arbítrio, sem qualquer autorização do Partido. Tais ideias ultraliberais pequeno burguesas podem significar a desintegração da organização do Partido e mesmo sua destruição total. Deixa-se sentir também um conceito incorreto do que é igualdade. Por exemplo, no que se refere aos gastos financeiros, se exige uma distribuição rigidamente igualitária sem ter em conta as circunstâncias e a distinta importância do trabalho. Isso reflete ainda mais nitidamente a ideia de propriedade igualitária, própria da mentalidade camponesa, ideia que devemos eliminar com singular rigor.
Segundo, má compreensão da luta contra o oportunismo. Lutar contra o oportunismo supõe principalmente eliminar as linhas oportunistas tanto no campo político como no organizativo, mas alguns camaradas tendem a lançar ataques pessoais, afrouxando assim a crítica das concepções oportunistas. Como se o oportunismo pudesse ser eliminado apenas levando abaixo a uns poucos indivíduos. Ignoram que o oportunismo tem raízes muito profundas e que não será erradicado através da expulsão de alguns indivíduos. Claro, o Partido não tem outra alternativa a não ser expulsar todos aqueles elementos incorrigíveis com sistemáticas ideias oportunistas, pois apenas assim pode fortalecer-se a si mesmo. Mas, depois de tudo, o principal reside em criticar todas as concepções oportunistas e assegurar que todos os camaradas do Partido tenham uma clara compreensão a respeito. Só então é possível canalizar a linha política do Partido pelo caminho correto. Em quanto a prática de aproveitar-se de algum defeito de outro para exagerá-lo por simples rancor pessoal, é sem dúvidas uma politicagem, algo absolutamente incompatível com um partido proletário.
Terceiro, querelas pessoais. A luta contra o oportunismo e o putchismo é, antes de tudo, sumamente importante no campo político, mas uma vez que a luta política se volta exclusivamente contra um ou outro, surgem certamente disputas pessoais inacabadas. Atacar outra pessoa, ou rejeitar uma crítica por parte dela, ou especular sobre suas razões somente por conta de rixas pessoais, sem examinar seu trabalho e suas posições do ponto de vista do Partido, criarão uma interminável rixa dentro deste, e isto é uma das piores manifestações da ideologia pequeno burguesa.
Quarto, tendência de fracionismo. No presente momento, as numerosas manifestações de fracionismo no Partido são produto de “amiguismo” ou fidelidades de clã. Uns poucos indivíduos com pretensões de chefia e desejosos de altas posições pessoais abraçam o fracionismo para atacar a outros de cargo igual ou superior; daí o transbordamento de toda classe de práticas desprezíveis e sujas, típicas de politiqueiros e burocratas burgueses. Esta é a mais repugnante tendência que minava o Partido.
Quinto, distanciamento entre trabalhadores e intelectuais. É extremamente errôneo converter a luta contra o oportunismo em uma batalha contra os intelectuais. É certo que destes muitos se mostram vacilantes, mas são também numerosos os que combatem desde a posição do proletariado, enquanto que entre o proletariado existe também um bom número de sujeitos que encontram-se distantes da ideologia proletária e encontram-se infectados pela ideologia pequeno burguesa. Muitos camaradas, ignorantes disto, deixam de lado a luta contra a ideologia pequeno burguesa para lançar ataques exclusivamente contra os indivíduos de origem pequeno burguesa, criando assim um distanciamento entre os trabalhadores e os intelectuais e incrementando as disputas dentro do Partido. Isso reflete também a ideologia essencialmente pequeno burguesa.
Sexto, ceticismo sobre a linha de renovação do Partido. Se adverte com pouco entusiasmo por admitir novos ativistas, especialmente os que provém da classe operária. Persistem velhos conceitos de organização que mantém o Partido sempre sob uma forma de “patriarcalismo” de ordem e nomeação. Na designação de tarefas, se confia unicamente em umas poucas pessoas com quem um está pessoalmente familiarizado e não nos novos ativistas que surgiram da base, especialmente os camaradas operários. Isto conduzirá a uma crescente degeneração do organismo do Partido, a sua carência perene de vitalidade e a sua perpétua impotência para acabar com toda ideologia pequeno burguesa.
Sétimo, formalismo na renovação do Partido. A admissão de operários e camponeses é um método importante para a renovação do Partido. Mas, ao aplicá-lo, muitos organismos do Partido incorrem no formalismo. Se contentam com incorporar mecanicamente uma porcentagem de operários nos órgãos dirigentes. Por acaso isso não resulta em que as coisas sigam sendo monopolizadas pelas mesmas pessoas de antes, ou seja, os intelectuais? Mesmo que tenham ocorridos casos tão absurdos como os de ditadura do secretário em chefia. Este modo de admitir operários e camponeses não possui qualquer sentido.
Oitavo, mentalidade mercenária para a revolução. O partido necessita apenas de um pequeno número de revolucionários profissionais em função de seus assuntos cotidianos. E os membros do Partido que trabalham entre as massas devem prestar serviços ao Partido sem abandonar suas atividades na sociedade, e só assim poderão adentrar-se nas massas. Entretanto, alguns camaradas mantém uma mentalidade mercenária para com o trabalho. Exigem um pagamento pelo trabalho que efetuam, e não fazem nada se não lhes pagam. Existem quadros de células que também pedem subsídios em busca de uma igual partilha de lucros. Isto é um gravíssimo erro.
