sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

China-RPDC: Firme aliança contra a Agressão Imperialista

Publicado pelo Editorial do Renmin Rinbao, Hongqi e Jiefangjun Bao
16 de julho de 1971

Traduzido por Gabriel Duccini

Junto do fraternal povo coreano, o povo chinês solenemente celebra hoje o décimo aniversário da assinatura do Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua em uma situação em que a luta contra o Imperialismo ianque e o militarismo japonês por parte dos povos de vários países asiáticos está se moldando diariamente. O Partido coreano e a Delegação do Governo com o camarada Kim Jung Rin, Membro da Comissão Política do Comitê Central e Secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia à sua frente; e o camarada Kim Man Gum, Membro suplente do Comitê Político do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia e vice-primeiro-ministro do Conselho de Ministros como seu Vice chefe, chegou ao nosso país para participar das celebrações. O povo chinês calorosamente dá boas-vindas à delegação.
Dez anos atrás quando eles se depararam com a situação onde o Imperialismo ianque e seus lacaios estavam fervorosamente levando a cabo atividades agressoras e de guerra na Ásia, a China e a Coreia assinaram o histórico Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua. O tratado solenemente estipula que “as partes assinantes se comprometem conjuntamente a adotar todas as medidas para evitar a agressão contra qualquer das partes assinantes por qualquer Estado. No caso de uma das partes ser submetida a um ataque armado por algum Estado ou vários Estados conjuntamente, e assim envolvida em um Estado de guerra, a outra parte deve imediatamente prestar ajuda militar e outras formas de auxílio por todos os meios à sua disposição”. Também contém outros artigos importantes no que tange o reforço da amizade fraternal, a assistência mútua e a cooperação entre os dois países. Esse tratado é um enorme marco na história das relações amigáveis entre os dois povos. Ao solidificar a amizade revolucionária e a unidade militante forjada na prolongada e conjunta luta dos povos da China e da Coreia na forma de um tratado, ele encarna plenamente a sua firme determinação a se opor à agressão imperialista, assegurar a segurança comum de ambos os países e garantir a paz na Ásia e no Mundo.
O Presidente Mao, grande líder do povo chinês, apontou: “Os camaradas coreanos e chineses devem se unir como irmãos, passar por bons e maus momentos juntos, compartilhar felicidade e angústia, e lutar até o fim para derrotar o inimigo comum”.
Recapitulando a história das lutas comuns dos povos coreanos e chineses, sentimos profundamente que a amizade revolucionária entre os nossos dois povos é muito testada e incomparavelmente preciosa. Por quase um século, o povo de nossos dois países teve experiências ruins semelhantes e sempre realizou lutas comuns contra a agressão estrangeira. Assim que o militarismo japonês começou sua agressão do final do século XIX até o começo do século XX, a China e a Coreia se tornaram as vítimas imediatas porque ocuparam o território chinês de Taiwan e anexaram a Coreia. Os destinos do povo da China e da Coreia desde então já estão unidos. Durante a ocupação japonesa da Coreia, o povo coreano encenou levantes antijaponeses e um patriota coreano assassinou o chefe militar dos agressores japoneses Hirobumi Ito, dando um golpe ao inimigo comum dos povos de ambos países. Após o Imperialismo Japonês desencadear a guerra de agressão contra a China nos anos 30, os povos chineses e coreanos lutaram ombro a ombro contra os agressores. Junto do povo chinês, as guerrilhas antijaponesas organizadas e lideradas pelo Camarada Kim il Sung, o grande líder do povo coreano, resistiram e derrotaram os agressores japoneses. Nos anos 50 quando os Estados Unidos desataram sua guerra de agressão contra a Coreia e ao mesmo tempo ocuparam a Província chinesa de Taiwan, os povos chineses e coreanos mais uma vez lutaram lado a lado e derrotaram os agressores ianques no campo de batalha coreano. No longo período de luta, muitos camaradas coreanos derramaram seu sangue em apoio à causa revolucionária da China. O povo chinês nunca irá se esquecer do apoio e ajuda que o povo coreano deu a eles.
O Imperialismo ianque agora está intensificando a presença de suas políticas de agressão e guerra na Ásia. Ele continua a ocupar o território chinês de Taiwan e a metade sul da Coreia e persiste na expansão de sua guerra de agressão na Indochina. O Governo Nixon está fazendo o máximo possível para realizar a assim chamada “nova política para a Ásia” ao acelerar sua conivência militar com os reacionários japoneses e ansiosamente fazendo uso do militarismo japonês como uma tropa de choque da agressão imperialista ianque contra a Ásia. Após a extensão automática do “Tratado de Segurança” dos Estados Unidos-Japão, os Estados Unidos e o Japão assinaram o acordo de “reversão” de Okinawa, portanto reforçando a agressiva aliança militar de EUA-Japão. Ademais, o Imperialismo ianque está tentando trazer forças militares japoneses para o Sul da Coreia para fortalecer a operação conjunta EUA-Japão-Pak e inclusive conduziu exercícios militares provocativos conjuntos dos EUA e Japão, no mar a leste da Coreia. Tudo isso é uma séria ameaça à segurança do povo da Coreia, China e outros países asiáticos.
O militarismo japonês, que está sendo revivido sob a égide do imperialismo norte-americano, está fervendo com sua ambição de renovar o seu sonho de anexar a Coréia, invadir a China e dominar a Ásia. Enquanto declaram abertamente que a Coreia é “essencial para a própria segurança do Japão”, não mediram palavras ao afirmar que "se pode supor que as Forças de Autodefesa conduzirão operações em um determinado lugar fora do Japão, e esse lugar será a Coreia”. Os reacionários japoneses já estenderam suas garras de agressão à Coreia do Sul em tentativa de transformá-la em uma colônia dual dos Estados Unidos e do Japão. Ao mesmo tempo, os reacionários japoneses aumentaram sua penetração no território chinês de Taiwan politicamente, militarmente e economicamente, alegando que Taiwan é “um fator de máxima importância para a segurança do Japão”, e conspiraram abertamente em estender a "zona de identificação de defesa aérea" do Japão para o território chinês da Ilha de Tiaoyu e o espaço aéreo perto de áreas costeiras da China. Isso revela plenamente as ambições raivosas do militarismo japonês em colocar as mãos sobre o território da China. Obviamente, o militarismo japonês novamente embarcou no velho caminho da agressão e expansão e se tornou uma perigosa força de guerra na Ásia.
Nas atuais circunstâncias, portanto, é de enorme significância prática consolidar ainda mais e fortalecer a aliança entre a China e Coreia que foi concretizada no tratado.
Precisamente como o Camarada Kim Il Sung, o grande líder do povo coreano, apontou: “Os povos da Ásia e os povos progressistas do mundo hoje são confrontados com a urgente tarefa de lutar contra o renascimento do militarismo japonês ao mesmo tempo que frustrem a agressão do Imperialismo ianque”.
Mudanças profundas vêm ocorrendo na situação atual da Ásia. A República Popular da China está diariamente crescendo cada vez mais forte. A República Popular Democrática da Coreia se tornou um baluarte que permanece firme como uma rocha à frente da luta anti-imperialista na Ásia. A guerra contra a agressão ianque e pela salvação nacional pelos povos dos três países da Indochina fez conquistar grandes vitórias de abalar o mundo. A luta dos povos da China, Coreia, Vietnã, Laos, Camboja, Japão e outros países asiáticos contra os agressores norte-americanos e o renascimento do militarismo japonês a partir dos Estados Unidos e reacionários japoneses está surgindo à frente com um enorme impulso, irresistível. A força revolucionária do povo asiático está mais poderosa do que nunca. Qualquer superpotência ou “potência econômica” que tente passar por cima do povo asiático e fazer girar a roda da história para trás está simplesmente sonhando acordada. Em face da unidade militante dos povos dos países asiáticos, qualquer agressor que se atreva a provocar uma nova guerra na Ásia não encontrará nada com exceção da derrota completa para ele.
A China e Coreia são vizinhos fraternos ligados pelas mesmas montanhas e rios e estreitamente relacionados como a língua é com os dentes, e sua segurança é inseparável. As relações em todo o horizonte de assistência mútua e cooperação entre ambos os países e ambos povos foi consolidada e desenvolvida firmemente à luz dos grandes objetivos estabelecidos no Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua. O povo chinês inflexivelmente apoia a justa luta do povo coreano contra a agressão do Imperialismo ianque e é pela reunificação pacífica de sua pátria. Vamos cumprir fielmente, como no passado, as obrigações estipuladas no Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua e estamos determinados a lutar até o fim contra os inimigos comuns de nossos dois povos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

