segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sobre o Problema Relativo aos Quadros

Escrito por Zhu De

10 de junho de 1947

Traduzido por I.G.D.


Camarada Zhu De ao lado do Presidente Mao Tsé-tung
Atualmente, entre nossos quadros veteranos existem indivíduos semelhantes a Gorlov** que fazem um verdadeiro alarde de sua grande experiência e se sentem orgulhosos, e o presumem pelo simples fato de que possuem um histórico revolucionário de mais de vinte anos, de que libertaram inúmeras regiões e de que fortaleceram as fileiras do Partido e do exército. Mas se esqueceram de que os marxistas nunca devem se dar por satisfeitos na aprendizagem, que enquanto viverem devem continuar a aprender. A sociedade progride sem parar e, portanto, devemos ter sempre presente os ensinamentos do Presidente Mao Tsé-Tung sobre a necessidade de ‘’ nos prevenir contra a presunção e a precipitação’’, e atuar com modéstia e precaução.

Não são muitos os nossos quadros veteranos. Dos que participaram na Grande Revolução (1911) não passam de algumas centenas, e dos que participaram da Grande Marcha (1934-1936), são apenas alguns milhares. Estes camaradas são muito valiosos; a sociedade e o Partido lhes respeitam muito, mas seria perigoso se começassem a vangloriar-se de sua rica experiência, pois fechar-se-iam em si mesmos e não terão mais vontade de progredir. Se se comportam desta maneira, ficarão no atraso e sua tão merecida glória irá para debaixo da terra.

Alguns dirigentes de nossas organizações se equivocam ao considerar ainda como novos quadros os elementos que se juntaram a revolução durante a Guerra de Resistência contra o Japão (1937-1945) e que já possuem pelo menos uns dez anos de militância no Partido. Estes camaradas constituem precisamente a parte principal do nosso contingente de quadros. É necessário capacita-los como são para que tomem para si a missão de libertar toda a China. Eles, entretanto, devem estar moralmente preparados para tal missão.

Os quadros que trabalham nas zonas de vocês são dezenas de milhares, sendo algumas vezes menos outras vezes mais. As reclamações de vocês acerca da carência de quadros, apesar da presença de vocês em grande número, se deve que mentalmente vocês não sabem lidar como deveriam com o problema relativo aos quadros. Como não se promovem quadros desde a base, muitos homens de talento vegetam no anonimato. É próprio da mentalidade daqueles que ‘’ dividem tudo em partes’’ não permitir por nada deste mundo que os quadros de grande mérito passem a trabalhar em outros lugares e esperar que tais estejam mortos para exaltá-los com elogios póstumos. Os quadros devem ser treinados desde a base e não se deve esperar que sejam designados desde cima. Não devemos temer que os subalternos se rebelem para ‘’ usurpar o poder’’. Cada um de nós deve preparar substitutos, a fim de que o trabalho possa ser realizado como deve ser: o mesmo trabalho em sua ausência deve ser feito da mesma maneira que em sua presença.

Se logo após sua transferência estragar o seu trabalho, pode se afirmar que possui grande capacidade de trabalho? Basta com que cada nível de direção conte com substitutos que preencham as respectivas vagas para que não tenhamos motivos para nos preocuparmos com ausência de quadros.

Na reforma agrária, as massas, quando se levantaram, levaram ao chão certos quadros nocivos, o que é positivo, já que servirá de advertência para outros quadros. Se trata justamente da supervisão das massas. Dirigimos as massas e estas, por sua vez, exercem uma supervisão sobre nós, e só semelhante aprendizagem mútua e crítica recíproca nos permitirão progredir.

Temos que preparar um grande número de quadros. As entidades oficiais devem se simplificar ao mesmo tempo que a direção das escolas devem ser fortalecidas. É preciso conservar e capacitar em forma planificada um bom número de quadros para emprega-los no futuro quando avançarmos sobre outras regiões. Esta é uma tarefa de suma importância.

Notas:
** - Gorlov, comandante chefe de uma frente de guerra que aparece no drama soviético A Frente. É um homem vaidoso, arrogante e orgulhoso.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Os comunistas devem ser leais ao Partido (1940)

Por Chen Yun

Traduzido por I.G.D.

Camarada Chen Yun, no ano de 1958.
Há poucos dias, dois intelectuais que ingressaram recentemente ao Partido me visitaram em ocasiões diferentes. Acabavam de graduarem-se em uma escola, e logo partiram para trabalhar em outros locais. O primeiro camarada me disse: ‘’ Existem três coisas que nunca informei ao Partido. Eu preciso que você saiba antes de eu partir.’’ Então ele me falou sobre aquelas três coisas que não eram questões políticas sérias mas de qualquer forma não foram mencionadas no formulário de ingresso ao Partido. O segunda também me revelou um feito que jamais havia mencionado no seio do Partido. A fim de ganhar a vida, se alistou no Kuomintang em um momento e um lugar determinados, mas desde então, não havia assistido a nenhuma de suas reuniões nem havia recebido qualquer documento de identificação deste partido. Perguntei-lhe por que não havia dito antes ou depois de ter se incorporado ao nosso Partido. Me respondeu que estava com medo de não ser admitido ou de que não teria permissão de estudar na escola de nossa organização. Depois de revelar o que haviam ocultado no passado, ambos camaradas me disseram que estavam aliviados agora que eles expressaram tudo e que não mais possuem qualquer peso na consciência.

Ao escutá-los, pensei que por fim haviam dito a verdade antes de partirem para seus respectivos trabalhos e se comportaram honradamente diante do Partido, o qual significava um grande progresso. Eu os desculpei pela infantilidade, mas tive que dizer para eles que haviam cometido um enorme erro ao ocultar informação ao Partido. Nossa organização não permite que seus membros se comportem deste modo. Para ajudar a ambos camaradas a avisar previamente de seus erros, lhes pedi que escrevessem um informe a respeito para o Partido.

Haveriam ocultado ao Partido outros militantes, em particular aqueles que ingressaram recentemente, atos semelhantes? Aconteceram e acontecem casos semelhantes, e não são poucos.