Nono, atitude de tomar o Partido como se fosse uma instituição de beneficência. Muitos camaradas encontrando-se na miséria por estarem desempregados e não tem a quem recorrer, apelam ao Partido para que este lhes solucione seus problemas de subsistência. Não compreendem que o Partido não é uma instituição de beneficência e que seu trabalho se realiza principalmente entre as massas e não em seus organismos dirigentes. É absolutamente impossível que cada um tenha atribuído um trabalho nesses organismos. E o que é mais, se os camaradas que não estão em atividade na sociedade não fazem esforços para encontrá-la, ao mesmo tempo em que outros vão abandonando a sua, o Partido se encontrará separado das massas e, em tal caso, como poderá organizar e dirigir estas?
Décimo, passividade no trabalho. Muitos camaradas vacilam em suas convicções, e quando não encontram saída no âmbito político, ou veem disputas no seio do Partido causadas por conflitos pessoais, ou tropeçam com dissensões criadas por fracionistas com sua prática politiqueira, se decepcionam e não querem trabalhar ativamente. Isso é, de qualquer forma, um tipo de pessimismo pequeno burguês. Na realidade, a revolução se desenvolve a cada dia que passa. Sempre que nos adentramos nas massas para compreender seus sentimentos, saberemos nos orientar por um caminho positivo. Em relação ao nosso Partido, que é já um partido com caráter de massas, com tal que todos os camaradas estejam unidos em uma luta resoluta, será absolutamente impossível que um punhado de canalhas obtenham êxito em soterrar nossa organização. A passividade constitui nada mais do que uma tendência à degeneração.
Camaradas, a mencionada ideologia pequeno burguesa prejudica efetivamente, a cada instante, a organização do Partido e entrava seu trabalho. Todos os camaradas devem levar a cabo decididamente uma luta pela sua completa eliminação de nossas fileiras.
Por conta do VI Congresso Nacional do Partido(3), o Comitê Central aplicará com firmeza as resoluções do Congresso, continuará combatendo energicamente as tendências erradas tais como o oportunismo e o putchismo e, também, se esforçará para erradicar do Partido todas as manifestações da ideologia pequeno burguesa. No que se refere as disputas no seio do Partido, o Comitê Central se opõe ao método conciliatório de remendos e paliativos e se propõe eliminar decididamente toda ideologia não proletária. Só assim se pode assegurar a unidade de todos os camaradas do Partido na luta conjunta dentro do espírito bolchevique.
Camaradas, o Comitê Central está decidido a continuar renovando a organização do Partido. Combaterá sem misericórdia a tendência de certos camaradas a entregarem-se a disputas pessoais, seja longa ou curta sua militância e bom ou ruim o trabalho que tem realizado. Não permitirá em absoluto que subsista em nosso Partido proletário a mais mínima manifestação da ideologia pequeno burguesa. O Comitê Central exige que todos os camaradas do Partido tomem para si esta tarefa, lutem unidos e levem a cabo a bolchevização do Partido.
O Comitê Central destaca os seguintes pontos como linha de conduta para todos os camaradas do Partido em sua luta unida.
Primeiro, fortalecer a base proletária do Partido. O fortalecimento da ideologia proletária no Partido pressupõe, antes de tudo, expandir sua base organizativa proletária. Na atualidade, o caminho principal que conduzirá a bolchevização do Partido passa a adentrar-se nos trabalhadores industriais, estabelecer células bem fortes nas fábricas, aumentar a porcentagem de operários na militância, reforçar preferentemente as organizações do Partido nas zonas industriais de todo o país e dar um novo vigor ao Partido.
Segundo, fomentar discussões políticas no seio do Partido e elevar seu nível político. Os organismos dirigentes do Partido em diversos níveis devem efetuar, na medida do possível, discussões sobre todas as questões políticas do Partido e encorajar os camaradas a expressar plenamente suas opiniões sobre os temas políticos. Ao mesmo tempo, devemos intensificar a educação política no Partido e elevar seu nível teórico. Este é um meio positivo e correto para eliminar a ideologia pequeno burguesa.
Terceiro, ajudar os membros do Partido a buscar um emprego. Os camaradas desempregados devem encontrar um emprego em todos os meios que forem possíveis. Os organismos dirigentes do Partido devem ajuda-los neste sentido. Os que não possuem qualquer habilidade profissional devem aprender e esforçarem-se em particular para entrarem em fábricas como operários. Os camaradas devem ajudar-se mutuamente para encontrar postos de trabalho. Devemos fazer com que os membros do Partido não dependam deste para sua subsistência, que sejam capazes de adentrar-se nas massas e estender a influência do Partido entre elas e que, ao mesmo tempo, possam transmitir suas opiniões ao Partido de forma correta para que este seja um autêntico partido de massas.
Quarto, melhorar a vida na célula. Somente as células do Partido estão em condições de penetrar no seio das massas para efetuar a agitação e propaganda políticas e organizar estas. Somente elas podem dirigir de forma flexível as lutas diárias. Se os organismos superiores do Partido se limitam a elaborar uns planos abstratos e expedir alguns documentos de propaganda sem que as células do Partido cumpram o papel que lhes correspondem, então o Partido nunca entrará em contato com as massas. Por vida em uma célula não se entende simplesmente realizar reuniões, escutar discursos políticos, pagar cotas para o Partido e só. O mais importante é a discussão dos problemas políticos e o trabalho de localidade em questão. Trata-se de uma fábrica, um centro docente, um quartel militar, uma aldeia ou um bairro, cada lugar, por pequeno que seja, possui circunstâncias políticas que lhes são próprias e requerem métodos de trabalho que lhes correspondam. Devemos conhecer antes as circunstâncias reais se queremos aplicar corretamente as políticas do Partido. Esta é uma tarefa que envolve todas as células e todos os camaradas. Cumpri-la totalmente é uma condição indispensável para que as células se edifiquem no núcleo das massas e para que cada militante do Partido, seja o dirigente destas.