NEOLIBERALISMO: Um Flagelo para a Humanidade

Escrito por Jose Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos
(20 de agosto de 2012)


Traduzido por I.G.D.
 
 
Antecedentes e Definição
O termo “neoliberalismo” foi forjado pelo estudioso alemão Alexander Rustow no Colloque Walter Lippmann em 1938. Ludwig von Mises o popularizou como “novo liberalismo” em seus escritos. Os expoentes do neoliberalismo definiram como “a prioridade do mecanismo de preços, a livre iniciativa, o sistema de concorrência e um Estado forte e imparcial. ” Eles pertenciam ao que foram chamados de Escola de Freiburg, Escola Austríaca e Escola de Economia de Chicago.
O conceito de neoliberalismo retira de Adam Smith a noção de que a mão invisível do auto interesse no livre mercado resulta no bem comum, mas, obscurece a ideia dele de que a força de trabalho é a criadora de novos bens materiais e de riqueza social. Ele considera apenas a noção de que a liberdade econômica dos empresários se traduz na liberdade política de toda a sociedade. Ele idealiza e perpetua a ideia do capitalismo de livre concorrência.
Ele mantém como sagrada e inviolável o direito à propriedade privada dos meios de produção e com veemência está contra a propriedade estatal dos meios de produção e contra a intervenção do Estado na economia, a menos que favoreça os capitalistas privados com oportunidades lucrativas, incluindo a expansão da oferta de dinheiro e crédito, redução de impostos, contratos, subsídios, garantias de investimento e outros incentivos.
O conceito surgiu na época da Grande Depressão, quando a crise de superprodução do capitalismo monopolista tinha dado origem ao fascismo e a iminência da Segunda Guerra Mundial. Mas os intelectuais neoliberais ignoraram a realidade do capitalismo monopolista e a luta de classes entre a grande burguesia e o proletariado. Eles tomaram o ponto de vista pequeno-burguês de “estar sobre as classes” e que estariam contra o fascismo e o socialismo, e então passaram a pregar sobre a “liberdade”, com base na condição passada do capitalismo de livre concorrência do século 19.
Friedrich Hayek, bem conhecido pela noção de que o socialismo é “o caminho para a servidão”, fundou a Sociedade Mont Pelerin, em 1947, a fim de reunir intelectuais e políticos neoliberais. Os neoliberais eram um instrumento hiperativo ainda marginal do anticomunismo durante a Guerra Fria. Hayek e Milton Friedman se tornaram figuras icônicas do neoliberalismo na Escola de Economia de Chicago.
Friedman se tornou mais conhecido por ter feito com que o neoliberalismo fosse a política econômica oficial do imperialismo estadunidense. Ele promoveu a noção de que a liberdade econômica é uma condição necessária para a liberdade política e que o Estado não deve possuir ativos produtivos e não deve planejar ou regular a economia, mas deve dar lugar a uma “livre iniciativa” desenfreada e um “livre mercado” que se autorregula, e permitir a grande burguesia acumular capital e aproveitar as oportunidades lucrativas.
Descrevendo a si mesmo como um monetarista, Friedman espalhou a noção de que o crescimento da economia e a resolução dos problemas econômicos de estagnação e de inflação eram apenas uma questão de manipular as taxas de oferta de moeda e de juros. Ele liderou a campanha acadêmica e midiática de ataque ao keynesianismo e de culpar a classe trabalhadora pela inflação de salário e supostamente pelos grandes gastos sociais por parte do governo. Ele e seus colegas neoliberais proclamaram estes como a causa da estagflação na década de 1970.
 