O mais comum destes casos é o seguinte: Os novatos que ingressam ao Partido, que procedem da classe proprietária de terras ou capitalista, ou cujo pai ou irmão trabalha nos círculos políticos ou militares reacionários, não escrevem a verdade no formulário de ingresso ao Partido, e dizem que a sua família é pequeno-burguesa. Outros solicitantes, que se dedicaram a diversos ofícios sociais, não dão detalhes ao preencher os formulários, chegando até mesmo a colocar ‘’ proletário’’ como origem social, quando nunca sequer haviam trabalhado. Por que ocultam a verdade? Porque temem não ser aceitos pelo Partido ou serem discriminados em seu seio. Aqueles que apontam sua origem como ‘’ proletário’’ querem ser bem recebidos pelo Partido.

Toda ocultação é incorreta; em sua essência revela uma ideologia não proletária. Em termos mais exigentes, essas pessoas não estão qualificadas para serem comunistas, estes que se caracterizam pela sinceridade e pela franqueza. Pensaram que ocultando a verdade poderiam se incorporar ao Partido sem ser submetidos a um cuidadoso exame. Ignoram, contudo, que o Partido deve examinar atentamente a origem social e os antecedentes familiares de cada militante. Se caso um elemento esconde a verdade ao ingressar nas fileiras do Partido, será submetido a um exame e uma investigação mais rigorosos e detalhados quando for descoberto seu segredo. Aquele que oculta a verdade frente ao Partido se responsabilizará pelas consequências. Todos os membros do Partido devem saber que este julga os militantes principalmente observando sua posição política e sua atuação prática diante da causa do mesmo. O Partido está perfeitamente ciente de que não faltam revolucionários que vem de famílias ou âmbitos reacionário. Portanto, todos os militantes devem ter fé no Partido e não lhe ocultar nada, e devem aceitar de bom grado qualquer verificação que este efetue a respeito.

Por outro lado, devemos reconhecer que alguns comunistas encarregados do trabalho partidário sofrem também de certos defeitos. Ao recrutar novos militantes, só querem pessoas ‘’ puras’’. Por ‘’ pureza’’ entendem somente a juventude inexperiente. Não se atrevem a recomendar pessoas das quais possuem conexões familiares ou sociais incomuns ou intrincados antecedentes em sua folha de serviços. Como consequência, pessoas jovens e ingênuas vindas de escolas e oficinas ingressam uma atrás da outra nas fileiras do Partido, enquanto que quem já é mais velho, mais experiente, são pouco solicitados. Até houve um caso estranho em que se rechaçou a solicitação de ingresso de um pai, mesmo quando o Partido havia admitido seu filho, este último que se tornou um progressista graças a influência de seu pai. Os camaradas encarregados do trabalho do Partido não compreendem que por pureza não queremos dizer juventude com poucos contatos sociais, mas sim uma forte dedicação à luta pelo comunismo em circunstâncias complexas e instáveis.

O nosso é um Partido cujos atos correspondem à suas palavras. Somente um Partido Comunista pode proceder deste modo. Nosso Partido não permite que seus militantes digam uma coisa e façam outra e proíbe completamente que qualquer membro diga uma só mentira ao Partido. De nenhum modo devemos copiar os partidos das classes exploradoras, dos quais dão permissão a seus membros que digam mentiras para enganar o povo. Se os militantes de nosso Partido se deixassem contagiar por este hábito maléfico, não poderíamos estabelecer um clima de confiança mútua no Partido, nem unificar as vontades em seu seio, nem colocar em prática uma ferrenha disciplina. O partido deixaria de ser então um destacamento organizado do proletariado, não teria a confiança do povo e nem sequer chegaria a ser seu dirigente.

Por conseguinte, todos os militantes do Partido enfrentam o seguinte problema: se querem ser bons comunistas devem lutar consigo mesmos, trocando as ideias erradas pelas corretas. O êxito nesta luta resultará em progressos ideológicos. Se você não combate suas próprias ideias incorretas e as encoberta, estas se desenvolverão ainda mais e irão conduzi-lo pela via incorreta e por fim, ao abandono das fileiras revolucionárias. Os atos dos comunistas devem corresponder às suas palavras; isto é uma norma do Partido. O militante que a infringe estará desrespeitando a disciplina. Alguns mentirão ao Partido em uma ou outra ocasião, e depois de serem aconselhados e não mudarem de postura, e continuarem com mentiras ainda maiores; estes deverão ser expulsos do Partido sem hesitação alguma, por mais que pareçam revolucionárias suas palavras ou por mais louváveis que foram seus serviços no passado.

Muitos dos que ocultaram a verdade ou disseram mentiras ao Partido carecem de maturidade política ou são membros novos. Contudo, se infiltraram no Partido algumas pessoas com outras motivações políticas, elementos nocivos que perpetraram muitas malfeitorias, renegados, agentes inimigos e elementos hostis. Todos eles ocultam seu passado e mentem com o objetivo de minar o nosso Partido. Diferem no essencial dos comunistas imaturos já mencionados. Além disso, também existem uns poucos carreiristas que frequentemente ocultam a verdade e recorrem aos métodos de enganação para ganhar a confiança do Partido e obter postos de direção. Devemos reforçar nossa vigilância diante de todos estes elementos e não dar para eles qualquer oportunidade de sabotar a nossa causa.

domingo, 9 de agosto de 2015

Cuba e China, aliança com potencialidades infinitas!

Por Claudia Fonseca Sosa (Granma)

Traduzido por I.G.D.


Em 28 de Setembro de 1960, a República de Cuba e a República Popular da China estabeleceram relações diplomáticas. Poucos meses depois, durante a visita à nação asiática realizada pelo Comandante Ernesto Che Guevara, foram feitos os primeiros acordos bilaterais de cooperação econômica e tecnológica.

Esse primeiro contato de Che Guevara com a terra de Mao Zedong teve um grande significado para a jovem revolução caribenha, não só pela magnitude dos acordos estabelecidos, mas também porque na época Cuba já enfrentava o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.

Com o passar dos anos e na medida em que as relações políticas entre ambas as nações ganhavam confiança e profundidade, os intercâmbios entre Cuba e China no âmbito econômico e comercial também se ampliaram.

China é hoje o segundo maior parceiro comercial do nosso país e sua participação em múltiplas esferas de desenvolvimento e da economia nacional a confirmam como um parceiro estratégico.

Desde a década de 1980, a Comissão Mista Intergovernamental para as Relações Econômicas e Comerciais vem desempenhando um papel fundamental na promoção, execução e desenvolvimento de diversos projetos, assim como na estimulação de investimento mútuo.