Notas:
* - Parte IV da “Carta a todos os camaradas” emitida pelo Comitê Central do PCCh com o propósito de levar a cabo as resoluções do VI Congresso Nacional do Partido. Esta parte foi redigida pelo camarada Zhou Enlai, então chefe do Departamento de Organização do CC do PCCh.

(1) – Em 1919, a Inglaterra, Estados Unidos, França, Japão, Itália e outros países vencedores na Primeira Guerra Mundial realizaram em Paris a Conferência de Paz com a Alemanha, da qual chegaram a um acordo de que deveria ser entregue ao Japão, todos os privilégios coloniais que a Alemanha havia arrebatado na província de Shandong da China antes da Guerra. A delegação enviada pelo governo dos caudilhos militares da China para a Conferência estava disposta a aceitar esta decisão. Em 4 de Maio, os estudantes de Pequim realizaram manifestações contra a injusta decisão do imperialismo e a conciliação do governo dos caudilhos militares. Este movimento estudantil encontrou espaço imediato em todo o povo chinês. Depois de 3 de Junho, se converteu em um movimento massivo anti-imperialista e antifeudal de amplitude nacional, que envolveu o proletariado, a pequena burguesia urbana e também, a burguesia nacional.

(2) – Reunião de emergência do Comitê Central do PCCh realizada em 7 de Agosto de 1927 em Hankou, com a presença de 21 pessoas, entre elas membros do Comitê Central e do Comitê de Controle. Na reunião, Qu Qiubai apresentou um informe intitulado “Orientação de Nosso Trabalho Futuro”. A reunião aprovou uma Carta a Todos os Militantes do Partido e resoluções sobre o movimento camponês, o movimento operário e o trabalho organizativo, e elegeu uma nova direção central. Em um momento crítico para a revolução chinesa, a reunião foi encerrada de forma resoluta ao capitulacionismo de Chen Duxiu, traçou a orientação geral da revolução agrária e luta armada contra a política genocida levada a cabo pelos reacionários do Kuomintang, e chamou o Partido e as massas populares a persistirem firmemente na luta revolucionária. Tudo isso foi correto e constituiu seu aspecto principal. Entretanto, ao combater a tendência direitista, o capitulacionismo, a reunião não compreendeu a necessidade de organizar contra-ataques acertados ou retiradas táticas indispensáveis segundo às circunstâncias dos diversos lugares e deu origem no organizativo a uma luta sectária excessiva no seio do Partido, abrindo caminho para o desvio de “esquerda”.

(3) – De 18 de Junho a 10 de Julho, o Partido Comunista realizou em Moscou seu VI Congresso Nacional. Neste Congresso, Qu Qiubai passou um informe intitulado “A revolução chinesa e o Partido Comunista”; Zhou Enlai fez um informe sobre o problema organizativo e outro sobre o militar, e Liu Bocheng apresentou um informe suplementar sobre o problema militar. Foram aprovados uma série de resoluções sobre os problemas político, militar e organizativo. O Congresso reafirmou que a sociedade chinesa era uma sociedade semicolonial e semifeudal e estabeleceu que a revolução chinesa daquela de então, seguia sendo uma revolução democrática e burguesa. Apontou que a situação política se encontrava então em um intervalo entre dois auges da revolução e que o desenvolvimento da revolução era desigual em zonas distintas. Destacou que a tarefa geral do Partido naquele momento não era lançar ataques nem organizar insurreições, mas conquistar as massas. Ao criticar o oportunismo de direita, destacou com uma ênfase particular que a tendência mais perigosa daquele período dentro do Partido era o putchismo, o aventureirismo militar e o autoritarismo, que nos divorciava das massas. No essencial, o Congresso teve resultados positivos, mas também demonstrou certos erros e defeitos. Não fez uma apreciação correta a respeito do duplo caráter das classes médias e as contradições internas das forças reacionárias, nem soube traçar políticas acertadas para com estas classes e forças. Tampouco compreendeu devidamente a necessidade que o Partido tinha de efetuar uma retirada tática bem ordenada após o fracasso da Grande Revolução, nem teve uma clara ideia da importância das bases de apoio rurais e o caráter prolongado da revolução democrática.

domingo, 1 de novembro de 2015

Para Compreender Corretamente o Nacionalismo

Diálogo com funcionários responsáveis do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia - (26 e 28 de fevereiro de 2002)

Por Kim Jong Il

Traduzido por I.G.D.