Política Econômica Neoliberal
No início da década de 1980, a política econômica neoliberal foi adotada por Ronald Reagan nos EUA e por Margaret Thatcher no Reino Unido, e se tornou conhecida respectivamente como “Reagonomics” ou economia do lado da oferta e por thatcherismo. Ele usou como bode expiatório a classe operária e os gastos sociais do governo para justificar o fenômeno da estagflação e obscurecer a crise de superprodução, como resultado da reconstrução da Europa Ocidental e do Japão, e o rápido aumento dos gastos militares estadunidenses devido a intensificação da produção militar, do desenvolvimento ultramarino das forças militares dos Estados Unidos e das guerras de agressão na Coréia e na Indochina.
Reagan e Thatcher empreenderam ações sinalizadoras e empurraram a legislação para pressionar para baixo o nível salarial, suprimir os sindicatos e os direitos democráticos da classe trabalhadora e cortar as despesas sociais do governo. Eles reduziram os impostos sobre as corporações e os membros individuais da burguesia monopolista, e forneceram a eles todas as oportunidades para que fizessem superlucros e acumulassem capital.
Estas oportunidades foram disponibilizadas através da flexibilização do trabalho, liberalização comercial e financeira, privatização de bens públicos, da desregulamentação antissocial, da desnacionalização das economias dos países subdesenvolvidos, do aumento dos contratos superfaturados na produção de guerra e garantias e subsídios para investimentos no exterior.
Eventualmente, as outras potências imperialistas seguiram o exemplo dos EUA e do Reino Unido. Mesmo os partidos burgueses trabalhistas, social-democratas e neorrevisionistas adotaram a política econômica neoliberal. Para isto, foi dado o nome fantasioso de globalização do "livre mercado". Mas esta é a globalização imperialista, permitindo que as potências imperialistas desencadeiem suas firmas monopolistas e bancos contra sua própria classe operária e contra todos aqueles que trabalham, especialmente aqueles dos países subdesenvolvidos. Os Estados fantoches traíram seus povos, entregaram a soberania econômica e os seus recursos naturais para as potências imperialistas sob a bandeira da globalização.
A política econômica neoliberal foi instigada pelo imperialismo estadunidense e veio a ser conhecida em 1989 como o Consenso de Washington (forjado pelo economista John Williamson) devido ao longo período em que tinha sido projetada e executada pelo FMI, Banco Mundial e pelo Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, para ser unida subsequentemente pela Organização Mundial do Comércio nos anos de 1990. Foi imposta aos países subdesenvolvidos as seguintes prescrições supostamente para o desenvolvimento: a disciplina da política fiscal, o redirecionamento da despesa pública longe do desenvolvimento industrial e da independência, reforma nos impostos em benefício de investidores estrangeiros e às custas das massas populares, taxas de juros determinadas pelo mercado, taxas de câmbio competitivas, liberalização das importações, liberalização dos investimentos, privatização de empresas estatais, a desregulamentação e a segurança jurídica para os direitos de propriedade.
O neoliberalismo, também conhecido como fundamentalismo de mercado, acelerou a acumulação de capital e a obtenção de superlucros pela burguesia monopolista. Como resultado, a crise de superprodução e superacumulação por alguns retornou a um ritmo rápido e pior. A burguesia monopolista recorreu a truques do capitalismo financeiro e gerou uma oligarquia financeira em uma tentativa inútil de anular as crises recorrentes de superprodução e a tendência da taxa de lucro cair. Ela tem expandido repetidamente a oferta de dinheiro e de crédito, gerou derivados em quantidades astronômicas e fez uma bolha financeira após a outra, a fim de aumentar os lucros e supervalorizar os ativos da burguesia monopolista.
No entanto, mais de cem crises econômicas e financeiras de diferentes escalas e gravidades ocorreram no sistema capitalista mundial nas últimas três décadas de política econômica neoliberal. A crise mais severa estourou em 2007. É comparável à Grande Depressão da década de 1930, só que com muito mais destrutivas e concomitantes consequências políticas e sociais para o mundo inteiro. Ela é acompanhada pelo aumento do terrorismo de Estado ou do fascismo e por outras guerras imperialistas de agressão. As grandes massas populares estão sofrendo com as condições terríveis de depressão global e a intensificação da exploração, o empobrecimento, a opressão e todos os tipos de degradação.
 
Resistência Popular
As potências imperialistas e seus Estados fantoches têm sido incapazes de resolver a grande crise em curso, porque eles se apegaram dogmaticamente à política econômica neoliberal. Eles creem que isto é de longe, a melhor política adotada pelo sistema capitalista mundial para manter a burguesia monopolista e a oligarquia financeira nos superlucros e acumular capital. Eles desejam perpetuar esse flagelo para a humanidade. É, portanto, dever e obrigação das massas lutar contra este sistema que impôs esta política nefasta.
A grave crise do sistema está incitando as grandes massas do povo a travar várias formas de resistência, a fim de apoiar, defender e promover os seus direitos democráticos básicos e de lutar por sua libertação nacional e social. Através de sua própria luta, elas podem construir um mundo fundamentalmente novo e melhor, de maior liberdade, democracia, justiça social, desenvolvimento, solidariedade internacional e de paz. Elas apontam para um futuro socialista. 
 
Jose Maria Sison - Fundador do Partido Comunista das Filipinas
 
 
 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A Luta das Mulheres que Enfrentaram uma Multinacional e Venceram


Traduzido por I.G.D.



Este é um relato de uma revolta extraordinária, um movimento de 6.000 trabalhadoras de um grau de educação baixíssimo que enfrentaram uma das empresas mais poderosas do planeta. Em um país dominado pelo machismo, desafiaram o mundo dos sindicatos e partidos políticos, dominados por homens, negando-se a deixar que estes controlassem sua luta. E o mais importante: venceram.
É muito provável que você tenha desfrutado dos ganhos do seu trabalho. Estas mulheres são coletoras de chá no belo Estado de Kerala, no sul da Índia. Trabalham para uma gigantesca companhia de plantações, chamada Kanan Devan Hills Plantations, que em parte é propriedade e em grande medida está controlada pela multinacional indiana Tata, proprietária da Tetley Tea. A faísca que desencadeou o protesto foi uma decisão de anular a bonificação que é paga às coletoras de chá, mas as raízes do conflito são muito mais profundas.

Somente Elas
Os trabalhadores e trabalhadoras do ramo do chá na Índia não recebem um tratamento digno. Quando investiguei o setor em Assam, no mês passado, observei que as condições de vida e de trabalho eram tão ruins, e os salários tão baixos, que as trabalhadoras do chá e suas famílias sofriam de desnutrição e estavam expostas a enfermidades mortais. Parece que a situação em Kerala não é muito diferente. Parte das queixas das mulheres é que estas vivem em cabines de uma só cama, sem banheiro nem quaisquer outros equipamentos básicos, e ainda que ganhem significativamente mais que suas colegas de Assam, dizem que as 230 rupias (equivalente a 3,50 dólares) que recebem de salário é a metade do que ganharia um trabalhador em Kerala.
Quando, em meados de setembro, as mulheres de Kerala reclamaram para que se restabelecesse a bonificação – junto com um aumento do salário e das condições de vida –, não só desafiaram a empresa que as empregam, como também aos sindicatos que supostamente as representam. As trabalhadoras alegam que os líderes sindicais, homens, estão aliados com a direção da empresa, negando as mulheres seus direitos e salvaguardando os melhores postos para eles mesmos.
Quando houve uma queda nos preços do chá há alguns anos e alguns latifundiários abandonaram suas plantações, segundo as mulheres, os líderes sindicais sempre conseguiram manter seus empregos. Também disseram que os sindicatos não fizeram o suficiente para fazer com que seus maridos deixassem de gastar sua renda em bebidas sem garantir a educação de seus filhos, nem atender as necessidades sanitárias de suas famílias. E demonstraram que eram capazes de levar a cabo um protesto efetivo sem ajuda dos sindicatos.

“Mulheres Unidas”
Quando 6.000 mulheres ocuparam a rodovia principal que conduz à sede central da companhia proprietária das plantações, a manifestação foi organizada por elas mesmas, que em sua maioria, não possuíam quaisquer antecedentes de ativismo sindical. Se chamaram a si mesmas de “Pempilai Orumai”, que significa “Mulheres Unidas. Em outra ação, as mulheres ocuparam o Munnar, um dos destinos turísticos mais populares de Kerala. O comércio e o turismo ficaram quase totalmente paralisados. Muitas das palavras de ordem se dirigiam abertamente aos dirigentes sindicais. “Colhemos o chá e levamos os sacos em nossos ombros, enquanto vocês levam as bolsas com o dinheiro”, dizia um cartaz. “Nós vivemos em cabines de estanho, vocês têm bangalôs”, dizia outro.
Quando os dirigentes sindicais, homens, trataram de se unir junto com a manifestação, estes foram expulsos. As mulheres atacaram um ex-dirigente sindical com suas sandálias. O homem teve que ser resgatado pela polícia. Em outro incidente, as manifestantes arrancaram os mastros localizados no exterior do edifício dos sindicatos. E ainda, rechaçavam e perseguiam políticos locais que queriam fotografar-se oferecendo seu apoio. As mulheres insistiram que continuariam com seus protestos até que se vissem satisfeitas de suas demandas.
No princípio, a empresa se mostrou desafiante, mas depois de nove dias de protestos e negociações intensas, supervisadas pelo primeiro-ministro do Estado, a empresa cedeu. Foi uma vitória sensacional: um grupo de mulheres semianalfabetas se enfrentaram com um dos interesses mais poderosos do Estado... e ganharam. As mulheres haviam se engajado nas conversações e forçaram a direção a aceitar sua reivindicação de restabelecer a bonificação de 20%. Enquanto isso, líderes sindicais, todos homens, tiveram que engolir seu orgulho e assinar o acordo negociado pelas mulheres.