O trabalho em conjunto de especialistas de todos os ramos propiciou também a busca de novas formas de realização do comércio bilateral e, unido ao sistemático intercâmbio de visitas de alto nível político, permitiu que aumente o conhecimento e a compreensão mútuas.

Durante um período relativamente curto, Cuba pagou com açúcar os produtos que comprava da China. Mas desde 1999, em sintonia com as reformas aplicadas na economia e no comércio exterior da nação asiática, todas as operações mercantis entre ambos os países decorrem em moeda livremente convertível, através de créditos e mecanismos de pagamentos que fiquem de acordo com os contratantes.

Desta forma, o mercado chinês permite ao nosso país adquirir equipamentos imprescindíveis para reanimar setores da economia nacional estagnados, como o transporte, e desenvolver outros como as telecomunicações. Nas últimas décadas se obteve êxito em introduzir na China produtos cubanos de biotecnologia, rum, tabaco, açúcar, mariscos e níquel.

No âmbito dos investimentos, fica em destaque a empresa mista Biotec Pharmaceutical, fundada no Centro Internacional de Ciências da China e no Centro de Imunologia Molecular de Cuba, que se especializa na investigação, produção e venda de anticorpos monoclonais usados para o diagnóstico e tratamento do câncer, assim como no desenvolvimento, produção, registro e comercialização de vacinas e proteínas terapêuticas recombinantes com tecnologia cubana.

Outro exemplo desta relação é a entidade mista Gran Kaimán, associação entre o Grupo Eletrônico de Cuba e da Corporação de telecomunicações Grande Dragão da China, que produz equipamentos para o mercado nacional e para a América Latina.

Também destaco como experiência positiva a empresa mista Cuba-Shanghai, onde participam na construção de hotéis de luxo a Corporação Cubanacan S/A e a Companhia Sun-time Internacional da China.

Em julho de 2014, durante a visita oficial do presidente chinês Xi Jinping, a Havana, foram assinados outros 29 acordos que ampliam o alcance das relações econômicas e comerciais entre ambos os países.
Entre eles se destaca um acordo que formaliza a concessão de uma linha de crédito por parte do país asiático para a execução de um projeto de construção de um terminal com inúmeras finalidades no porto de Santiago de Cuba.

Foi afirmado também um Acordo de Financiamento entre o Banco Nacional de Cuba e a Corporação Bancária de Desenvolvimento da China, que oficializa a concessão de um crédito para a compra de equipamento com destino ao desenvolvimento de telecomunicações no arquipélago.

Não menos significativo foram os contratos que estabelecem o serviço de perfuração de poços de petróleo de até 9.000 metros de profundidade em águas cubanas, assim como a cooperação tecnológica e industrial em matéria de televisão digital.

Enquanto ao turismo, foi assinado um Entendimento entre o Grupo Empresarial Palmares e Beijing Enterprises Group para a constituição da empresa mista Bellomonte S/A, dedicada a construção e exploração de um complexo imobiliário associado a um campo de golfe em Havana.

No contexto da visita do presidente chinês a Cuba, também se inaugurou uma planta de bio sensores para a medição do nível de glicose no sangue.

‘’O alto nível das relações políticas entre Cuba e China e a amizade indestrutível entre nossos povos nos permite continuar fortalecendo uma aliança estratégica que hoje mostra importantes resultados e que possui potencialidades infinitas’’, expressou então Marino Murillo Jorge, membro do Birô Político e vice-presidente do Conselho de Ministros.

Além disso, o chefe da Comissão Permanente para a Implementação e Desenvolvimento deu um destaque especial nas colaborações no âmbito farmacêutico, onde as empresas chinesas tem sido uma fonte significativa de fornecimento para o desenvolvimento da indústria cubana de medicamentos.

Mais recentemente, durante a VIII Reunião do Grupo de Trabalho Conjunto de Biotecnologia Cuba-China, realizada no mês passado em Havana, foram assinados outros 11 acordos que abrem caminho para novos projetos de colaboração para o período 2015-2017.

Foi endossado também cartas de intenção para o estabelecimento na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel de duas empresas mistas, uma dirigida para a produção e comercialização de biofarmacêuticos, e a outra para vacinas contra o câncer.

Foram assinados de maneira igual dois contratos para a representação e distribuição comercial de anticorpos biossimilares e de vacinas contra o pneumococo.

Foi feito o acordo de que a Empresa de Serviços Médicos começará a dar atenção para pacientes chineses em Cuba, e à introdução acelerada da vacina contra o rotavírus neste mercado e no resto da América Latina.

O Centro de Neurociências de Cuba e a Universidade da Ciência e da Tecnologia Eletrônica do gigante asiático, realizaram um pacto para a criação de um laboratório conjunto e o desenvolvimento de cinco produtos neuro tecnológicos.

São alguns exemplos de uma relação de colaboração e benefício mútuo entre países amigos, que ainda tem potencialidades para serem exploradas no contexto da atualização da economia cubana e do processo de abertura e reforma chinesas.

Os laços estreitos da amizade e da confiança política construídos em mais de meio século de intercâmbios bilaterais, vem tendo um reflexo indiscutível nos múltiplos projetos de comércio e cooperação desenvolvidos, muitos deles com um grande impacto social.

(Retirado de: http://manosfueradechina.blogspot.com.es/)

terça-feira, 28 de julho de 2015

Razões para apoiar a China

Texto do Hands off China



Traduzido por I.G.D.


Estados socialistas e anti-imperialistas sempre foram submetidos a calúnias e acusações pela imprensa imperialista e a academia. O clamor sem fim sobre "violações dos direitos humanos’’ é uma técnica velha e muito usada para enganar as pessoas. Como Malcolm X disse uma vez: "Se você não tiver cuidado, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo."
Aqui nós apresentamos cinco fatos importantes sobre Nova China.


A vida na China é melhor desde a revolução
A Revolução Chinesa (1949) e o nascimento da Nova China marcou o fim do atraso feudal e mais de cem anos de dominação semi-colonial brutal e humilhação.
• A expectativa de vida antes da revolução costumava ser de 35 anos. Agora é mais de 73.
• A taxa de alfabetização na China antes da revolução era inferior a 20%. Agora é mais de 91%, e para os jovens (com idade entre 15 e 24 anos) é de 99%. Toda criança na China recebe educação gratuita de nove anos, e 21% dos jovens chineses vão para a universidade.
• Na China feudal, as mulheres sofreram crueldade e opressão intoleráveis - analfabetas, com pés atados, e condenadas à escravidão doméstica. A revolução está trazendo igualdade para as mulheres. Práticas bárbaras e opressivas não são toleradas e as mulheres representam 46% dos trabalhadores e 47% dos alunos nas escolas.
• A mortalidade infantil caiu de 300 para 23 por 1.000 nascidos vivos.
• O desemprego caiu de mais de 25% para 4% (significativamente mais baixo do que na Grã-Bretanha, e com um sistema de segurança social em desenvolvimento, que visa assegurar que os desempregados sejam devidamente amparados).


