domingo, 21 de maio de 2017

Joma Sison: "Construindo o Exército Popular e travando a Guerra Popular"

Por José Maria Sison, Presidente fundador, do Partido Comunista das Filipinas a 30 de março de 2014

Traduzido do inglês para o português pelo novacultura.info



Camaradas e Amigos:

Eu gostaria de expressar minhas saudações em solidariedade à todos vocês nesta reunião cultural e informativa organizada pelo Escritório Internacional da Frente Nacional Democrática das Filipinas (FNDF) para celebrar os 45 anos de fundação do Novo Exército Popular (NEP) pelo Partido Comunista das Filipinas (PCF).

Estou profundamente contente e muito honrado por ser convidado para falar sobre a construção do Novo Exército Popular e sobre o lançamento da guerra popular nas Filipinas. Desejo compartilhar com vocês informações básicas e ideias sobre o seguinte: primeiro, as circunstâncias e razões para a fundação do NEP, segundo, o crescimento e as vitórias na guerra popular, e as perspectivas da guerra popular.

Com alegria sem limites, me lembro como presidi a fundação deste exército revolucionário do povo filipino em 29 de março de 1969 na capacidade de Presidente do Comitê Central do PCF e da sua Comissão Militar. Esta é uma época de dar as mais altas honrarias aos mártires e heróis e de parabenizar todos os comandantes e combatentes Vermelhos por todas as vitórias conquistadas atráves do trabalho duro, sacrifícios e da luta implacável.

Demos uma especial saudação Vermelha para os Camaradas Benito Tiamzon e Wilma Austria pelos seus longos serviços ao povo filipino e à nova revolução democrática. Eles contribuíram grandemente para o crescimento e avanço das forças revolucionárias do povo. Eles são consultores de campo sênior da FNDF nas negociações de paz entre o governo de Manila e a FNDF. Nós exigimos suas solturas imediatas conforme o Acordo Conjunto sobre Garantias de Segurança e Imunidade aprovado mutualmente desde 1995 pelas partes mencionadas acima.

Circunstâncias e Razões para a Fundação do NEP
Desde a revolução filipina de 1896, o povo filipino tem lutado pela libertação nacional e social contra a dominação estrangeira e feudal. Mas desde que os EUA derrotaram a república Filipina na Guerra Filipino-Americana que começou em 1899, o povo filipino tem sido sujeitado mais uma vez à dominação estrangeira e feudal e tem repetidamente buscado completar a luta pela independência nacional e pela democracia.

A formação do Hukbo ng Bayan Laban sa Hapon [Exército Anti-japonês] em 1942 resultou nas mais sérias lutas do povo para libertar-se da ocupação fascista japonesa durante a Segunda Guerra Mundial e do governo títere dominado pelos EUA até o início dos anos 1950. Porém graves erros oportunistas da liderança do velho partido de fusão dos partidos comunista e socialista os levou à derrota. A retificação destes erros de 1966 em diante pavimentaram a estrada para o restabelecimento do Partido Comunista das Filipinas em 1968 e a fundação do Novo Exército Popular em 1969.

Desde 1946, quando os EUA garantiram a independencia nominal, o sistema em vigor nas Filipinas se tornou politicamente semicolonial; i.e. governado indiretamente pelos EUA através de seus agentes políticos filipinos. Manteve seu caráter economicamente semifeudal; i.e. diretamente mantido pela grande burguesia compradora e a classe latifundiária e seus agentes políticos em colaboração com os EUA e outros capitalistas monopolistas estrangeiros.

O povo filipino aspira se libertar da opressão e exploração. Assim, o PCF lançou a linha geral da revolução popular democrática através da guerra popular prolongada. Esse programa busca alcançar a independência nacional e a democracia, justiça social, reforma agrária e a industrialização nacional, uma cultura nacional, científica e de massa, solidariedade internacional e paz.

A classe operária é a classe conducente nos estágios democrático e socialista da revolução. O campesinato é a principal força da revolução e demanda a revolução agrária. Ele serve como a maior fonte de pessoal e inextinguível base fonte para o exército popular e a guerra popular. Providencia o mais amplo terreno físico e social para o exército popular se manobrar contra o inimigo na extensão do campo.