Nada a perder
Mas a guerra, apesar de tudo, não havia terminado. A questão do aumento salarial teve de ser negociada separadamente e quando não se satisfez a demanda das mulheres de incrementar os salários, os sindicatos lançaram uma campanha por tempo indeterminado para reivindicar um aumento de 232 rupias para 500 rupias. Em parte, isso tinha como finalidade resgatar a direção sobre o êxito da luta das mulheres. Estas rejeitaram tomar parte de tal prática dos sindicatos e lançaram suas próprias exigências, de modo independente, de um aumento salarial.

Em meados de outubro, alguns ativistas sindicais do sexo masculino, supostamente atacaram uma manifestação de mulheres, a base de pedradas. Seis pessoas foram feridas, mas não gravemente. Mas as mulheres seguem decididas a continuar com a luta. “Não temos nada a perder”, disse Lissy Sunny, uma das dirigentes do “Pempilai Orumai”, em declarações para o site de notícias India Catch. “A fome e o sofrimento fazem parte de nossa vida. Não nos preocupamos, mesmo que morramos de fome. Mas não deixaremos que nada nos explore. Já basta! ”.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

É Preciso Entender a China: Não é Crise - É Política Econômica

Publicado inicialmente pelo: http://br.sputniknews.com/



“O que está acontecendo na China nada mais é  do que o resultado de uma bem planejada  política econômica de Governo, produzindo os efeitos esperados.”

A afirmação é do professor do Insper, Roberto Dumas, mestre em Economia da China pela Universidade de Fundan e em Economia Mundial pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra.

Profundo conhecedor da economia chinesa, o Professor Roberto Dumas garante que os fatos registrados na China na segunda-feira, 4 (desvalorização da moeda nacional, o yuan, e quedas simultâneas nas duas Bolsas de Valores, de Shangai e Shenzhen), só surpreenderam quem não está ciente das decisões das autoridades chinesas.

“O Governo do Presidente Xi Jinping e do Primeiro-Ministro Li Kekiang decidiu que a China, neste momento, deve priorizar o consumo interno para escoar a sua enorme produção. Por isso, o Governo optou pela desvalorização do yuan e pela diminuição das atividades em suas Bolsas – e até mesmo pela redução do crescimento do PIB. Aquela fase do PIB crescendo a dois dígitos acabou. Em 2015, a China cresceu menos de 7%, e não vou me admirar se em 2016 seu crescimento econômico ficar na casa dos 6% a 6,5%. E assim será nos anos subsequentes.”

Ao contrário do que pensam muitos analistas – de que a China vive uma crise –, Roberto Dumas afirma que o que acontece naquele país “é subproduto de uma política pública, do próprio Governo chinês, que quer rebalancear o modelo de crescimento econômico, ou seja, parar de investir para tentar impulsionar cada vez mais o consumo doméstico”.

“Mas o chinês não consome muito? Sim, o chinês consome muito, só que ele produz ‘muito ao quadrado’. Para ele aumentar o consumo doméstico em relação ao PIB, é importante que o PIB cresça menos e o consumo aumente para que eles se encontrem no meio do caminho. Para se ter uma ideia, até 2008 esse excedente de produção geralmente era vendido para os Estados Unidos. Após a crise de 2008, como os EUA não têm mais interesse em comprar todo o excedente chinês, quem virou o 'darling' da China passou a ser o Brasil, ou seja, os chineses tentaram vender o excedente que não mais conseguiam vender para os EUA e passaram a vender tanto para o Brasil como para outros países da América Latina e alguns países da África. Só que não substituímos os EUA, e os chineses perceberam que não adiantava produzirem demais para um mundo que não quer mais tanto consumo, e resolveram produzir menos e consumir mais internamente para conseguir rebalancear a economia.”

O mestre em Economia da China explica:“Esta queda no crescimento da produção industrial chinesa era absolutamente esperada. É isso que o Governo quer: crescer menos para compensar a queda da exportação e aumentar o consumo doméstico. Não existe uma crise no consumo. Para se ter uma ideia, no Brasil o consumo, em relação ao PIB, representa 66%; e na China, 35%. Ou seja, na China eles produzem muito mais do que consomem e precisam de alguém para escoar esse excedente – e o mundo não quer mais esse excedente. Como a população doméstica não consegue consumir tudo que o país produz, vamos produzir menos. Por isso é que isso é um subproduto de uma política pública.”

O Professor Roberto Dumas conclui:
“A China vai continuar trazendo não surpresa, mas notícias negativas ao longo deste ano e do próximo. O crescimento vai ser menor. Aqueles dias em que a China crescia 10%, 11%, 12% absolutamente acabaram, e aí teremos impacto nas economias emergentes como Brasil, Peru, Chile, Colômbia, México, porque esses países basicamente são exportadores de commodities metálicas. Como a China quer investir menos do que investia, a demanda por commodities metálicas – minério de ferro, cobre, ouro, platina – tudo isso vai continuar caindo de preço.”

sábado, 26 de dezembro de 2015

Revolução Democrática de Tipo Novo e Mao Zedong

(Aos 122 anos do nascimento de Mao Zedong)

(Escrito em 27/12/2015)


Escrito por I.G.D.