China está acabando com a pobreza
• A ONU diz que a estratégia de redução da pobreza da China nas últimas duas décadas é "o mais rápido declínio da pobreza absoluta já testemunhado ".
• Desde 1980, a China foi responsável por 75 por cento de redução da pobreza no mundo em desenvolvimento. Nesse tempo, mais de 400 milhões de chineses (especialmente das regiões rurais)  foram retirados da pobreza. Durante o mesmo período de tempo na Grã-Bretanha, os níveis de pobreza têm aumentado de forma constante.


China apoia os países em desenvolvimento
A República Popular da China lidera o mundo de pé frente às agressões imperialistas. Tem dado sempre um apoio crucial para os países do terceiro mundo que tentam se desenvolver. Diferente dos países imperialistas, a RP da China não impõe condições desleais de comércio, não monopoliza mercados, não cria armadilhas de dívida ou forçam a produção de culturas voltadas para a exportação. A China está quebrando as garras do imperialismo ocidental sobre a África e América Latina.
• A China fornece um mercado garantido para diversas commodities como o cobre chileno, o trigo argentino, a soja brasileira, o gás natural boliviano e o petróleo venezuelano. Não está perpetrando fraudes ou praticando suborno para impingir contratos desvantajosos em qualquer país.
• China tem realizado projetos de ajuda em toda a África por décadas.
• China apoiou ativamente os movimentos de libertação nacional contra o imperialismo, o colonialismo e o apartheid.
• China oferece empréstimos sem pré-condições e baratos, e também financia projetos de infraestrutura a ‘’preços de banana’’.


China está focada em desenvolvimento ecologicamente sustentável
Muito se fala do fato de que a China ultrapassou os EUA como maior emissor de carbono do mundo, mas as pessoas esquecem que a população da China é quatro vezes a dos EUA e muitas emissões da China resultam de empresas estrangeiras que produzem bens para exportação.Além disso, a expansão industrial da China está essencialmente orientada para a satisfação das necessidades do seu povo, não para parasitismo imperialista e desperdícios. No entanto, a China está comprometida com o desenvolvimento sustentável e está se tornando um líder mundial em proteção ambiental.
• The Climate Group disse que a China é líder na produção de energia renovável do mundo, com enormes investimentos em tecnologias solar, eólica e biomassa.
• Capacidade de energia eólica da China dobrou a cada ano durante três anos e será a maior do mundo até 2010.
• A China é um líder mundial em tecnologia solar.


A China é um país socialista
• A China introduziu certos elementos de economia capitalista, a fim de fomentar o crescimento rápido; no entanto, isso é visto como uma forma de reforçar a base material para desenvolver ainda mais o socialismo (semelhante à Nova Política Econômica de V. I. Lenin).
• O estado chinês representa a classe operária em aliança com o campesinato. A classe trabalhadora chinesa é a classe dominante do país. A política do Partido Comunista da China continua a "servir a classe trabalhadora de todo o coração".
• Os sindicatos e outras organizações de massa na China são tremendamente poderosos. A Federação de Sindicatos de Toda a China é o maior sindicato do mundo, com 134 milhões de membros em 1,7 milhão de ramos sindicais.
• A mobilização em resposta ao terremoto de Sichuan demonstra amplamente a superioridade do socialismo. Um grande número de trabalhadores humanitários, soldados, funcionários e voluntários ainda estão trabalhando incansavelmente para fornecer alimentos, água potável, alojamento, remédios e cuidados de saúde para os sobreviventes; mais de 140.000 soldados do Exército Popular de Libertação foram implantados; e houve uma manifestação de apoio de todas as partes do país. Tudo isto está em um contraste gritante com a resposta do Estado norte-americano ao furacão Katrina.
• "Temos de defender o ponto de vista do materialismo histórico de que são as pessoas que fazem a história, continuar empenhados em servir o povo de todo o coração e aderir à linha de massas." - Presidente Hu Jintao

terça-feira, 14 de julho de 2015

Prof. Jose Maria Sison sobre as relações entre Cuba e Filipinas.

Entrevista com Professor Jose Maria Sison sobre Cuba e Filipinas e seus povos.

Por Julia Camagong, representante especial da América Latina da ILPS (International League of Peoples’ Struggle)



Como representante especial da International League of Peoples’ Struggle, eu gostaria de entrevistá-lo como Presidente do Comitê de Coordenação Internacional do ILPS e também como o ilustre líder do movimento de libertação nacional das Filipinas, não menos que o presidente fundador do Partido Comunista das Filipinas. Obrigada por concordar em fazer a entrevista.

1. Cuba e Filipinas pertencem a dois continentes diferentes e estão a milhares de quilômetros de distância de um do outro. Mas existe uma certa proximidade entre o povo cubano e filipino. Como você descreve isso?

JMS: Há um forte sentido de solidariedade e empatia entre o povo cubano e filipino porque eles sofreram sob o colonialismo espanhol e o imperialismo norte-americano e lutaram contra essas duas potências estrangeiras. Eles admiram uns aos outros pela suas lutas e vitórias revolucionárias. O povo filipino é inspirado pela grande vitória do povo cubano em libertar-se do imperialismo norte-americano e das classes reacionárias locais, dos grandes compradores e dos proprietários de terras representados pelo regime de Batista.
Eu presumo que há um número considerável de cubanos com ancestrais filipinos porque muitos filipinos foram trazidos para trabalhar na indústria do tabaco, os ‘’tabacaleros’’. Havia tantos filipinos que a província de Pinar del Rio em Cuba era anteriormente chamada de ‘’Nova Filipinas’’ nos séculos XVIII e XIX. Os cubanos os chamam de ‘’Chineses de Manila’’.
Atualmente, a proximidade dos povos cubano e filipino se manifesta pela Associação de Amizade Filipinas-Cuba. De ano para ano, ocorrem atividades de solidariedade nas Filipinas e intercâmbios culturais entre Cuba e Filipinas. Desde quando a luta do povo filipino contra a ditadura fascista de Marcos intensificou-se na primeira metade dos anos 1980, a embaixada cubana mostrou simpatia e apoio com o BAYAN e outras organizações do movimento nacional democrático do povo.