A luta armada é a principal forma de luta revolucionária. Ela responde à questão central da revolução, que é a tomada do poder político. Mas a frente única é também uma importante arma da revolução. A aliança operário-camponesa básica é a fundação de tal frente única, que inclui a pequena burguesia urbana como mais uma aliada revolucionária básica e mais além sobe à bordo a burguesia nacional como uma positiva porém vacilante aliada. Sob as dadas circunstâncias, a frente única pode ser ampliada ainda mais a fim de aproveitar as divisões entre os reacionários e assim agravar e acelerar o isolamento e a destruição do inimigo.

O NEP executa a linha estratégica da guerra popular prolongada, o que significa cercar as cidades pelo campo e acumular força até que as condições estejam maduras para a tomada das cidades numa escala nacional. Esta linha estratégica é de uma importância decisiva. Permite que o NEP e outras forças revolucionárias do povo cresçam de pequenas à grandes e de fracas à fortes. Evita uma guerra de decisão rápida que favoreça as forças inimigas muito superiores militarmente.

Numa guerra popular prolongada, o NEP tem a chance de desenvolver-se em estágios. A princípio, toma uma estratégia defensiva contra a estratégia ofensiva do inimigo mas lança a guerra de guerrilha, realizando ofensivas táticas que podem vencer até que se tenha acumulado força o suficiente para colocar o inimigo em um impasse estratégico. Através da combinação de guerra móvel regular e guerra de guerrilha durante o impasse estratégico, ele pode destruir as forças inimigas mais rápido e alterar o equilíbrio de forças até botar o inimigo em defesa estratégica e alcançar a ofensiva estratégica.

Ao executar a guerra popular, o NEP integra a luta armada com a revolução agrária e a edificação de base de massa. Ganha o suporte inextinguível do campesinato só por executar a revolução agrária. O cumprimento da demanda campesina pela terra é o principal conteúdo da revolução democrática. A base de massa da revolução também deve ser construída formando organizações de massa, os órgãos de poder político e as ramificações locais do PCF. Assim, de onda em onda, o governo popular democrático dá lugar ao poder do Estado reacionário.

A revolução agrária é feita em dois estágios. O primeiro é o programa mínimo de reforma agrária, que envolve a redução do aluguel, eliminação da usura, salários justos para os trabalhadores da terra, preços justos pelos produtos na porteira e aumento da produtividade na agricultura e ocupação secundária através de uma cooperação rudimentar. O segundo é o programa máximo de reforma agrária, que envolve o confisco das terras dos latifundiários e distribuição igual da terra para os agricultores sem-terra. A frente única antifeudal conta principalmente com os camponeses pobres e trabalhadores agrários, ganha o campesinato médio e toma vantagem das divisões entre os latifundiários para isolar e destruir o poder dos líderes déspotas.

Os órgãos locais de poder político constituem o governo popular democrático e são estabelecidos no bairro, município e níveis superiores possíveis. Os comitês revolucionários dos bairros são assistidos por comitês de trabalho preocupados com a organização de massa, educação pública, reforma agrária, produção, assistência de saúde, defesa, arbitragem, atividades culturais e assim por diante. São apoiados pelas organizações de massa dos operários, camponeses, mulheres, jovens, crianças, ativistas culturais e assim por diante na implementação dos programas sociais, campanhas e atividades. O braço local do PCF que surge da base de massa local toma a frente no trabalho de massa e no governo.

Crescimento e Vitórias do NEP
Sob a liderança do PCF, o NEP e outras forças revolucionárias do povo perseveraram, cresceram em força e ganharam grandes vitórias desde a fundação do NEP em 1969 pois eles têm uma causa revolucionária justa, a qual é a libertação nacional e social do povo dos terríveis flagelos do imperialismo, feudalismo e do capitalismo burocrático. Eles possuem um programa claro da revolução popular democrática, a estratégia correta, as táticas e uma perspectiva socialista definida.

Começamos o NEP a partir do zero no segundo distrito de Tarlac em 1969. Tinhamos somente 9 fuzis automáticos e outras 26 armas de fogo inferiores para rodar entre 60 combatentes vermelhos os quais demos o treinamento político-militar. Mas nós eramos confiantes. Tinhamos um partido que estudou avidamente o Marxismo-Leninismo, a experiência revolucionária do povo filipino, os ensinamentos do Camarada Mao Tsé-tung e os escritos dos camaradas vietnamitas sobre construir um exército popular e travar a guerra popular. Nos beneficiamos da exeperência de guerrilha e base de massa de 80.000 pessoas em Tarlac bem como de todos os movimentos de massa baseados urbanamente que nós reunimos e revitalizamos.