Ontem, dia 26 de dezembro de 2015, fizeram exatos 122 anos do nascimento do camarada Mao Zedong, o grande dirigente da Revolução Chinesa de 1949, que foi proporcionalmente, a maior das revoluções de toda a história da humanidade, libertando um quarto da população mundial da dominação imperialista e do feudalismo, estes que entravavam o desenvolvimento da sociedade chinesa.
Mao Zedong desde jovem foi um patriota, que reconhecia que a China era um país oprimido por potências estrangeiras.
Após a Revolução Socialista de Outubro na Rússia em 1917, Li Dazhao, que foi um dos primeiros a difundir o marxismo na China, fez um discurso na Praça Tianmen em Pequim em defesa da grande revolução proletária que havia acontecido no país vizinho. Mao Zedong, que viu de perto o discurso de Li Dazhao, conclui que o único caminho para a emancipação completa da nação chinesa de todos os males que a corroíam, era o do marxismo e da revolução proletária. A partir deste momento, a Universidade de Pequim onde Li Dazhao trabalhava como professor e Mao Zedong como bibliotecário, passou a ser um foco da fermentação intelectual da futura Revolução Chinesa.
Estudando profundamente a sociedade chinesa e o marxismo-leninismo, o camarada Mao Zedong e mais 12 camaradas de diversos círculos marxistas se reuniram na concessão francesa de Xanghai e realizaram, no final de junho, o primeiro congresso do Partido Comunista da China (PCCh) que teve duração de uma semana. Em tal congresso, foi declarada a fundação do Partido Comunista da China, que tinha a tarefa de formar sindicatos e educar a classe operária.
Em 1927, o reacionário General Chiang Kai-shek leva a cabo um golpe de Estado, e coloca o seu antigo aliado da Expedição do Norte (1925-1926) (1), o Partido Comunista da China, na ilegalidade, e assim, dando início a um longo período de conflitos armados entre estas duas organizações.
Mesmo com a ausência do camarada Mao Zedong, que se encontrava com tropas guerrilheiras na região montanhosa de Jinggang, no sul do país, o Partido Comunista da China definiu, no VI Congresso do Partido(2) realizado entre 18 de junho e 10 de julho, que a China possuía um caráter semicolonial, pois o imperialismo dominava vastos setores de sua economia, entravando seu desenvolvimento e fazendo do grande país um exportador de matérias primas, uma zona de influência militar e política, uma esfera de investimentos de capital excedente e um grande mercado para seus produtos industrializados. Mao Zedong colocou concisamente em um de seus textos que “As potências imperialistas estabeleceram várias empresas industriais na China, ligeiras e pesadas, para beneficiarem diretamente das matérias primas e mão de obra barata, passando assim a exercer uma pressão econômica direta sobre a indústria nacional e a obstruir frontalmente o desenvolvimento das forças produtivas chinesas” (A Revolução Chinesa e o Partido Comunista da China, de Mao Zedong, 1939). E continua, alegando que “as potências imperialistas monopolizaram os bancos e as finanças da China, com empréstimos ao governo chinês e estabelecimento de bancos no nosso país. Assim, elas não só esmagavam o capitalismo nacional chinês na competição mercantil, mas também estrangulavam a China no domínio bancário e financeiro” (A Revolução Chinesa e o Partido Comunista da China, de Mao Zedong, 1939).
O caráter semicolonial, condicionava também, um caráter semifeudal do país, pois o imperialismo, para entravar o desenvolvimento e o progresso da sociedade chinesa, se apoiava nas sobrevivências do feudalismo para conter a industrialização da China. O camarada Mao Zedong nos explica que “As potências imperialistas converteram a classe dos senhores de terras feudais, ademais da classe dos compradores, no sustentáculo principal da dominação que exerciam sobre a China. O imperialismo “alia-se antes de mais a classe dominante da estrutura social antiga, senhores de terras feudais e burguesia comercial usurária, contra a maioria do povo. Por toda a parte (especialmente no campo) o imperialismo tenta preservar e perpetuar as formas pré-capitalistas de exploração, base de existência dos seus aliados reacionários. ” “...O imperialismo, com todo o seu poder financeiro e militar na China, é a força que apoia, inspira, fomenta e preserva as sobrevivências feudais, bem como toda a superestrutura burocrático-militarista” (A Revolução Chinesa e o Partido Comunista da China, de Mao Zedong, 1939).
Depois de dar destaque ao caráter semicolonial e semifeudal da China, o camarada Mao Zedong colocou que a revolução chinesa se divide em duas etapas históricas, sendo a primeira de nova democracia e a segunda socialista. O camarada Mao Zedong, colocou em seu texto “Sobre a Democracia Nova” de 1940, que as revoluções democrático-burguesas de velho tipo já não possuem cabimento nas atuais circunstâncias, onde o capitalismo já se encontra em sua etapa suprema e que as revoluções democrático-burguesas em países coloniais e semicoloniais iriam elas mesmas abalar a própria estrutura do imperialismo, (onde um pequeno punhado de países capitalistas exploram arduamente o resto do globo) e este, iria combate-las ferozmente. Na etapa do capital monopolista, portanto, as revoluções democrático-burguesas “já não são mais revoluções do tipo antigo, dirigidas pela burguesia no intuito de estabelecer uma sociedade capitalista e um Estado sob ditadura da burguesia. Elas pertencem ao tipo novo de revolução, dirigida pelo proletariado e visando, na primeira etapa, o estabelecimento duma sociedade de democracia nova e de um Estado de ditadura conjunta de todas as classes revolucionárias. Assim, tais revoluções servem realmente o objetivo de rasgar um mais amplo caminho ao desenvolvimento do socialismo” (Sobre a Democracia Nova, de Mao Zedong, 1940). Ou seja, tal etapa de “Democracia Nova”, terá um Estado dirigido por todas as classes revolucionárias com o proletariado encabeçando-as, e assim este último estará em uma posição vantajosa para lutar pela transição ao socialismo.
O estudo da luta revolucionária, democrática e anti-imperialista, levada a cabo pelas massas chinesas dirigidas pelo Partido Comunista da China e pelo camarada Mao Zedong, são essenciais e devem servir de base de luta para todos os povos, não apenas da Ásia, mas também da África e da América Latina, em especial o Brasil.
Os vinte e dois anos entre 1927 e 1949 foram um período de prolongados e violentíssimos enfrentamentos armados que forjaram e transformaram, não apenas o grande timoneiro e camarada Mao Zedong, mas também o Partido Comunista da China, este último em um partido tão forte e tão unido organicamente como nenhum outro na história; transformaram o Partido Comunista da China na organização comunista mais experiente já vista, tanto em questões políticas como militares.

O estudo do pensamento de Mao Zedong se faz necessário para todos aqueles que se dizem comunistas!
Viva ao Partido Comunista da China e a Revolução Chinesa!
Viva ao camarada e Presidente Mao Zedong!


Notas:
(1). A Expedição do Norte (1925-1926) que estava sendo posta em prática pelo Exército Nacional Revolucionário, dirigido pelo Kuomintang e pelo Partido Comunista da China, foi uma ação que tinha como finalidade combater os senhores de terra chineses (conhecidos também como “Senhores da Guerra”) da região norte do país. Em um curto espaço de tempo e com o apoio da população local, os exércitos privados dos senhores Wu Peifu e de Sun Chuangfang foram derrotados, resultando na conquista de quase metade do país.
(2). Uma estatística interessante e que foi apresentada no Congresso, foi que, desde março de 1927, até a primeira metade de 1928, o Kuomintang assassinou 310 mil elementos que constituíam o Partido Comunista e as massas populares revolucionárias.


Referências:
- Enlai, Z. Eliminar Resolutamente do Partido toda a Ideologia Não Proletária (1928). Obras Escolhidas, vol. I.
- Suyin, H. China no ano 2001. Zahar Editores, 1968.
- Zedong, M. A Revolução Chinesa e o Partido Comunista da China (1939). Obras Escolhidas, vol. II.
- Zedong, M. Sobre a Democracia Nova (1940). Obras Escolhidas, vol. II.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

N.D.F.: Mais seis frentes guerrilheiras foram formadas em Mindanao

Escrito por Zea Io Ming C. Capistrano

(De davaotoday.com)
Traduzido por I.G.D.