É importante compreender corretamente o nacionalismo. Quando as pessoas o praticarem, será possível conquistar a unidade da nação, defender seus interesses e fazer contribuições para forjar seu destino.
Kim Jong Il, memorável dirigente da Revolução Coreana.

O nacionalismo foi criado como uma doutrina chamada a defender os interesses da nação em processo de suas formação e desenvolvimento. Cada nação, formada em distintas épocas, é um grupo social constituído e consolidado ao longo da história, sobre a base da identidade sanguínea, linguística, regional e cultural, e consta de diversas classes e setores sociais. Em nenhum país ou sociedade existe um indivíduo isolado e excluído da nação. Todos são seus membros, uma vez que integram determinada classe ou camada social, devido ao qual possuem identidades nacionais e classistas. Estas, da mesma forma que as exigências de classes e as nacionais, estão estreitamente vinculadas. Desde já, as classes e camadas que integram a nação possuem diferentes demandas e interesses por sua respectiva situação socioeconômica. Entretanto, todos têm interesses comuns relacionados com a salvaguarda da independência e identidade nacionais e a conquista da prosperidade do povo acima de seus interesses de classe ou de setor. Assim é porque o destino da nação se identifica com o de seus integrantes e está implícito em cada indivíduo. Ninguém quer a identidade de sua nação ignorada e sua soberania e dignidade sejam atropeladas. O amar de sua nação, apreciar suas peculiaridades e interesses e aspirar seu desenvolvimento representa a ideia, o sentimento e a psicologia comuns de seus componentes, cujo reflexo é precisamente o nacionalismo. Em outras palavras, o nacionalismo é o ideal que propugna amar a nação e defender seus interesses. Como as pessoas vivem e forjam seu destino confinadas ao Estado nacional, o genuíno nacionalismo se identifica com o patriotismo. Seu caráter progressista reside em defender os interesses da nação, amar esta e a pátria.

O nacionalismo se formulou como um conceito progressista, ao passo que formava e desenvolvia-se a nação, mas no passado foi considerado como um ideário que defendia os interesses da burguesia. É certo que no período do movimento nacional antifeudal os burgueses emergentes se puseram sob a bandeira do nacionalismo. É que naquela etapa seus interesses concordavam principalmente com os das massas populares na luta contra o feudalismo e por isso tal bandeira refletia os interesses comuns da nação. Após o triunfo da revolução burguesa, ao desenvolver-se o capitalismo e converter a burguesia em classe dominante reacionária, o nacionalismo passou a servir como um meio para proteger os interesses desta classe. Porque a classe burguesa, disfarçando os seus interesses como se fossem nacionais, o nacionalismo passou a ser usado como um instrumento ideológico para a realização de seu domínio, este passou a ser considerado como uma doutrina burguesa, divorciado de interesses nacionais. Deve-se distinguir o verdadeiro nacionalismo, que exige amar a nação e defender seus interesses, do nacionalismo burguês que defende os interesses da burguesia. Nas relações com outros países e nações, este se manifesta como egoísmo nacional ou exclusivismo ou como chauvinismo de grande potência. É um ideário de índole reacionária que semeia o antagonismo e a discórdia entre os países e impede o desenvolvimento das relações amistosas entre os povos da Terra.

A teoria revolucionária antecedente a classe operária não possui explicações corretas sobre o nacionalismo. Prestou a atenção primordial ao fortalecimento da unidade e solidariedade da classe trabalhadora mundial; questão que se apresentou naquele tempo como um problema essencial no movimento socialista, mas não se interessou como era devido pelo problema da nação. Para piorar a situação, a causa dos grandes prejuízos que causava o nacionalismo burguês a este movimento, foi marcada por uma corrente ideológica antissocialista, razão pela qual seria considerado incompatível com o comunismo e passou então a ser repudiado.

Este é um critério errôneo. O comunismo não é uma doutrina que defende unicamente os interesses da classe operária. Defende, também, os interesses da nação. É uma ideia autêntica que ama a esta, e a pátria. O mesmo se pode dizer do nacionalismo. Amar o país, a nação, é uma ideia e sentimento comum do comunismo e do nacionalismo, e constitui a base ideológica para uma aliança de ambos. Portanto, pode-se dizer que não há qualquer razão ou justificativa para colocar o comunismo como contrário ao nacionalismo e rejeitar este último.

O nacionalismo não está em contradição com o internacionalismo. Internacionalismo é ajudar, apoiar e solidarizar-se com todos países e nações. Dado que existem fronteiras entre os países e diferenças de nacionalidades, e o processo revolucionário e construtivo se efetua pela unidade da nação, o internacionalismo representa as relações entre os países, as nações, e possui como premissa o nacionalismo. A verdade é que um internacionalismo separado da nação e divorciado do nacionalismo não significa nada. Se um é indiferente ao destino de seu país e povo, este não pode ser fiel ao internacionalismo. Os revolucionários de cada país devem ser leais ao internacionalismo mediantes os esforços, principalmente, pelo desenvolvimento e pela prosperidade de sua nação.