Nós antecipamos que Tarlac se tornaria o foco do ataque inimigo assim que nós lançássemos ofensivas táticas na guerra popular. Assim, nós reconhecemos imediatamente a necessidade urgente de quadros de expansão para começar a revolução em tantas outras regiões e províncias o quanto antes. Demos treinamento político-militar à alguns quadros de expansão para certas províncias no Vale Cagayan, Luzon central, Tagalog sul, Bikol e Visayas ocidentais. No período de 1969-72 (antes do período da lei marcial), os esforços para as expansões mais bem-sucedidos foram em Vale Cayagan, especialmente em Isabela.

Em 1969-71, em menos de dois anos, fomos capazes de aumentar o número de fuzis do NEP para 200 através de ofensivas táticas em Tarlac e quase capturamos outros 200 fuzis do arsenal de Camp O’Donnel da Marinha estadunidense. Fomos muito bem-sucedidos no programa mínimo de reforma agrária e em melhorar a moradia de muitas pessoas. Já em 1969, Marcos organizou a Força Tarefa Lawin, com a força total de 5000 tropas militares e policiais.

Em 1971 o Comitê Central do PCF trocou seu quartel general para Isabela para direcionar o rápido crescimento da base de massa (já por volta das 200.000 pessoas), a campanha de reforma agrária, o treinamento político-militar acelerado dos quadros de expansão para o norte de Luzon e outras regiões do país e a intensificação da luta armada com um crescimento significante de fuzis das incursões bem sucedidas ao arsenal da Academia Militar Filipina em dezembro de 1970. O regime de Marcos formou a Força Tarefa Saranay com muitos batalhões em Isabela após o inimigo ter notado o uso de fuzis automáticos Browning capturados na incursão à AMF.

Além de desenvolver a revolução em uma região de importância estratégica, o maior valor gerado pela construção das bases e zonas de guerrilha em Isabela foi o treinamento político-militar e a experiência da guerra de guerrilha e o trabalho de massa prestado aos sindicalistas e jovens ativistas que vieram de cidades de todo o país, agradecimento especial ao Kabataang Makabayan e o Primeiro Quarto de 1970. No início de 1972, um número significante de quadros de expansão fluíram para novas áreas de expansão nacionalmente, incluindo o resto do nordeste de Luzon, noroeste de Luzon, Luzon central, sul de Tagalog, Bicol, Visayas e Mindanao.

Já em 1970, o PCF já estava formando comitês regionais do Partido para começar a guerra popular em suas respectivas regiões, com a assistência de organizações de massa. Tais comitês regionais deram o seu melhor e se tornaram cada vez mais bem-sucedidos enquanto acumulavam experiências e somavam lições, incluindo as amargas, e enquanto eram reforçados por quadros e combatentes que tiveram treinamento político-militar e experiência de guerrilha de Tarlac e Isabela. Consequente à suspensão do habeas corpus em 1971 e a declaração de lei marcial em 1972, números significantes de sindicalistas e ativistas da juventude se juntaram ao exército popular.

Quando Marcos declarou lei marcial, ele afirmava que o NEP tinha 10.000 combatentes mas de fato só havia por volta de 350 fuzis nas mãos dos combatentes do NEP, excluindo a milícia do povo e unidades de autodefesa das organizações de massa. Um número relativamente grande de quadros nacionais foram liberados de funções administrativas clandestinas em 1974 para integrar o exército popular e conduzir o trabalho rural de massa. Em dezembro de 1975 o país estava coberto por comitês regionais do PCF relativamente estáveis e comandos regionais do NEP.

As duas companhias que foram isoladas na região florestal de Isabela desde 1972, por causa de uma decisão errada do comitê regional do Partido, marcharam em direção à província de Cagayan em 1975. O NEP em Visayas orientais começou a executar ofensivas de guerrilha de um pelotão e estas ficaram mais frequentes de 1976 em diante. O NEP cresceu firmemente no noroeste de Luzon, sul de Tagalog, Bicol e Visayas ocidentais. Expandiu rápidamente em Mindanao. Foi o primeiro uso da frente de guerrilha de termo para definir a combinação de bases de guerrilha e zonas numa área contígua. O Comitê Central do PCF adotou o uso da guerrilha de termo e instruiu o Comitê Partidário de Mindanao à dividir a grande região em várias regiões em 1976.