2. Pode-se dizer que as experiências históricas e os destinos dos cubanos e dos filipinos estão interligados. Poderia explicar melhor?

JMS: O colonialismo espanhol impôs tanto para as Filipinas como para Cuba, padrões semelhantes de governo teocrático, de economia feudal e de cultura medieval. Ele usou o sistema de ecomienda, a escravidão e trabalhos forçados e tributos feudais para estabelecer as bases do feudalismo em ambos os países. Tanto os cubanos como os filipinos foram capazes de libertarem-se do domínio colonial espanhol.
Mas os EUA intervieram. Como um potência imperialista nascente, os EUA derrotaram o colonialismo espanhol na Guerra americano-espanhol de 1898 e agarrou Cuba, Porto Rico e as Filipinas para impor seu domínio colonial nos termos do Tratado de Paris de dezembro de 1898. Desde então, o povo filipino e o cubano criaram um vínculo por meio do desejo comum de lutar e derrotar o imperialismo dos EUA e seus fantoches. O povo filipino pode aprender muito com o povo cubano, em libertar-se do domínio dos EUA e manter a sua independência nacional e sistema social.

3. Em sua experiência própria, como a Revolução Cubana liderada por Fidel Castro atraiu sua atenção e interesses? Como seu interesse cresceu posteriormente?

JMS: Enquanto Fidel Castro e os revolucionários cubanos ainda estavam em Sierra Maestra, a luta revolucionária destes prendeu a atenção do mundo e claro, a organização estudantil da qual eu pertencia na Universidade das Filipinas. Nossa organização estava engajada em formar círculos de estudos com o propósito de retomar a inacabada revolução filipina pela libertação nacional e social contra a dominação feudal e estrangeira. Assim, nós fomos atraídos pela luta revolucionária do povo cubano liderada por Fidel Castro, Che Guevara e outras pessoas jovens como nós. Nós comemoramos a vitória da revolução cubana em 1959. Fizemos isso por meio de encontros e publicações de artigos sobre a revolução cubana no Philippine Collegian, o jornal dos estudantes. Nós ficamos ainda mais empolgados com o fim da propriedade feudal das fazendas e a dramática nacionalização da United Fruit e de outras empresas norte-americanas nos EUA. Nós ficamos admirados e fomos inspirados pelas ações revolucionárias levadas a cabo contra o imperialismo norte-americano e os reacionários locais.
Nós estávamos entre os mais entusiasmados em assistir as sessões de filmes na embaixada cubana em Manila, em 1961. Quanto mais os EUA vociferava contra a revolução cubana, mais apoiávamos a causa justa da revolução cubana. Nós ficamos indignados quando as autoridades filipinas, sob as ordens dos EUA, fecharam a embaixada cubana.

4. Você pode narrar e avaliar como os revolucionários cubanos liderados por Fidel Castro lutaram e venceram a revolução contra o regime de Batista? Como eles levaram a cabo a revolução social depois da tomada do poder político?

JMS: O ataque ao quartel Moncada foi uma importante iniciativa dos revolucionários cubanos para dar o sinal da necessidade e do início da revolução armada. Mas foi a guerra de guerrilhas em Sierra Maestra que quebrou a coluna do regime de Batista. 5000 tropas do regime foram derrotadas ali. Nós podemos dizer que os revolucionários cubanos usaram as regiões rurais para mobilizar os camponeses e trabalhadores de fazendas e assim tiveram espaço para construir o exército revolucionário. Ao mesmo tempo, o movimento de massas urbano estava crescendo e se desenvolvendo. Assim, foi possível derrubar o regime de Batista com uma combinação de uma bem sucedida guerra de guerrilhas no campo e um levante de massas nas zonas urbanas que deram as boas vindas para as forças de Castro em Havana.
Depois da apreensão do poder político, os revolucionários cubanos queriam levar a revolução social até o fim. Assim, eles decidiram levar a cabo uma revolução socialista. Por um certo período, quadros comunistas foram treinados para esse fim. O Partido Comunista de Cuba foi estabelecido como o destacamento avançado da classe trabalhadora para liderar o povo cubano na linha socialista da revolução. Preparativos internos tiveram que ser feitos para a apreensão das empresas norte-americanas. A reação violenta dos EUA foi antecipada. Para fazer crescer a revolução cubana, o Partido Comunista de Cuba levantou a bandeira do internacionalismo proletário e estabeleceu relações próximas com os países socialistas, incluindo a China e a União Soviética.

5. Qual foi sua reação quando os Estados Unidos tentou derrubar o governo revolucionário de Cuba com o uso de forças invasoras na Baia dos Porcos e de planos de assassinato contra Fidel Castro? E o que você pensou da colocação de armas nucleares em Cuba por parte dos soviéticos?

JMS: Foi desprezível e ultrajante para o governo norte-americano ter organizado as forças mercenárias que desembarcaram na Baia dos Porcos e por haverem atentado várias vezes o assassinato do camarada Fidel Castro. Nós lançamos ações de protesto em massa e publicações contra os atos norte-americanos de intervenção e agressão contra Cuba e o povo cubano.
No seu conjunto, a colocação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba ajudou a dissuadir qualquer ataque em larga escala em Cuba pelos Estados Unidos. Mesmo quando Khrushchev retirou  as armas nucleares, os EUA ainda não era possibilitado de realizar ataques em larga escala ou usar armas nucleares contra Cuba, pois os EUA estava vinculado por um acordo de não ameaçar Cuba com armas nucleares e foi fortemente lembrado de que a base militar norte-americana na Turquia era também vulnerável à retaliação soviética.

6. Em retrospecto, o que você acha da quebra das relações Cuba-China na década de 1960 e os desenvolvimentos subsequentes?

JMS: Eu fiquei imediatamente triste quando fiquei sabendo sobre a quebra. Houve um problema sobre o arroz. E, posteriormente, uma série de questões políticas e ideológicas surgiram. Mas os comunistas filipinos se abstiveram de uma aliança como Partido Comunista da China contra Cuba, embora nós nos alinhamos com os chineses contra o Partido Comunista da União Soviética. Mantivemos nosso grande respeito com o povo, a revolução e o P.C. de Cuba e nos abstivemos de qualquer pronunciamento contra eles.