A Frente Nacional Democrática das Filipinas (National Democratic Front – N.D.F.) disse que a revolução continua a avançar na ilha de Mindanao, mesmo com a implantação por parte do governo de 60 por cento de suas forças armadas na região.
A N.D.F. é o braço político do Partido Comunista das Filipinas (Communist Party of Philippines - C.P.P.), que estará celebrando seus 47 anos de existência neste próximo sábado.
A Guerra popular prolongada, dirigida pelo Partido Comunista das Filipinas, é apontada como a insurgência de mais longa duração em toda a Ásia.
Ka Oris, porta-voz da Frente Nacional Democrática das Filipinas em Mindanao disse, em um documento, que a operação de contra insurgência do governo, chamada Oplan Bayanihan (O.P.B.), implantou “60 batalhões ou 60 por cento de suas forças armadas em Mindanao”. Sessenta por cento do total das posições militares estão implantadas nas áreas de atuação do Novo Exército Popular (New People’s Army – N.P.A.), disse Ka Oris.
“Além disso, há também a Polícia Nacional das Filipinas, “Unidades de Cidadãos Armados” e outros grupos paramilitares como o BULIF, Alamara, Gantangan, Bagani, Magahat, Grupo de Calpet, entre outros. Tais grupos levam a cabo ferozes e sujas táticas terroristas a fim de atacar o povo e fazer frente a oposição armada e não-armada”, disse ele.
De 40 frentes guerrilheiras durante o primeiro ano da gestão de Benigno Aquino III em 2010, a Frente Nacional Democrática das Filipinas coloca que as forças do Novo Exército Popular se expandiram para 46, estas espalhadas em cinco regiões.
A N.D.F. disse que nenhuma frente foi desmantelada. Esta apresentou que fora as 200 cidades e municípios onde eles atuam, operavam também em 1.850 aldeias no ano de 2010; hoje, o número de aldeias aumentou para aproximadamente 2.500.
“Um terço dessas áreas são áreas consolidadas, enquanto que várias outras destas estavam sob a direção de órgãos de poder político ou do governo popular democrático de massas a nível de bairro e outras a níveis de cidade ou vila”, manifestou Ka Oris.
As bases de massas do Novo Exército Popular cresceu de 130.000 em 2010, para 200.000 nos dias atuais. Ka Oris alegou que suas bases de massas populares facilitam as manobras de tropas do N.P.A. nas áreas rurais e fornecem uma base sólida para o partido e o N.P.A. recrutarem novos combatentes, que irão ajudar no lançamento das campanhas populares.
Ka Oris alegou que o aumento das formações do N.P.A. também levou a um aumento dos números de ofensivas táticas levadas a cabo em Mindanao.
Ele disse que houveram crescimentos anuais das ofensivas táticas: 250 em 2010, 350 em 2011, 400 em 2012, quase 400 nos anos de 2013 e 2014, e quase 500 neste ano.
Ka Oris citou algumas das maiores ações militares incluindo o assalto contra o exército privado do Prefeito Joselito Brillantes Jr., de Monkayo, em abril de 2014, onde foram apreendidas 74 armas de fogo.
Outras operações de sucesso, segundo Ka Oris, foram o assalto ao quartel general da Polícia Nacional das Filipinas em Tigbao, Zamboanga del Sur, Don Victoriano, Misamis Ocidental, and Alegria, Surigao del Norte; o assalto contra o Organização Comunitária do Exército para a Paz e Desenvolvimento nas cidades de Gingoog, Tandag City e San Fernando, em Bukidnong; a incursão contra um destacamento do Exército-Cafgu em Binicalan, San Luis, Agusan Del Sur; em Balingasag, Misamis Oriental, e Banay-banay em Davao Oriental; e a punição contra três grandes companhias mineradoras em Taganito, Claver, Surigao Del Norte, e a plantation de Del Monte Phils em Bukidnon.
A N.D.F. também pronunciou que o N.P.A. executou um equivalente a um batalhão das forças armadas só neste ano, em Mindanao.
“Nós não incluímos ainda aqueles que ferimos em combate, enquanto que, as baixas por parte do N.P.A. foram apenas algumas”, disse Ka Oris.
Oris disse que o N.P.A. também capturou 61 prisioneiros de guerra somente em Mindanao, durante a gestão de Benigno Aquino III.
Entretanto, o comandante do exército nacional no Leste de Mindanao, o Major General Rey Leonardo Guerrero, declarou a causa do N.P.A. como irrelevante, citando o desenvolvimento dos esforços do governo nas regiões camponesas.
Defensores da paz vem pedindo ao governo e ao N.D.F. para retomar as negociações de paz formais.
“Que esse tempo de esperança inspire ambas as partes para que quebrem este muro de inimizade, e se engajem em negociações para pôr fim ao conflito armado que ocorre há décadas no país”, disse a Plataforma Filipina de Paz Ecumênica em um documento na quinta-feira passada.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

República Democrática do Kampuchea: um resumo histórico

Por Clóvis Manfrini Souto Calado

(Publicado inicialmente pelo http://www.novacultura.info/)


 Em 1989, no auge da derrocada dos países socialistas que – erradamente – caminhavam na estrada esburacada do revisionismo, as tropas do Vietnã finalizam a ocupação dez anos antes e que pôs fim a uma das experiências mais independentes e radicais da construção do socialismo: a República Democrática do Kampuchea.



O Camboja (Kampuchea)
No primeiro século até o século V de nossa Era, o Camboja (Kampuchea na língua khmer) fazia parte do grande Estado de Fu-nan. A partir do século VI o reino de Chen-la (conhecido com o a terra dos cambuja) sucede o antigo Estado. O reino de Angkor surge por volta do ano 800 e existirá até 1450. Durante o desenvolvimento desse período Angkor várias guerras por disputas territoriais existiram. Ao Norte com o reino de Sião (atual Tailândia) e ao sul com o Vietnã. Essas guerras foram mais cruentas com a chegada do século XIX e a entrada de portugueses e holandeses nos conflitos. As disputas coloniais estavam em jogo.

O estágio colonial francês tem início em 1863, graças a acordos do monarca cambojano Norodom com o Governo da França. Em 1887, o Camboja passa da condição de protetorado da França para ser membro da União Indochina (uma grande colônia francesa que abrigava, além do Camboja, Vietnã, Laos e Tailândia). A independência do Camboja se dará somente em 1953 depois de décadas de reivindicações nacionalistas. Norodom Sihanouk abdica o trono em favor do pai (Norodom Suramarit) e funda o Partido Sangkum (nacionalista). O Sangkum elege toda a bancada parlamentar nas primeiras eleições pós-independência e – após a morte do pai (em 1960), Sihanouk se torna chefe de Estado e de Governo (sem reivindicar o título de rei). Sihanouk é derrubado por um Golpe patrocinado pelos Estados Unidos em 1970.