Depois da Plenária de 1975 e a subsequente execução de ofensivas de guerrilha por toda a nação, se tornou claro que tanto o PCF e o NEP eram verdadeiramente forças amplamente nacionais com raízes profundas entre as massas nas regiões e províncias. Chegou ao ponto em que as forças do NEP podiam suportar ataques inimigos concentrados em uma frente de guerrilha ou numa região inteira e podia contra-atacar  não só  naquela frente de guerrilha ou região mas também em diversas regiões e frentes de guerrilha onde as forças inimigas eram mais fracas. Numa escala nacional, o PCF e o NEP superou tremendas desvantagens, tornaram-se temperados na luta e ganharam força para um crescimento contínuo.

Quando fui capturado em novembro de 1977, o NEP já estáva no nível de 1500 fuzis automáticos, excluindo-se o número muito maior de homens e mulheres na milícia popular e unidades de autodefesa. Eu estava confiante que o PCF e o NEP cresceria ainda mais em força e se tornaria um fator crucial na derrubada da ditadura fascista de Marcos. O NEP atingiu o nível de 3000 fuzis em 1983 e 5600 fuzis automáticos em 1986. Temendo o crescimento da guerra popular, os EUA, a igreja Católica e os grandes oligarcas compradores-latifundiários no país decidiram entre o período de 1984 à 1986 que Marcos se tornou mais passivo do que ativo e tinha de ser removido do poder da forma que Duvalier foi deposto.

O exército popular cresceu em força e este se espalhou por causa da liderança Maoísta no PCF e no NEP. Os quadros e combatentes estavam bem versados nas características específicas da guerra popular nas Filipinas, no guia revolucionário para reformas agrárias e nas tarefas urgentes na edificação de base de massa.

Apesar do cresimento geral nos anos 1980, alguns membros do Comitê Central espalharam a noção subjetivista de que as Filipinas não era mais semifeudal isso implicando que Marcos desenvolveu grandemente a economia com sua política de grande comprador-latifundiário dependente de empréstimos estrangeiros. Baseados na dita noção, o oportunismo de direita e “esquerda” se mostrou e abrandou o que deveria ter sido uma taxa maior de crescimento. Os oportunistas desviaram-se da análise da economia filipina como semifeudal, a linha política geral da revolução popular democrática e a linha estratégica da guerra popular prolongada.

Os piores oportunistas de direita quiseram deixar de lado a liderança da classe operária e fazer da frente única liderada pela burguesia a principal arma e a luta legalista a principal forma de luta. Os piores oportunistas de “esquerda” queriam aumentar e regularizar as unidades de combate do NEP, sem pensar numa revolução agrária e na construção das bases de massa. Sob a falha da sua linha, os aventuristas militares criaram uma histería sobre a penetração profunda de agentes engajados em caça-às-bruxas, assim desgastando a força do movimento revolucionário e da base de massa em certas áreas várias vezes de 1985 em diante.

Felizmente, o PCF lançou o Segundo Grande Movimento de Retificação em 1992. Os Camaradas Benito Tiamzon e Wilma Tiamzon tiveram importantes papeis neste movimento educacional. Desde então, o PCF e o NEP ganharam vitórias retumbamtes em reafirmar principios revolucionários básicos e a linha estratégica da guerra popular prolongada, recuperando a base de massa (60 porcento da qual foi perdida em 1991 por causa da linha oportunista de “esquerda”), revitalizando o movimento de massa e levando adiante a guerra popular. A linha da guerra popular foi afiada e a execução de uma extensa e intensa guerra de guerrilhas sob a base de uma crescente e aprofundada base de massa. Tem sido muito bem-sucedida.

Atualmente, o PCF tem em torno de 150.000 membros, o NEP em torno de 10.000 combatentes, a milícia popular dezenas de milhares de pessoas, e as unidades de autodefesa centenas de milhares. As frentes de guerrilha são mais de 110 cobrindo porções significantes de 71 províncias. As organizações de massa tem milhões de membros, e o governo popular democrático milhões de pessoas em seu território. Apesar da recente prisão dos Camaradas Tiamzon e Austria, o movimento revolucionário do povo continuará a crescer em força e avanço. Existe um movimento de massa muito maior agora do que quando Julie e eu fomos capturados em 1977.