7. O que você pensa de Che Guevara?

JMS: O camarada Che Guevara foi um ilustre combatente revolucionário do proletariado e foi um mártir revolucionário altruísta. Ele realizou esforços heróicos para promover a revolução proletária mundial e fez crescer os movimentos de libertação nacional, especialmente na América Latina e na África. Eu admiro seu espírito e seus feitos revolucionários. Estes, inspiram os revolucionários filipinos.

8. O que você acha do apoio cubano aos movimentos de libertação nacional africanos na década de 1970?

JMS: Eu havia apreciado muito o apoio dos cubanos revolucionários aos movimentos de libertação nacional na África nos anos 1970. Os camaradas cubanos agiram no espírito do internacionalismo proletário ao ajudar os povos africanos a libertarem-se do colonialismo e quebrando a capacidade do exército reacionário sul-africano em engajar-se em agressões e, portanto, fazendo com que o regime do apartheid enfraquecesse e buscasse um acordo com o Congresso Nacional Africano.

9. O que você pensa sobre as relações dos cubanos com a China e a Rússia nos tempos atuais?

JMS: Cuba pode beneficiar-se das relações diplomáticas e comerciais com a China e com a Rússia. Estes dois últimos podem também se beneficiar com essas relações. Eles são países formidáveis que podem contrabalançar as piores imposições econômicas e atos agressivos do imperialismo norte-americano e seus aliados da OTAN. A Organização de Cooperação de Xangai e o bloco econômico dos BRICS, no qual a Rússia e a China são os principais parceiros, são grandes obstáculos para a hegemonia imperialista norte-americana.

10. Do que você mais gosta em Cuba, nos termos socioeconômicos e políticos?

JMS: O que eu mais admiro é a determinação e a militância do governo e do povo cubano em afirmar, defender e promover a independência nacional e em aspirar e trabalhar pelo socialismo. Eles têm feito grandes conquistas políticas, sociais, econômicas e culturais apesar das várias décadas de bloqueio econômico e atos de agressão exercidos pelo imperialismo norte-americano.

11. Existem relações entre as organizações revolucionárias cubanas e filipinas?

JMS: De acordo com a suas respectivas publicações, o Partido Comunista das Filipinas e a Frente Democrática Nacional das Filipinas possuem relações com o Partido Comunista de Cuba e outras forças revolucionárias do povo cubano.

12. Nos últimos anos, você esteve envolvido em algum movimento de apoio ao povo cubano?

JMS: Claro, eu já estive em solidariedade com o povo cubano sobre as grandes questões em defesa de sua independência nacional e de seu sistema social. A Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS), da qual sou o presidente, tem apoiado as posições anti-imperialistas e democráticas de Cuba. Tenho participado de encontros e falado em defesa da liberdade dos ‘’Cinco Cubanos’’. Estou, portanto, muito feliz com a completa liberdade de todos os cinco. Eles foram todos soltos em última instância, devido à ampla solidariedade exigindo sua libertação.

13. Dentro do contexto da ILPS, o que é mais significativo sobre a revolução cubana?

JMS: Eu sempre digo que a revolução cubana é excepcional e única. Foi uma revolução socialista que surgiu não como uma consequência direta de uma guerra mundial, diferente da Rússia, onde a revolução ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial e da China e de outros países onde a revolução socialista emergiu como um resultado da Segunda Guerra Mundial. Se o povo cubano pode fazer uma revolução com apenas 145 quilômetros de distância da besta, por que os povos do resto do mundo não poderiam? A revolução cubana é uma inspiração para os povos de todos os lugares, não apenas para a América Latina ou África.
Quando a vontade revolucionária dos povos é afirmada e a linha, estratégia e táticas corretas são adotadas, a revolução pode avançar e ter sucesso em várias partes do mundo.

14. O que você acha da normalização das relações entre Cuba e Estados Unidos? Você acha que Cuba pode manter-se firme nas negociações com os EUA para completar a retirada do embargo? E você também acha que Cuba será capaz de gerenciar a entrada de empresas norte-americanas, suas tecnologias e suas próprias ideias de modernização ou mesmo de subversão em uma linguagem mais direta.

JMS: A normalização das relações comerciais e diplomáticas entre os EUA e Cuba são bem-vindas. Relações como essas devem existir entre países, independentemente de sua ideologia ou sistema social. Eu acredito que Cuba pode se manter firme nas negociações com os EUA. Cuba possui os princípios e a experiência revolucionária para manter a sua independência nacional e para realizar a normalização de relações diplomáticas e comerciais. O presidente cubano Raul Castro é altamente competente e baseado nesses princípios. Ele goza do apoio do povo cubano e de Fidel Castro.
Com princípios revolucionários e com os 59 anos de resistência e combates contra as agressões, embargo, propaganda e subversão norte-americanas, o governo e o povo cubano devem continuar alertas e adotar políticas e meios para controlar e direcionar a entrada de companhias e tecnologias norte-americanas, conter ideias imperialistas de modernização e prevenir a subversão e a destruição da independência nacional e das aspirações socialistas.

15. Os EUA não deve desistir de Guantánamo e o que deve ser feito para pressionar os EUA para desistir?

JMS: Certamente, os EUA deve desistir de sua base militar em Guantánamo. O povo e o governo cubano devem exigir o desmantelamento daquela base militar em Guantánamo. Os EUA está segurando Guantánamo em violação da soberania cubana e da integridade territorial de Cuba. Os povos do mundo todo devem apoiar o povo cubano nessa questão. Não é muito difícil para os EUA desistir de Guantánamo. Os britânicos desistiram de Hong Kong. Os EUA desistiu de Taiwan sob o princípio da política da ‘’Uma China’’. Sob pressão do povo filipino, até mesmo o governo fantoche das Filipinas foi capaz de reduzir o acordo da ‘’concessão perpétua’’ que passou a cobrir as bases militares e reservas norte-americanas para apenas 25 anos em 1966. Os EUA também desistiram de suas bases militares na Tailândia logo após a Guerra do Vietnã. O povo filipino foi capaz de remover as bases militares norte-americanas em 1991. O povo cubano, sem dúvidas, pode fazer o mesmo.