Pela primeira vez na história, o grande camarada Kim Il Sung apresentou uma explicação correta para o nacionalismo e na prática revolucionária para forjar o destino do país, e a nação solucionou brilhantemente o problema das relações entre ele e o comunismo, entre o nacionalista e o comunista. Destacou que para ser um comunista deve ser primeiro um verdadeiro nacionalista. No início, com a determinação de consagrar a sua vida para o país e para a nação, empreendeu-se o caminho da revolução, concebeu a imortal Ideia Juche, formulando com base nisso, a concepção original da nação e esclareceu cientificamente a essência e a natureza progressista do nacionalismo. Coordenando de modo mais correto o espírito de classe com a nacionalidade e o socialismo com o destino da nação, realizou a aliança entre comunistas e nacionalistas, consolidou com firmeza os campos do sinal nacional e classista do socialismo de nosso país e conduziu os nacionalistas pelo caminho da construção socialista e da reunificação da Pátria. Fascinados pela ilimitada magnanimidade e nobres qualidades humanas do Grande Líder, numerosos nacionalistas romperam com seu passado ignominioso e tomaram a via patriótica da unidade nacional e da reintegração do país. Kim Ku, que promoveu o anticomunismo em quase toda a sua vida, nos últimos anos de sua existência se aliou com o comunismo e se pôs a serviço da Pátria. Da mesma maneira, o outrora nacionalista Chou Tok Sin, abraçou a causa do Líder e se destacou como patriota. O Grande Líder não só apreciou e defendeu a independência do povo coreano como também a dos demais povos do planeta e fez todos os esforços, tanto por nossa revolução como pela causa de realizar a independência no mundo. Se poderia afirmar que no globo não houve um homem tão grandioso como nosso Líder, do qual consagrou toda a sua vida à independência, soberania e prosperidade da nação e pelo luminoso futuro da humanidade. Foi o comunista mais firme, patriota sem igual, um nacionalista autêntico e um verdadeiro exemplo de internacionalista.

Da mesma maneira que destacara o Líder, eu também sustento que para ser um genuíno revolucionário e comunista deve ser antes de tudo um ardente patriota, um verdadeiro nacionalista. O comunista que luta por fazer da independência das massas populares uma realidade, necessariamente deve ser um genuíno nacionalista. Quem se esforça pelo seu povo, sua nação, sua pátria, é um genuíno comunista, um verdadeiro nacionalista e fervoroso patriota. Como quem não ama seus pais e irmãos não pode amar seu país e seu povo, tampouco será comunista aquele que não ame sua pátria e sua nação. Seguimos fielmente a nobre ideia do Grande Líder quanto ao amor à Pátria, a nação e ao povo, e realizamos todos os esforços para aglutinar em um bloco único todos os setores e camadas da nação, e assim conduzi-los pelo caminho patriótico com uma ambiciosa política.

Atualmente os que se opõe ao nacionalismo e impedem o desenvolvimento da independência das nações não são os comunistas, mas sim os imperialistas. Para ver realizada sua ambição de domínio, eles atuam artificiosamente sob o rótulo da “mundialização” ou “globalização”. Tendo em vista de que hoje as ciências e técnicas se desenvolvem a um alto ritmo e os intercâmbios econômicos se impulsam fortemente em escala mundial, vociferam de que o ideal da edificação do Estado nacional independente, o amor à pátria, a nação e outros conceitos semelhantes, são “preconceitos nacionais atrasados para a época” e a “mundialização” ou “globalização” é a tendência desta. No mundo de hoje, onde cada país, cada nação, abre o caminho de seu destino com sua própria ideia, regime e cultura, não pode caber uma “globalização” que abarque a política, a economia, a ideologia e a cultura. As conspirações dos imperialistas estadunidenses pela “mundialização” ou “globalização” possuem como objetivo de fazer do globo um “mundo livre” ou um “mundo democrático” ao estilo estadunidense, para dominar e subjugar a todos os países e nações. A época atual é a da independência. A história da humanidade avança, não pela ambição de domínio dos imperialistas nem por sua política de agressão, mas sim em virtude da luta das massas populares pela independência. As maquinações dos imperialistas encaminhadas à “mundialização” ou “globalização” não evitarão os fracassos diante das enérgicas lutas dos povos do planeta que aspiram a independência.

Temos que rechaçar terminantemente essas maquinações dos imperialistas e lutar resolutamente pela revitalização das grandes particularidades de nossa nação e defender a sua independência. É com este objetivo que damos ênfase repetidamente em dar primazia à nação coreana.


Atualmente a tarefa mais importante que enfrentamos para defender e realizar a independência do povo é alcançar a reunificação da Pátria. A nação coreana, que veio criando uma longa história e cultura, e mantendo tradições patrióticas, está dividida em Norte e Sul por forças exógenas há mais de meio século. A divisão do território e a excisão nacional entravam o desenvolvimento unificado da nação e lhe causam inumeráveis adversidades e sofrimentos. A reintegração da Pátria é a demanda vital de nossa nação, sua vontade e aspiração unânimes.