O PCF, NEP e as forças revolucionárias do povo resistiram e prevaleceram sobre as tentativas dos 14 anos de ditadura fascista e dos regimes pseudodemocráticos subsequentes de destruí-los com os planos nacionais de repressão e fraude instigados pelos EUA, como o atual Oplan Bayanihan. Foi provado sucessivas vezes que a orientação do Marxismo-Leninismo-Maoísmo e a linha geral da revolução popular democrática através da guerra popular prolongada são corretas e invencíveis contra o sistema vigente apodrecido que é uma crise crônica que está sempre piorando.

Perspectivas do NEP e da Guerra Popular
Assim como o PCF, a FNDF declarou que a linha geral para a revolução democrática popular para a guerra popular prolongada é a mesma linha para as negociações de paz com o governo reacionário e que a guerra popular é justificada enquanto a demanda do povo por libertação nacional e social não for satisfeita. As forças revolucionárias e o povo consideram as negociações de paz como uma maneira de levar adiante e auxiliar sua demanda por independência nacional e democracia.

Sempre resistiram à obsessão do governo reacionário em perpetuar o sistema semicolonial e semifeudal e em buscar a captulação e pacificação do movimento revolucionário. Deixaram claro que estão sempre prontos para a eventualidade onde o inimigo acabe com as negociações de paz. O governo reacionário tem descaradamente desrespeitado e violado os acordos existentes, como A Declaração Conjunta de Haia, O Acordo Conjunto sobre Garantias de Segurança e Imunidade e o Acordo Compreensivo sobre Respeito aos Direitos Humanos e a Lei Internacional Humanitária.

O PCF e o NEP estão determinados à realizar o plano para avançar da defesa estratégica ao impasse estratégico a curto prazo e à derrubar o sistema vigente e estabelecer o sistema popular democrático a longo prazo. Pretendem aumentar o número de membros do PCF para 250.000, do NEP para 25.000, das frentes de guerrilha para 200 e o alcance da revolução agrária e da base de massa para muito mais milhões de pessoas.

Eles têm como objetivo avançar até conseguir alcançar a ofensiva estratégica para derrubar o sistema vigente e estabelecer o sistema de Estado popular democrático. Estão confiantes sobre avançar de estágio em estágio na guerra popular pois eles lutam pela causa revolucionária do povo filipino pela libertação nacional e social, pois eles têm a linha e a estratégia correta, pois eles acumulam força pelo trabalho árduo e pela luta e porque as condições favoráveis para a revolução são proporcionadas pela grave crise sem precedentes do capitalismo que está sempre piorando e do sistema de governo doméstico.

As amplas massas do povo sofrem terrívelmente com a escalada da exploração sob a política econômica neoliberal, do terrorismo de Estado e das guerras de agressão imperialista. Mas elas são levadas a lutar cada vez mais ferozmente pela sua libertação nacional e social e por um mundo fundamentalmente novo e melhor, de maior liberdade, justiça social, desenvolvimento, elevação cultural e paz.


O logo do Novo Exército Popular (NPA, em inglês).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Quem é o Novo Exército Popular das Filipinas?

Publicado pelo NOVACULTURA.info

Escrito por Matt Florence




Antecedentes para a História da Luta Armada Filipina
Como muitos países do leste da Ásia tais como Vietnã, Coréia, Laos, Indonésia e Malásia, as Filipinas têm sido o campo de batalha de guerrilhas comunistas desde o século 20. O Novo Exército Popular das Filipinas (NPA-em inglês) é uma guerrilha comunista que vem operando nas Filipinas desde sua fundação em 1969 por um homem chamado Bernabe Buscayno que também é conhecido pelo pseudônimo “Comandante Dante”. O NPA atualmente ainda está lutando com dezenas de milhares de membros os quais integram o Novo Exército Popular o mais antigo exército de guerrilha comunista da história. Similar às já mencionadas revoluções comunistas, os comunistas filipinos a organizaram como uma resposta à terrível pobreza e às intervenções ocidentais imperialistas. Para dar um entendimento dos antecedentes sobre as Filipinas e sua luta por soberania, eis aqui algumas informações essenciais dos antecedentes:
Por mais de 300 anos as Filipinas foram um território colonial da Espanha até uma revolução derrubá-la em 1898. A Espanha vendeu as Filipinas para os Estados Unidos por 20 milhões de dólares. Revolucionários lutaram pela independência dos EUA em uma guerra que testemunhou a morte de mais de 1 milhão de cidadãos filipinos. Os EUA vêm mantendo presença extensiva nas Filipinas desde então. Os EUA possui um grande interesse nas Filipinas por conta de sua localização estratégica na Ásia, seus recursos naturais abundantes, e sua força de trabalho barata. Os EUA reconheceram a independência das Filipinas em 1946, todavia eles continuam a ter estreitos laços econômicos e políticos nas Filipinas. A década de 1960 testemunhou estudantes e camponeses conduzindo uma organização política da esquerda e no fim da década de 1960 uma revolução armada foi deflagrada pelos comunistas filipinos contra o governo. Em uma tentativa desesperada de refrear a revolução, o governo das Filipinas declarou lei marcial em 1972.