Nas lutas pela independência, o Partido Revolucionário do Povo Khmer (comunista), que surge no começo da década de 1950 após a divisão do Partido Comunista da Indochina em partidos regionais (Camboja, Vietnã e Laos), é o que mais se destaca. Nas eleições de 1955, já que estava clandestino o PRPK, os comunistas cambojanos fundam uma legenda legal (Krom Pracheachon) para participar do processo. O partido recebe 4% dos votos, embora não consiga nenhuma cadeira no parlamento todo dominado pelo Sangkum. Perseguidos por Sihanouk (que apelidou de forma pejorativa o povo khmer que lutava bravamente de “khmer vermelho”) o PRPK racha logo após as eleições. Dois grupos, o “urbano” (liderado por Tou Samouth) e o “rural” (liderado por Sieu Heng), passam a promover conflitos internos. A tendência “urbana” (apoiada pelo Partido Comunista do Vietnã) defendia a posição de apoio ao que chamavam de “príncipe progressista” (Sihanouk); a “rural”, ao contrário, adotava a posição de guerra popular para derrotar o que chamavam de “senhor feudal” o mesmo príncipe. O líder Sieu Heng passa para o lado inimigo e colabora com a repressão, destruindo cerca de 90% da organização no campo. Apenas algumas centenas de comunistas ligados a facção “rural” permanecem atuando na capital Phnom Penh.

Um grupo de estudantes comunistas cambojanos, que viviam na França, já se organizavam. Esses comunistas ainda não tinham muitas ligações com o confuso PRPK e em setembro de 1960 (após anos de clandestinidade) organizaram um Congresso e fundaram o Partido dos Trabalhadores do Kampuchea. Dos 21 líderes que participaram desse Congresso de formação, 14 faziam parte da antiga facção “rural” e eram profundamente antivietnamitas. Formou-se um Comitê Central e Tou Samouth torna-se secretário-geral. Pol Pot (fora um dos líderes estudantis que formaram o Círculo Marxista na França) torna-se o terceiro nome no Partido e fazia parte da linha “rural”. Em 1962, após o assassinato de Samouth pelo Governo cambojano, Pol Pot assume o poder e é eleito secretário-geral durante o Segundo Congresso do PTK.

O novo dirigente deixa a capital e conduz cerca de 100 militantes para o campo, na Província de Ratanakiri (noroeste do país), formando uma base insurgente. A maioria dos dirigentes do PTK desertou antes e foram presos pelo regime de Sihanouk. Em 1965, Pol Pot viaja e passa o ano recebendo formação no Vietnã do Norte (socialista) e na China. O Governo chinês mantinha boas relações com Sihanouk, no entanto fez segredo dessa “visita” de Pot para treinamentos. Entre 1967 tem início a guerra popular comandada pelo ainda PTK, com poucos êxitos. A escalada nacional de guerra civil se daria somente a partir de 1968. As forças guerrilheiras eram denominadas de Exército Revolucionário do Kampuchea (ERK). Em 1971 o PTK muda de nome e surge o Partido Comunista do Kampuchea. A nova denominação ficou em segredo entre os dirigentes comunistas kampucheanos e a China Popular.

Em 18 de março de 1970, um Golpe patrocinado pelos Estados Unidos derruba o Governo do príncipe Sihanouk e uma Junta Militar (liderada por Lon Nol) assume o poder. A União Soviética imediatamente reconhece o novo Governo. Antes desse Golpe, os Estados Unidos – que estavam massacrando os vietnamitas numa Guerra assassina – já entravam em território cambojano para combater as tropas do Vietnã do Norte.

Os milhões de mortos cambojanos
A justificativa para a invasão do Kampuchea em 1979 pelos invasores vietnamitas foi o “genocídio promovido pelos khmers vermelhos”. Esta falsificação histórica é mais uma das muitas que pontuam a história escrita pela burguesia para tentar manchar as revoluções populares e socialistas ao longo do tempo. Desde 1871 (com a Comuna de Paris) que a burguesia calunia socialistas e comunistas e lhes pinta de assassinos e genocidas, quando – na verdade - os assassinos e genocidas da humanidade ao longo do tempo são as classes dominantes. Nestas contas absurdas, feitas muitas vezes em redações de jornais da burguesia, Lênin e Stálin “mataram” 70 milhões e Mao ultrapassou a casa dos 100 milhões. Cifras absurdas que deixam os mais atentos desconfiados. No caso da União Soviética até hoje se propaga a farsa dos “milhões de soviéticos mortos por Stálin”. Tudo não passa de uma mera visão reduzida da História e uma maneira de manipular as massas através da contrapropaganda e colocá-las contra o socialismo.

No Camboja, esta matança realmente existiu, e foram – provavelmente – mais de 1 milhão de cambojanos assassinados. No entanto, os assassinos não foram camponeses pobres que empunham fuzis e viviam com econômicas rações de arroz para sobreviver e uma vida de total entrega à causa revolucionária. Os assassinos do povo cambojano (a maioria camponeses e trabalhadores pobres) foram os agressores ianques. O Camboja foi – até hoje – o país mais bombardeado da História. Estes criminosos bombardeios, falsamente justificados para conter o avanço das tropas do Vietnã do Norte que atravessavam a fronteira cambojana, tiveram início em 18 de março de 1969. Esta primeira fase de agressão matou cerca de 1 milhão de cambojanos (a maioria mulheres e crianças) e deixou mais de dois milhões de cambojanos refugiados (muitos desses morreram em consequências da fome e de sequelas das bombas jogadas pelos assassinos ianques).

Ainda em 1969, antes da derrubada do Governo Sihanouk e mesmo com sérias divergências pelo caráter burguês do príncipe, o PTK inicia conversações com forças antiimperialistas e funda a Frente Nacional de Libertação (liderada por Kieu Shampan e Pol Pot, do PTK e pelo príncipe Sinahouk que após o Golpe passa a viver na China e auxilia a guerra popular agindo como relações exteriores, conseguindo recursos e armas para o movimento).

Durante os anos de luta guerrilheira, Kieu Shampan organiza uma Conferência com os partidos comunistas do Laos, Vietnã do Norte, FLN do Vietnã do Sul (vietcongs) e FNL do Camboja. Nesta Conferência é denunciado o genocídio cometido pelos ianques contra o povo cambojano. É daí que os inimigos do socialismo se apoderaram das informações sobre o assassino em massa e mudam as autorias dos crimes, passando a culpar membros do PTK. A falsificação histórica estava feita. A partir dessa Conferência o Ocidente passa a atribuir ao “assassino Pol Pot” os mais de “três milhões de mortos” do Camboja. Essa versão fantasiosa ganhou popularidade após o livro-reportagem do jornalista ianque (do The New York Times) Sidney Schanberg. O livro A Morte e Vida de Dith Pran, baseado em depoimentos de seu amigo e médico cambojano Dith Pran. Um depoimento um tanto suspeito, já que o médico consegue “fugir” do Kampuchea e chegar aos Estados Unidos onde seria um famoso repórter do TNYT. Hoje é um dos ativistas mais anticomunistas que existem e faz palestras para relembrar o “genocídio cometido pelos marxistas cambojanos”. Pran não passa de um agente muito bem pago (diga-se de passagem) pelo imperialismo norte-americano.