O histórico Encontro de Pyongyang e a Declaração Conjunta Norte-Sul de 15 de Junho abriram uma nova era da grande unidade nacional e da reunificação independente do país. A Declaração esclareceu em todos os aspectos os princípios e as vias para solucionar de modo independente, e com as forças unidas dos compatriotas, o problema da reunificação da Pátria. É uma plataforma de unidade nacional, um grande programa de reunificação da Pátria, baseado no ideal de “Entre nós, os compatriotas” e penetrado pelo espírito de amar a pátria e o povo. Apoiar, defender e realizar com êxito e através da referida Declaração vem a ser a garantia fundamental da independência, da paz e da reintegração da Pátria. Toda a nação coreana, erguendo bem alto a Declaração Conjunta Norte-Sul como o grande programa da reunificação, liberará uma enérgica luta para conquistar, custe o que custar, esta causa histórica.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A concepção dialética da unidade no seio do Partido*

Escrito por Mao Zedong (18 de novembro de 1957)

Transcrito por I.G.D.

(Retirado de: MAO TSETUNG – Obras Escolhidas Vol. 5, pg. 617-619; Editora Alfa-Omega, 1977.)


*Excertos de um discurso proferido na Conferência de Representantes dos Partidos Comunistas e Operários, realizada em Moscow.


Em relação à questão da unidade, gostaria de dizer algumas palavras acerca da maneira de a abordar. Penso que a nossa atitude deve ser a de nos unirmos com todo e qualquer camarada desde que não seja um elemento hostil ou sabotador. Devemos adotar em relação a ele uma atitude dialética e não metafísica. Que deve entender-se por atitude dialética? Analisar tudo, reconhecer que todos os seres humanos cometem erros e não rejeitar categoricamente alguém porque apenas cometeu erros. Lenin disse um dia que não há uma única pessoa no mundo que não cometa erros. Toda a gente precisa de ajuda. Um indivíduo competente precisa da ajuda de outras três pessoas; uma sebe precisa do suporte de três estacas. Apesar de toda a sua beleza o lótus precisa do verde das suas folhas para a realçar. Estes são alguns provérbios chineses. Outro provérbio chinês diz que três sapateiros, juntando as suas inteligências, conseguem igualar o grande pensador Chuque Liam. Chuque Liam, sozinho, jamais poderá ser perfeito; tem suas limitações. Consideremos esta declaração dos nossos doze países. Já passamos por um primeiro, segundo, terceiro e quarto projetos e ainda não acabamos de a aperfeiçoar. Penso que seria presunção alguém reclamar da onisciência e a onipotência divinas. Deste modo, que atitude devemos adotar em relação a um camarada que cometeu erros? Deveremos seguir o método analítico e é preferível adotar uma posição dialética em vez de uma posição metafísica. O nosso Partido já uma vez se atolou na metafísica, no dogmatismo, que destruía completamente quem quer que não fosse do seu agrado. Posteriormente, repudiamos o dogmatismo e aprendemos um pouco mais de dialética. A unidade de contrários é o conceito fundamental da dialética. De acordo com este conceito, como deveremos agir em relação a um camarada que tenha cometido erros? Em primeiro lugar, devemos travar uma luta para que ele se liberte das suas ideias erradas. Em segundo lugar, devemos também ajudá-lo. Ponto um, luta; ponto dois, ajuda. 
Devemos proceder com boas intenções para ajudá-lo a corrigir os seus erros e encontrar uma saída.

Contudo, as coisas serão diferentes quando se tratar de pessoas de outro tipo. Com pessoas como Trotsky, ou como Chen Du-xiu, Tcham Cuo-tao e Cao Cam na China, era impossível adotar uma atitude de ajuda, pois eram incorrigíveis. E houve indivíduos como Hitler, Chiang Kai-chek e o czar que eram do mesmo modo incorrigíveis e tinham de ser derrotados porque havia um antagonismo completo entre nós e eles. Neste sentido, há apenas um aspecto na sua natureza, e não dois. Em última análise, isto é também verdade em relação ao imperialismo e aos sistemas capitalistas que estão prestes a ser substituídos pelo sistema socialista. O mesmo se aplica à ideologia: o idealismo será substituído pelo materialismo e o teísmo pelo ateísmo. Estamos a falar do objetivo estratégico, mas o caso é diferente em relação às etapas da tática, as quais podem exigir compromissos. Não aceitamos nós um compromisso com os americanos em relação ao paralelo 38 na Coreia? Acaso não houve um compromisso com os franceses no Vietnam?

Em cada etapa da tática é necessário saber estabelecer compromissos, tal como é necessário saber travar lutas. Voltemos agora às relações entre camaradas. Penso que se deve discutir com os camaradas sempre que haja divergências entre eles. Parece-me que alguns pensam que, desde que estejam no Partido Comunista, as pessoas se tornam santas, sem diferenças ou desentendimentos, e que o Partido não deve ser submetido à análise, ou seja, é um partido monolítico e uniforme e que por isso não deve haver discussões. Dir-se-ia que as pessoas são 100 por cento marxistas desde que estejam no Partido. Na realidade, há marxistas em vários graus: há os que são marxistas a 100, 90, 80, 70, 60 ou 50 por cento e mesmo alguns que só são 10 ou 20 por cento marxistas. Não será possível que dois ou mais de nós se reúnam para discutir numa sala pequena? Não será possível partirmos do desejo de unidade e discutir dentro do espírito de ajuda mútua? Evidentemente, refiro-me a discussões no interior das fileiras dos comunistas e não a discussões com os imperialistas (embora também tenhamos conversas com eles). Deixem-me dar um exemplo. Não estão neste momento os nossos doze países a discutir? Não estão também a discutir mais de sessenta Partidos? Realmente estão. Por outras palavras, desde que daí não resultem danos para os princípios do Marxismo-Leninismo, aceitaremos dos outros certos pontos de vista que são aceitáveis e abandonaremos alguns dos nossos pontos de vista que possamos abandonar. Temos duas mãos para tratar com um camarada que cometeu erros: uma mão para lutar com ele, outra para nos unirmos a ele. O objetivo da luta é defender os princípios do Marxismo, o que significa ter princípios; essa é uma mão. A outra mão é unirmo-nos a ele. O objetivo da unidade é proporcionar-lhe uma saída, fazer com ele um compromisso, o que significa ser flexível. A conjugação dos princípios com a flexibilidade é um princípio marxista-leninista e é uma unidade de contrários. 