Por que rebelar-se nas Filipinas?
O que fez das Filipinas um terreno tão fértil para guerrilhas comunistas tais como o Novo Exército Popular (NPA) não foi apenas a interferência externa dos EUA, mas a estrutura econômica do campo. Na área rural das Filipinas, a terra é em sua maioria propriedade de grandes dinastias de latifundiários que transferem a propriedade de pai para filho. Polícia e as forças armadas são conhecidas por conduzirem detenções arbitrárias e assassinatos de trabalhadores que fazem greve. Um dos casos mais conhecidos foi o massacre de Hacienda Luisita no qual 12 agricultores e duas crianças foram assassinados pela polícia filipina e soldados (duas vítimas sufocaram-se e morreram depois de inalarem gás lacrimogênio). Outros vários problemas enfrentados pela classe operária filipina incluem poluição e destruição do meio ambiente, falta de empregos, baixos salários, vício em drogas, terrorismo islâmico e crimes violentos.

O que o NPA proporciona para os aldeões rurais?
Apesar de ser um exército de combate guerrilheiro, a maioria das atividades do Novo Exército Popular das Filipinas não inclui o combate. Recrutas do NPA são requeridos para passar por vários meses de trabalho para o NPA antes de eles tornarem-se combatentes efetivos. A maioria desse trabalho depende da habilidade do indivíduo recrutado, mas ele é em geral enviado para a agricultura e pequenos serviços nas vilas rurais do NPA. O NPA oferece serviço médico para os aldeões rurais e oferece seus guerrilheiros para conduzir trabalhos manuais nas áreas rurais e vilas. Os serviços médicos que o NPA oferece são variados, mas os serviços médicos mais comuns que o NPA oferece são a vacinação, a circuncisão, aconselhamento médico infantil e tratamento de feridos. Sua melhor demonstração foi depois do Typhoon Haiyan[1] em 2013 o qual matou 10.000 pessoas nas Filipinas. Depois que o Typhoon acabara, soldados do NPA saíram das selvas para ajudar na reconstrução de vilas e aos agricultores a reconstruírem seus lares e oferecer auxílio de emergência para o povo rural.  Sendo uma força de combate guerrilheira em um país coberto por selva densa e montes, o NPA usa a maior parte do ambiente para despistar o governo e construir bases de difícil acesso em cada um desses lugares. Esse é o motivo de muitos de seus recrutas e das pessoas com os quais entra em contato serem camponeses no interior do país.

Como o NPA dirige seu exército?
Armamentos e táticas são muito típicas para um exército guerrilheiro. O NPA usa as selvas, cavernas, e montanhas para construir bases em áreas isoladas e difíceis de alcançar. As chuvas pesadas, neblina da selva, e fortes ventos proporcionam, em conjunto, uma maneira para camuflar os guerrilheiros de serem localizados por trones espiões que militares dos Estados Unidos mobilizam nas Filipinas. Os armamentos dos NPA são variados, mas tipicamente o NPA tem sido identificado pelo uso de lançadores de granadas, rifles M16, rifles M14, rifles Kalashnikov, e em um vídeo de propaganda do NPA um líder do NPA mostrou seu exótico rifle Tavor usado por militares israelenses. O Novo Exército Popular vem sendo acusado de ser fundado pelos chineses e norte-coreanos o que não é improvável dado que ambos os países têm histórico de fundação de forças anticoloniais e comunistas pelo globo.  Durante os Conflitos na Irlanda do Norte, houve muitos casos de imigrantes irlandeses mandando armamentos dos EUA para o IRA (Exército Republicano Irlandês) por meio do envio de partes de armamentos através dos correios. Os EUA relaxaram muito o controle de armas e é crescente a população de migrantes filipinos, então não é irrealista crer que migrantes filipinos são uma das fontes das armas do NPA. As Filipinas são um país pobre com violentas gangues de traficantes de drogas, um elevado nível de crimes violentos, coberto de densas selvas difíceis de serem penetradas, e um dos mais importantes países de embarque e remessa portuária no mundo. Todos esses fatores fazem o controle de fabricação de armas ser muito difícil e facilitam a aquisição do NPA.