16. Alguma vez você já esteve em Cuba? Quando e sob quais circunstâncias? Se sim, quais lugares você visitou?

JMS: Sim, Julie e eu estivemos em Cuba em 1988. Nós viemos da Nicarágua para observar o progresso da revolução sandinista. Nós encontramos os líderes do governo, sindicatos, mulheres, jovens e outros setores da sociedade cubana. Nós visitamos diversos lugares, Havana e outras cidades, e fomos até as proximidades da base militar norte-americana em Guantánamo.

17. Você é conhecido por ser capaz de cantar? Você conhece alguma música cubana de memória? Você pode cantá-la?

JMS: Eu posso cantar Guantanamera tanto no original em espanhol como na minha versão traduzida para o ‘’Tagalog**’’. Eu posso cantar as duas versões agora, especialmente se você se juntar a mim. Eu tenho uma gravação em CD da música. Está no meu website: http://josemariasison.org/

18. Por que você gosta tanto da Guantanamera a ponto de memorizar e gravá-la até mesmo em um CD?

JMS: Eu gosto da Guantanamera porque sua letra, escrita pelo revolucionário patriota cubano Jose Marti, é linda de uma forma lírica e metafórica e possui um grande significado revolucionário. E o rítmo da música é bem animado. Até da para dançar. Agora, vamos cantá-la.

Guantanamera em espanhol
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera
(Repetir o par de versos)
Yo soy un hombre sincero
De donde crecen las palmas
Y antes de morirme quiero
Echar mis versos del alma
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera
Mi verso es de un verde claro
Y de un carmín encendido
Mi verso es un ciervo herido
Que busca en el monte amparo
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera
(Repetir o par de versos)
Con los pobres de la tierra
Quiero yo mi suerte echar
El arroyo de la sierra
Me complace más que el mar
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera
(Repetir o par de versos)
GUANTANAMERA, tradução por Jose Maria Sison
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera
(Repetir o par de versos)
Ako’y lalaking sinsero
Sa lupa ng mga palma
Ako’y lalaking sinsero
Sa lupa ng mga palma
Nais kong bago yumao
Maghasik ng tula ng diwa.
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera
Tula ko’y luntiang malinaw
At pulang nag-aalab
Tula ko’y luntiang malinaw
At pulang nag-aalab
Tula ko’y usang may-sugat
Na nagkanlong sa gubat.
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera
(Repetir o par de versos)
Sa piling ng mahihirap
Ay nais kong makibaka
Sa piling ng mahihirap
Ay nais kong makibaka
Ang bukal sa kabundukan
Mas maginhawa kaysa dagat.
Guantanamera, guajira Guantanamera
Guantanamera, guajira Guantanamera

Nota do tradutor:

** : ‘’Tagalog’’ é um idioma das Filipinas. Se pronunciássemos em português, ficaria ‘’Tagalo’’.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Guerra popular nas Filipinas: últimos acontecimentos

Por Igorr G. Diaz (I.G.D.)

Combatentes do Novo Exército Popular (NEP), sob a direção do Partido Comunista das Filipinas, levaram a cabo novas ofensivas táticas contra as forças armadas reacionárias filipinas em resposta ao despejo de famílias, grilagem de terras e as violações de direitos humanos sem escrúpulos em inúmeras regiões realizadas por este mesmo exército. Segue as notícias sobre os últimos acontecimentos da guerra popular nas Filipinas.

A 13 de Junho de 2015, 52 famílias compostas de 251 indivíduos retornaram para suas casas em Sitio Camansi, Banglay, Lagonglong, Misamis Oriental depois de mais de uma semana de evacuação da capital provincial desde 4 de Junho. A região habitada pelas famílias tem sofrido constantes ataques das ‘’Forças Armadas das Filipinas’’ que tem como objetivo aniquilar aqueles que se opõe à entrada de atividades mineradoras e ao plano de transformar a área em uma fonte de energia para cidades vizinhas. Essas famílias foram tremendamente aterrorizadas pelas ameaças de morte, bombardeios e queima de casas, promovidas pelas ‘’Forças Armadas das Filipinas’’ que sofreram grandes derrotas em uma sucessão de enfrentamentos com o Novo Exército Popular.

A 14 de junho de 2015, combatentes do NEP do Comando Sub-regional de Bukidnon do Sul no centro-norte da região de Mindanao obtiveram êxito em sua ofensiva tática ousada contra as ‘’Forças Armadas das Filipinas’’.
Foram apreendidos uma metralhadora Minimi, um lançador de granada m203, cinco rifles m14, três espingardas m16 Armalite, duas pistolas .45, uma Magnum .38 e uma série de apetrechos militares.

A 1 de Junho de 2015 no período da tarde, combatentes vermelhos do 1º Esquadrão Pulang Bagani do Novo Exército Popular cercaram um pelotão do 69º Batalhão de Infantaria, aniquilando 12 soldados e ferindo outros 10 no Sítio Pag-sa no distrito de Paquibato em Davao City.


Enquanto ainda houverem injustiças, o Novo Exército Popular dirigido pelo Partido Comunista das Filipinas continuará defendendo as massas e executando a justiça revolucionária.
É um dever de todos os comunistas apoiarem decididamente a Guerra popular nas Filipinas e a revolução democrática, anti-imperialista e ininterrupta ao socialismo.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O Prêmio Nobel da Paz e Liu Xiaobo

Por Deidre Griswold (publicado no dia 23/11/2010)

(Traduzido do inglês por I.G.D. para o blog Socialismo na Ásia)

(Retirado de: http://www.workers.org)