Os revolucionários da FNL chegam a Phnom Penh em 17 de abril de 1975 e o Exército do Governo títere de Lon Nol se rende. Antes de deixar a capital, as forças anticomunistas e revisionistas destroem documentos que comprovam mais crimes contra o povo cambojano cometidos por Lon Nol e pelos Estados Unidos, crimes silenciados pelos embaixadores da União Soviética e da RDA.

É fundada a República Democrática do Kampuchea.

Uma revolução profunda e original
Muitos marxista-leninistas, ainda hoje, não tem boa vontade em compreender a experiência socialista do Kampuchea Democrático. Ignoram os aspectos culturais, sociais e econômicos e – principalmente - o contexto histórico da luta antiimperialista e socialista liderada pelo Partido Comunista do Kampuchea. A decisão do PCK foi de total independência e se posicionou contra qualquer forma de copiar modelos de outras experiências revolucionárias e também de não depender somente da ajuda estrangeira era uma das regras da direção comunista. Tinham, é fato, se baseado na forma de luta da guerra popular, mas, sem deixar de lado as características particulares do Camboja.

As decisões que causam certos preconceitos (mesmo entre marxista-leninistas) são profundas e radicais, como por exemplo, a abolição do dinheiro (aliás, um fetiche segundo Marx) e o deslocamento da maioria da população urbana para o campo. No caso desta última medida, o novo Governo de construção socialista não tinha condições materiais para – de imediato – reconstruir as cidades que foram duramente bombardeadas pelos norte-americanos e decidiu que a maioria do povo seria deslocado para regiões rurais onde poderiam ter mais segurança no caso de novos ataques ianques. Em 1975, mesmo com o fim da Guerra do Vietnã, quem garantia que os Estados Unidos não voltariam a atacar a região utilizando inclusive artefatos nucleares? Este era o temor da liderança comunista. Em 1978 o jornal sueco Dagem Nyveter, em uma longa reportagem, afirmou que “em apenas três anos após o fim da guerra, a nação estava se alimentando e exportando o excedente de arroz”. Assim, o plano de reconstruir o país arrasado pelas bombas norte-americanas estava dando certo e o país já se recuperava da fome que o povo cambojano foi submetido desde o início das agressões do imperialismo. Na questão da abolição do dinheiro, foram criados bônus que correspondiam ao tempo de trabalho realizado para trocas de víveres, serviços e vestimentas nas cooperativas estatais. Também foram construídas milhares de novas habitações para o povo, confortáveis, diferentes das antigas construções cobertas de palha.

Outro interessante depoimento é do jornalista norte-americano Malcom Caldwell que esteve no país em dezembro de 1978 e, após investigar pessoalmente a experiência socialista kampucheana, teceu vários elogios sobre o que se passava de fato lá.  Misteriosamente, este jornalista foi assassinado por agentes ligados ao Vietnã (consequentemente ligados à agentes soviéticos). O jornalista foi testemunha da experiência totalmente nova que estava sendo posta em prática naquele momento.

A invasão vietnamita
O Vietnã, após a independência da Indochina, se achou no direito de ser o legitimo herdeiro da colônia francesa e passou a provocar atritos de fronteiras com o Camboja. Quando o PCK conseguiu formar o Governo revolucionário, a independência e a decisão dos dirigentes do Kampuchea Democrático em não aceitar intervenções e modelos impostos por outras nações socialistas causou um mal-estar no Vietnã Socialista. É bom destacar que neste período, 1975, as tensões entre URSS e China Popular ainda eram altas. O socialismo na URSS estava atravessando uma profunda crise (econômica e ideológica), instalada após a subida ao poder do revisionista e quinta-coluna Nikita Kruschev e agravada com a chegada do também revisionista Leonid Brejnev. A China, com Mao ainda no Poder, apoiava a luta khmer e oferecia ajuda militar aos kampucheanos para resistir. Mesmo com todas as dificuldades de um país atrasado economicamente e arrasado pelas milhões de bombas imperialistas jogadas em seu território o povo kampucheano em sua imensa maioria apoiava o novo regime.

Em fins de 1978 o Vietnã patrocinou a criação de um movimento de “resistência”, a Frente de Libertação Nacional. Na verdade, esta “resistência” ao PCK era formada por agentes de Hanói com ajuda da URSS e da República Democrática Alemã. A invasão ao território kampucheano, após meses de provocação nas fronteiras Kampuchea/Vietnã, se deu em 1º de janeiro de 1979. A máquina de Guerra vietnamita – com tanques soviéticos de última geração e caças Mig 21 (também de fabricação soviética) – não permite ao pequeno e ainda mal equipado Exército Revolucionário do Kampuchea (ERK) uma resistência efetiva. Sete dias após o início da invasão vietnamita, a capital Phnom Penh cai e o ERK (juntamente com o PCK) decide recomeçar uma guerra popular e formar colunas guerrilheiras em regiões montanhosas na fronteira com a Tailândia. O Vietnã cria uma República Popular do Camboja e forma um fictício “Partido Comunista do Camboja”. O país passa a ser dirigido por um ex-dirigente do PCK, Heng Samrin (ex-oficial de baixa patente do ERK). 200 mil soldados vietnamitas passam a ocupar oficialmente o Camboja.

Um depoimento esclarecedor sobre essa invasão e sobre os progressos atingidos pelo Governo do PCK foi dado pelo jornalista sueco Jan Myrdal. Myrdal, em seu livro “Kampuchea, 1979”, descreve o fim da fome no país, a reconstrução das ferrovias, o reparo nas comunicações (principalmente telefonia) e a construção de milhares de casas para a população que antes vivia em choupanas. O jornalista também fala das escolas que visitou e os vários livros que viu publicados no país. Segundo Myrdal, qualquer um podia ver esse progresso.

Em 1980, as forças anti-vietnamitas se unificaram e formaram um Governo tripartite com Sihanouk presidente e Kieu Samphan como vice. Esse Governo funcionava desde a China (onde Sihanouk vivia exilado). A luta durou até a queda do Governo títere vietnamita em 1989. O país muda de nome mais uma vez em 1993 e restaura a monarquia com a volta de Sihanouk ao poder (que abdica e passa a seu filho a liderança). O PCK ainda lutava por volta de meados dos anos de 1990, no entanto, debilitado e perseguido, Pol Pot é encontrado morto em sua modesta residência no campo após ser preso pelos próprios companheiros.

A desinformação sobre a experiência socialista no Kampuchea Democrático ainda é grande. A intelectualidade burguesa exerce uma força gigantesca e influencia setores da esquerda (muitos marxistas-leninistas inclusive) no sentido de caluniar Pol Pot e fazer dele um monstro. Erros foram cometidos, sem nenhuma dúvida, mas, não na dimensão que querem fazer crer os hipócritas e verdadeiros criminosos que diariamente caluniam sobre o movimento comunista. Chegará o dia em que a verdade será mostrada às massas e todos estes caluniadores a serviço da burguesia serão julgados pelo povo.


Referências:
- Chomsky, Noam e Herman, Edward S. Os guardiões da liberdade. Grijalbo Mondadori.
- Kampuchea democrática (em www.maoistasbolivianos.blogspot.com.br).
- Enciclopédia Barsa Universal, Volume 4, Editora Planeta, 2009.