Conclusão
O NPA está apontando rumo a um cessar fogo com o governo Filipino e seu atual presidente Rodrigo Duterte, mas não cancelou a revolução e é muito improvável que deponha armas. Guerrilhas comunistas na história nunca foram derrotadas por meio de força bruta por si só desde que a maioria das tentativas de combater as guerrilhas acabou ferindo a população local e desse modo criando mais guerrilhas comunistas. O único meio para que o NPA possa ser derrotado é senão de dentro da própria NPA ou se as Filipinas já avistam um único dia sem pobreza, mas o NPA tem se mantido unido por aproximadamente meio século e as Filipinas nunca em centenas de anos viu um único dia sem pobreza em massa.

Nota do tradutor:

[1] Typhoon Haiyan, conhecido como “Super Typhoon Yolanda” nas Filipinas, foi um dos mais intensos ciclones tropicais já registrados, o qual devastou porções do sudeste da Ásia, particularmente as Filipinas, em 8 de novembro de 2013.


Bandeira do Novo Exército Popular

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Foram conquistados em 2016 notáveis êxitos no ramo da técnica e das ciências

Da Agência Central de Notícias Coreanas (ACNC)

Traduzido pelo blog Socialismo na Ásia



A República Popular Democrática da Coreia iniciou o ano 105 da era Juche (2016) com a cerimônia inaugural do Palácio de Ciências e Tecnologia e veio demonstrando durante todo o ano o poderio das ciências e das técnicas autóctones.
Durante as campanhas de 70 dias e 200 dias, foram conquistados sucessivos êxitos científicos e técnicos que contribuem com a realização da adequação da economia nacional às condições do país e sua modernização e a melhorar a vida do povo. No Complexo Termoelétrico de Pukchang, os integrantes da Brigada de Cientistas e Técnicos “17 de Fevereiro”, estabeleceram novas cadeias de produção incluindo a de produção de anexos de combustão de carvão.
Foram desenvolvidos o sistema estatal de administração integral de eletricidade, graças aos quais possibilitam manter o equilíbrio entre a geração e o consumo de eletricidade em escala nacional e usar mais economicamente a eletricidade produzido com as energias naturais.
O Complexo Siderúrgico de Hwanghae solucionou satisfatoriamente os problemas científicos e técnicos pendentes na produção de ferro fundido não com o coque, mas sim com antracito.
O Complexo Siderúrgico Kim Chaek assegurou a produção da chapa de aço laminado no frio, enquanto que o Complexo Químico de Suchon acabou apoiando em suas próprias forças o processo de produção de pintura acrílica, monopolizada por alguns países. Foram alcançados consideráveis êxitos nos trabalhos para firmar a base capaz de fundar a indústria química autóctone baseada na indústria química de C1.
Tem-se inventado novas tecnologias de comunicações, que são feitas com matérias primas nacionais as dezenas de produtos de IT para o uso industrial e também vem desenvolvendo-se um novo tipo de sementes de revestimento, considerado como um produto agroquímico sofisticado.
Registraram-se em diversos ramos muitos êxitos científicos e técnicos que contribuem ao melhoramento da vida do povo. Ao mesmo tempo, tiveram lugar muitas exibições e apresentações a fim de divulgar os êxitos científicos e técnicos. No Palácio de Ciências e Técnicas, e em outras localidades do país, dinamizaram-se a divulgação e intercâmbio das ciências e das técnicas.

Assim, o ano de 2016 foi um ano que se puseram de pleno manifesto a justeza e a vitalidade da ideia do Partido do Trabalho da Coreia de dar preferência às ciências e aos intelectuais.



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Patriotismo, Nacionalismo e Comunismo: alguma contradição?