Todas as coisas, e a sociedade de classes em particular, estão cheias de contradições. Alguns afirmam que irão ser ''descobertas'' contradições na sociedade socialista, mas penso que essa é uma forma errada de colocar tal questão. A questão não é a de haver contradições a descobrir, mas sim a de que essa sociedade fervilha em contradições. Não há nenhum lugar onde não haja contradições e não há ninguém que não possa ser analisado. Pensar que isso não se pode fazer é ser-se metafísico. Como sabemos, um átomo é um complexo de unidades de contrários. Há uma unidade de dois contrários, que são o núcleo e os elétrons. Num núcleo há por sua vez a unidade dos contrários que são os prótons e os nêutrons. Quanto ao próton, há prótons e antiprótons, tal como em relação ao nêutron há nêutrons e antinêutrons. Em suma, a unidade dos contrários está sempre presente. O conceito de unidade dos contrários, a dialética, deve ser profusamente propagado. Penso que a dialética deve sair dos pequenos círculos filosóficos e ser difundida entre as massas. Sugiro que esta questão seja discutida nas reuniões das comissões políticas e nas sessões plenárias dos comitês centrais dos vários partidos e mesmo nas reuniões dos comitês do Partido de todos os escalões. De fato, os secretários das organizações do nosso Partido, quando preparam relatórios para as reuniões do Partido, geralmente apresentam dois pontos nas suas agendas: em primeiro lugar os êxitos; e em segundo lugar as insuficiências. Um divide-se em dois - esse é um fenômeno universal e é isso a dialética.

China ampliará pensão de velhice para toda a população


Traduzido por I.G.D.

Pequim, 29 de outubro – China ampliará a pensão de velhice para toda a sua população, decidiu a direção chinesa em uma reunião-chave que concluiu hoje.
Será empregado capitais do Estado para aumentar o fundo existente de segurança social, de acordo com um comunicado emitido depois da V Sessão Plenária do XVIII Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh).

Cerca de 200 milhões de chineses ainda devem ser incluídos no programa de pensão de velhice do país, declarou em março o ministro de Recursos Humanos e Segurança Social, Yin Weimin.

No comunicado se prometeu também que “a China aplicará o sistema de seguro para enfermidades graves em escala total”, o que sugere que este seguro se estenderá a toda a população.

Até finais de setembro de 2014, ao redor de 650 milhões dos 1,3 bilhões de chineses estavam cobertos pelo seguro para enfermidades graves, o que impede que caiam na falência como resultado das contas médicas.

O comunicado destaca que a China “seguirá o caminho do desenvolvimento compartilhado por todos” e que trabalhará em prol do “desenvolvimento para o povo, pelo povo e compartilhado por toda a população”.

Salienta também a igualdade de oportunidades e de segurança social para que todos possam alcançar uma vida moderadamente próspera.

O governo garantirá uma distribuição mais justa do capital para as regiões pobres e para zonas com elevadas concentrações de minorias étnicas, e se proporcionará um melhor cuidado em relação as crianças, mulheres e idosos que permaneceram-se nas aldeias após seus pais, maridos e filhos terem partido para trabalhar nas cidades como trabalhadores migrantes, prometeu o PCCh.

A nação também se esforçará para melhorar a educação, promover a educação universal para estudantes de escolas secundárias uma vez que garante que a política de nove anos de educação obrigatória se aplique em todo o país.

O comunicado indica que o governo eliminará as cotas de matrículas na educação secundária para os estudantes pobres e lhes proporcionará subsídios, adequando “gradualmente” as cotas de matrículas para as pessoas que recebem educação vocacional profissional.

No aspecto médico, o país racionalizará os preços de remédios, coordenará o seguro de saúde com a atenção médica e estabelecerá um sistema básico de saúde e gestão de hospitais que abarque tanto as áreas urbanas como rurais, disse o documento.

Também sublinhou a redução das disparidades de renda.

sábado, 3 de outubro de 2015

Síria: Pelo menos 700 extremistas se renderam durante os últimos dias


Pelo menos 700 extremistas se renderam durante os últimos dias e entregaram as armas para as autoridades competentes na província de Deraa, no sul da Síria, segundo a agencia de notícias SANA, no sábado.


Segundo a agencia, mencionada por RIA Novosti, estes terroristas depuseram as armas no marco do programa de reconciliação nacional. Os militantes entregaram suas armas automáticas, metralhadoras e rifles de franco-atiradores.