Liu Xiaobo: defende abertamente a derrubada do PCCh
Quem é Liu Xiaobo e por que foi dado a ele o Prêmio Nobel da Paz deste ano? Para entender isso, é necessário conhecer a história do prêmio e como ele surgiu.
Alfred Nobel foi um químico sueco, engenheiro e inventor da dinamite, do qual fez uma fortuna no século XIX, ficando conhecido como ‘’O Comerciante da Morte.’’ Ele quis que sua grande fortuna fosse usada para criar inúmeros prêmios, um deles para a paz.
Nobel decretou que um comitê de cinco pessoas instituído pelo Parlamento Norueguês deve escolher os destinatários do prêmio anual da paz. Noruega, membro fundador da OTAN, hoje abriga várias bases aéreas dos Estados Unidos e tem tropas no Afeganistão.
O primeiro Prêmio Nobel da Paz foi premiado em 1901. Desde aquela época, as pessoas do mundo tem sofrido de guerras massacrantes que juntas mataram mais de 100 milhões de civis e combatentes e que devastaram países inteiros. A causa subjacente dessas guerras e a elevação dos complexos industrial-militares tem sido o apetite voraz das potências imperialistas que estão competindo para conquistar novos mercados e territórios para superexploração e lucros.
Então, naturalmente, as pessoas do mundo querem a paz. Elas saem às ruas para fazer vários e vários protestos contra as atuais guerras e as novas armas de terror. O que fazem os imperialistas em relação a isso? Os imperialistas falam de paz e democracia enquanto preparam as buchas de canhão e o dinheiro necessário para novas guerras.
Nada ilustra melhor essa corrupção do anseio popular para a paz do que o anual Prêmio Nobel da Paz. O prêmio foi dado muitas vezes para os próprios indivíduos responsáveis pelos horrores das guerras imperialistas.
Em 1906 o prêmio foi dado ao presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt. Seu slogan ‘’fale com suavidade e tenha à mão um grande porrete’’ fez sua carreira como líder dos Rough Riders, que invadiram Cuba em 1898 durante a Guerra hispano-americana. A guerra era supostamente para libertar Cuba, Porto Rico e as Filipinas da dominação espanhola, mas o seu real propósito era trazê-los para a dominação imperialista dos EUA – como foi exposto por Mark Twain, um membro da Liga Anti-imperialista da época.
Em 1912 o prêmio foi para Elihu Root, que havia sido secretário de guerra dos presidentes William McKinley e Theodore Roosevelt. Root estabeleceu governos neocoloniais nos três países mencionados anteriormente. Ele então torna-se presidente da Carnegie Endowment for International Peace, criada com o dinheiro de um dos mais ricos robber baron** e fura-greves da época, Andrew Carnegie.
Em 1919 o Prêmio da Paz foi para o presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson, que levou os EUA para a Primeira Guerra Mundial em 1917 mesmo com uma grande oposição. No mesmo ano, um estadunidense socialista e líder da classe trabalhadora, Eugene V. Debs, foi sentenciado em 10 anos de prisão sob a Lei de Sedição por ter-se oposto a guerra. Debs concorreu para presidente de dentro de sua cela em 1920 e teve quase um milhão de votos, mas o comitê do Nobel não iria pensar em dar-lhe o Prêmio da Paz.
Nos anos que se seguiram, o prêmio foi para luminares da diplomacia imperialista estadunidense como Cordell Hull (secretário de Estado durante a Segunda Guerra Mundial), o general George Marshall (chefe do exército de gabinete na Segunda Guerra Mundial; secretário de defesa na Guerra da Coreia), Henry Kissinger (secretário de Estado durante a Guerra do Vietnam), presidente Jimmy Carter e, no ano passado (2009), o presidente Barack Obama, cuja promessa de eleição de retirar as tropas estadunidenses do Afeganistão foi abandonada.
Quando, enfrentando críticas por ignorar os movimentos de massa contra a guerra e a violência da classe dominante, o comitê do Nobel reconheceu figuras populares, estas quase sempre acopladas com inimigos do povo. Assim, o prêmio foi dado conjuntamente para Kissinger e o líder vietnamita Le Duc Tho em 1973 (Tho o recusou!); o líder do Congresso Nacional Africano Nelson Mandela e o Presidente da África do Sul do apartheid Frederik Willem de Klerk, em 1993; e para o líder palestino Yasser Arafat, mas também para os israelenses Shimon Peres e Yitzhak Rabin em 1994.
Uma vez que a Guerra Fria começou, o Prêmio da Paz foi dado a figuras na União Soviética e na Europa Oriental, que facilitaram o retorno do capitalismo e do imperialismo: Andrei Sakharov (1975), Lech Walesa (1983) e Mikhail Gorbachev (1990).
É nessa tradição que o Prêmio Nobel da Paz de 2010 foi dado a Liu Xiaobo. Não é porque Liu é de algum modo um homem de paz. Na verdade, ele foi um ferrenho defensor das guerras estadunidenses.
Defendendo George W. Bush e a Guerra no Iraque, Liu escreveu em 31 de outubro de 2004, em ‘’A Guerra do Iraque e a eleição dos Estados Unidos’’ que os EUA ‘’liderou a luta contra o totalitarismo comunista no Vietnam e na Coreia, [...] ajudou o Egito a alcançar a independência, e tem sempre protegido Israel, rodeado como é por nações árabes.’’
Dizendo que John Kerry, que concorreu contra Bush nas eleições daquele ano, tolerou ‘’governos malvados’’, Liu acrescentou: ‘’Em resposta a ameaças existenciais para a civilização, como o terrorismo, os EUA não devem hesitar em usar a força. Apenas uma firme determinação irá impedir outro 11/09, reduzir o terrorismo internacional e reduzir a ameaça de armas de destruição em massa (de chinastudygroup.net).’’
Como poderia o comitê do Nobel sequer pensar em dar o Prêmio da Paz para Liu, depois de tudo que se conhece sobre a administração Bush que deliberadamente enganou o mundo sobre as ‘’armas de destruição em massa’’, a fim de invadir o Iraque?
Pelas mesmas razões que eles escolheram Sakharov, Walesa e Gorbachev. Liu é um dos principais defensores da derrubada do Partido Comunista da China, da privatização de toda a economia, incluindo toda a terra, e do retorno da China para os braços dos imperialistas ocidentais, que olham para ele como um dos maiores libertadores da humanidade.
Liu é o principal autor da Carta 08, que declara abertamente os seus objetivos contrarrevolucionários, ao mesmo tempo que as embeleza na linguagem da ‘’democracia’’ e dos ‘’direitos humanos’’ usado tão enganosamente por sanguessugas capitalistas do ocidente.
Liu não é popular na China. Mesmo aqueles na esquerda que criticam a confiança do governo no mercado não querem nada com ele, reconhecendo-o como um inimigo dos trabalhadores e da soberania duramente conquistada da China. Ele é sem dúvidas uma criatura do imperialismo – e de uma organização completamente antidemocrática que deve seu prestígio e poder ao dinheiro vindo do sangue.

Nota do tradutor:
** :  ‘’Robber baron’’ são plutocratas sem escrúpulos, normalmente um capitalista estadunidense que adquiriu uma fortuna no final do século XIX por meios cruéis.