Retirado do texto "A Teoria Juche e a Revolução Coreana" do Centro de Estudos da Ideia Juche (CEIJ)








Uma das grandes polêmicas que perduram dentro do campo das forças revolucionárias, até os dias de hoje, é o da possibilidade de relacionar ideais nacionalistas com ideais comunistas. As revoluções de libertação nacional, que eclodiram na Ásia e África, demonstraram empiricamente que a Questão Nacional é o elo que liga as massas populares dos países subjugados pelo domínio econômico e militar do imperialismo ao socialismo. Contudo, para não gerar confusão, acredito que seja necessário distinguir os dois tipos de nacionalismo; aquele professado pelos imperialistas, que legitima agressões, invasões e espoliações, e o nacionalismo popular das massas de países subjugados, que defende os interesses da nação contra os invasores e a exploração imperialista. Em suma, trata-se de dois conceitos diferentes de nacionalismo: o da burguesia e o das massas oprimidas.
No texto Para compreender corretamente o Nacionalismo Kim Jong Il chama a atenção e expõem a necessidade de se diferenciar o “verdadeiro nacionalismo” do “nacionalismo da burguesia”. Para ele o nacionalismo burguês se manifesta como “egoísmo nacional”, “exclusivismo” e “chauvinismo de grande potência”. Essa afirmação não é nenhuma novidade dentro do movimento comunista internacional, mas mesmo assim alguns países socialistas chegaram a cometer esse desvio. Para os comunistas coreanos os grandes clássicos do marxismo-leninismo não deram respostas suficientes a respeito do sentimento nacionalista, devido ao grande combate que a teoria revolucionária travou contra esta ideia, isso permitiu que não se tratasse corretamente esse aspecto da teoria. Kim Jong Il afirma que: “O nacionalismo não está em contradição com o internacionalismo. Internacionalismo é ajuda apoio e solidariedade entre os países e nações (...) Para dizer a verdade, um internacionalismo à margem da nação e divorciado do nacionalismo não significa nada.”
Outro exemplo clássico de junção de ideais nacional-patrióticos e comunistas é o caso do Vietnã. Ho Chi Minh, um dos maiores revolucionários da história, disse certa vez que, teria sido o patriotismo, e não o comunismo, que o levou acreditar em Lênin e na 3ª Internacional.
Levando em consideração que em países subjugados pelo imperialismo, podem fazer parte do que chamamos de “massas populares” várias classes sociais diferentes (operários, camponeses, pequena-burguesia, burguesia nacional) é necessário que os comunistas compreendam que a sua concepção de nacionalismo e patriotismo se difere da concepção burguesa. Analisando o caso coreano, muitos setores da burguesia nacional acreditavam que após a libertação da pátria, o que deveria ser feito era a restauração da velha monarquia, ou alguns, nutrindo esperanças reformistas, acreditavam que o caminho correto a seguir era o da construção do capitalismo. Porém, os fatos demonstram que somente os comunistas poderiam levar a luta revolucionária do povo coreano até o fim, defendendo um nacionalismo-popular de caráter revolucionário.
Os países asiáticos que realizaram revoluções socialistas e depois resistiram à queda do campo socialista não abriram mão de seu caráter internacionalista. É um princípio de classe inerente à ideologia comunista, mas ao mesmo tempo não podem abrir mão de seus interesses nacionais, tendo em vista que o imperialismo ainda ameaça a independência dos povos no mundo e principalmente a soberania desses países. Basta analisarmos o apoio que os Estados Unidos deram, e ainda dão, aos separatistas tibetanos e Dalai Lama, na luta pela desestabilização da República Popular da China. Lembrando que a questão nacional se faz presente em amplos países do chamado “Terceiro Mundo” e não somente dos países socialistas que ainda existem.
Acredito ser necessário abordar mais um problema, que nos leva a defender a ainda presente centralidade da questão nacional na revolução coreana. Devemos levar em consideração que a Coréia é um país ocupado e dividido. A RPDC sofre não somente um poderoso bloqueio econômico, mas também militar. O risco de uma possível guerra ainda é uma realidade na vida do povo. Após o término da guerra da Coréia, nenhum tratado de paz entre Estados Unidos e Coréia Popular foi assinado. Incentivar o sentimento patriótico é uma maneira de estimular o espírito das massas no combate ao imperialismo e na resolução do problema da reunificação da pátria. O problema da reunificação da pátria só será devidamente solucionado quando as tropas americanas deixarem o sul da península, para que o próprio povo coreano cuide dos problemas relevantes a sua reunificação nacional pacifica.