O exemplo mais chamativo do êxito do programa de reconciliação nacional anunciado pelo governo sírio teve lugar na cidade de Homs em 2014. Então se renderam 1.500 militantes que haviam tomado o centro da cidade.

O programa de reconciliação nacional oferece aos militantes e extremistas entregar as armas e passar por um processo de reabilitação para que retornem a vida civil.
Hoje, o chefe da Direção Principal de Operações do Estado Maior General das Forças Armadas da Rússia, o coronel general Andrei Kartapolov, declarou que “os militantes (do Estado Islâmico) estão abandonando as zonas que estavam sob seu controle”.

“Em suas fileiras encontram-se o pânico e as deserções. Pelo menos 600 mercenários abandonaram suas posições e tratam de fugir para a Europa”, disse o general durante uma conferência de imprensa no Centro de Defesa Nacional.


Traduzido por I.G.D.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Discurso de Proclamação da República Popular da China

Por Mao Zedong
(Retirado de http://www.novacultura.info/)


Presidente Mao Zedong discursando
na Praça Tian An Men, a 1 de Outubro de 1949.
O povo de toda a China esteve mergulhado em amargos sofrimento e atribulações desde que o reacionário governo de Chiang Kai-shek e seu Kuomintang traiu a pátria, em conluio com os imperialistas, tendo-se lançado na guerra contrarrevolucionária.

Felizmente o nosso Exército Popular de Libertação, apoiado por toda a nação, tem lutado heroicamente e abnegadamente para defender a soberania territorial de nossa pátria, para proteger a vida e os pertences das pessoas, para aliviar o povo de seu sofrimento e lutar por seus direitos, tendo finalmente acabado com as tropas reacionárias e derrubado a ordem reacionária do governo Nacionalista.

Agora, a Guerra de Libertação Popular está praticamente ganha, e a maioria da população no país está livre. Sob tal fundamento, a primeira sessão da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, composta por delegados de todos os partidos democráticos e de organizações populares da China, pelo Exército Popular de Libertação, as diversas regiões e nacionalidades do país, além dos patriotas chineses no exterior e outros elementos, foi convocada.

Representando o desejo de toda a nação, [esta sessão da conferência] promulgou a Lei Orgânica do Governo Popular Central da República Popular da China, elegeu Mao Zedong presidente do Governo Popular Central, e Zhu De, Liu Shaoqi, Song Qingling, Li Jishen, Zhang Lan, e Gao Gang como vice-presidentes [do Governo Popular Central], e Chen Yi, Ele Long, Li Lisan, Lin Boqu, Jianying Ye, Ele Xiangning, Lin Biao, Peng, Liu Bocheng , Wu Yuzhang, Xu Xiangqian, Peng Zhen, Bo Yibo, Nie Rongzhen, Zhou Enlai, Dong Biwu, Seypidin, Rao Shushi, Tan Kah-kee [Chen Jiageng], Luo Ronghuan, Deng Zihui, Ulanhu, Xu Deli, Cai Chang, Liu Geping, Ma Yinchu, Chen Yun, Kang Sheng, Lin Feng, Ma Xulun, Guo Moruo, Zhang Yunyi, Deng Xiaoping, Gao Chongmin, Shen Junru, Shen Yanbing, Chen Shutong, Szeto Mei-tong [Meitang Situ], Li Xijiu , Huang Yanpei, Cai Tingkai, Xi Zhongxun, Peng Zemin, Zhang Zhizhong, Fu Zuoyi, Li Zhuchen, Li Zhangda, Zhang Nanxian, Liu Yazi, Zhang Dongsun, e Yun Long como membros do conselho para formar o Conselho do Governo Popular Central, proclamou a fundação da República Popular da China e escolheu Beijing como a capital da República Popular da China.

O Conselho do Governo Popular Central da República Popular da China tomou posse hoje na capital e por unanimidade tomou as seguintes decisões:
·         Proclamar o estabelecimento do Governo Popular Central da República Popular da China;
·         Adotar o Programa Comum da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês como a política de governo;
·         Eleger Lin Boqu entre os membros do conselho como secretário-geral do Conselho do Governo Popular Central;
·         Apontar Zhou Enlai como presidente do Conselho Administrativo Governamental do Governo Popular Central e ministro simultaneamente ministro das Relações Exteriores, Mao Tsé-tung como presidente da Comissão Militar Revolucionária Popular do Governo Popular Central, Zhu De como comandante-em-chefe do Exército Popular de Libertação; Shen Junru como presidente da Corte Popular Suprema do Governo Popular Central, e Ronghuan Luo como procurador geral da Suprema Procuradoria Popular do Governo Popular Central; e encarregá-los da tarefa da rápida formação dos vários órgãos do governo para a realização do trabalho governamental.

Ao mesmo tempo, o Conselho do Governo Popular Central decidiu declarar aos governos de todos os outros países que este governo é o único governo legal que representa todo o povo da República Popular da China.

Este governo está disposto a estabelecer relações diplomáticas com qualquer governo estrangeiro que esteja disposto a observar os princípios de igualdade, benefício mútuo e respeito mútuo à integridade territorial e à soberania.


Mao Zedong
Presidente

Governo Popular Central

A República Popular da China