sábado, 26 de março de 2016

“Naxalbari Zindabad!” quer dizer “A Rebelião se Justifica!”

Publicado pelo blog Revolución en la India



Traduzido por I.G.D



Há 40 anos, a rebelião armada dos camponeses de Naxalbari, uma aldeia no estado de Bengala Ocidental, foi a causa de uma conflagração revolucionária na Índia. Os grilhões seculares da opressão e exploração foram atacados. Os revisionistas apelaram a continuar vivendo obedientemente como escravos, mas foram ignorados com desdém. Os camponeses pobres e pisoteados se atreveram a tomar o poder político e a expropriar os frutos de seu trabalho das mãos dos odiosos latifundiários.
Naxalbari fez sacudir o país inteiro. A fúria reprimida dos mais pobres da sociedade, dos adivasis e dos dalits (tribos e “intocáveis” da sociedade de castas), além de outros camponeses pobres e sem-terra, estalou em forma de bravas tormentas de fúria revolucionária em inúmeros lugares em todo o país. As rajadas de vento de Naxalbari arrancaram décadas de fedor revisionista e incitaram a rebelião, a centenas de quadros, presos em partidos como o P.C.I. e o P.C.M [1]. Em Calcutá e em um número de pequenos centros industriais, grandes grupos de trabalhadores e de gente pobre urbana, romperam com os chefes sindicais. Um grande número se lançou para a batalha, lutando na vanguarda da revolução agrária armada como proletários com consciência de classe. Muitos setores sociais, como profissionais, acadêmicos e outros, se uniram ao festival revolucionário das massas. Naxalbari contagiou toda uma geração de jovens e estudantes, e canalizou a força revolucionária de milhares destes jovens, apreendidos dos ideais comunistas de servir ao povo e de se sacrificar pela causa da revolução.
Apesar de longos períodos de dominação revisionista anteriores a Naxalbari, o movimento comunista na Índia também teve uma inspiradora história de luta revolucionária. Foram notáveis os cinco anos de luta armada de Telengana a fins dos anos 40, da qual conseguiu estabelecer o poder vermelho em centenas de aldeias durante seu apogeu, mas esta logo traiu a direção do P.C.I. Grupos de revolucionários tomaram partido com Mao Tsetung na luta contra o revisionismo soviético. Mas Naxalbari representou um salto. Isto foi porque se tomou a consciência do pensamento Mao Tsetung como uma nova etapa qualitativa do marxismo-leninismo, e sua aplicação as condições da Índia, para iniciar a luta armada revolucionária das massas. Este é o elemento chave e distintivo que lançou Naxalbari a esta etapa. Dirigido por Charu Mazumdar, um grupo de quadros revolucionários na organização do P.C.M. do distrito de Darjeeling, lutou conscientemente pelo aprofundamento da luta contra o revisionismo e o centrismo. Tirando valiosas lições da luta ideológica guiada por Mao Tsetung contra o revisionismo kruschevista, e outras lições da Grande Revolução Cultural Proletária da China, Charu Mazumdar conseguiu romper radicalmente com o revisionismo (incluindo o reconhecimento da então existente União Soviética sob a direção revisionista como um inimigo), e lançou a revolução agrária armada até a tomada do poder político, pouco a pouco, por meio do caminho da Guerra Popular Prolongada. Naxalbari foi uma parte da revolução proletária mundial: aproveitou a luta revolucionária em outros países na região, e recebeu o apoio entusiasta do Partido Comunista da China e do proletariado revolucionário de todo o mundo.
Naxalbari elevou o processo de ruptura com os revisionistas e de forjar uma autêntica vanguarda comunista a uma nova e superior etapa. Em 1969, foi dado um passo audacioso: se formou o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista), sob a direção de Charu Mazumdar. O congresso de fundação do P.C.I. (M.L.) que foi realizado em 1970 em meio do avanço da luta armada, adotou um programa que caracterizou a sociedade indiana como semifeudal e semicolonial e identificou os alvos da revolução, como o feudalismo, o capitalismo burocrático-comprador, e o imperialismo e o social-imperialismo (este último representado pelo antigo bloco soviético). O congresso fixou as tarefas na etapa de uma revolução de Nova Democracia e o caminho da Guerra Popular prolongada.
A revolução não é uma festa, mas sim, como colocou Mao Tsé-tung, é um ato de violência do qual uma classe derroca a outra. A nova vanguarda teve que se forjar em meio a intensa turbulência revolucionária que estava se desenvolvendo em extensas zonas da Índia. Teve que combater constantemente o pensamento e o estilo de trabalho revisionistas profundamente enraizados; teve que remodelar e treinar milhares de jovens como lutadores e líderes proletários; teve que sintetizar a rica experiência ganhada a custo de sangue, para desenvolver a linha e elevar o nível do trabalho partidário. E teve que fazer tudo isso enquanto concretizava audaciosos avanços na luta armada e enquanto combatia a repressão assassina do inimigo. A perde de um número de quadros experientes no início do novo partido, evidentemente tencionou sua capacidade de empreender essas tarefas. Algumas dificuldades sérias, produto de retrocessos, se complicaram com um vento direitista, no qual tratava de revogar a orientação correta do partido, transitando com debilidades reais de sua linha e de sua prática.
Tem-se falado muito acerca do chamado “sectarismo” e “aventureirismo” de Charu Mazumdar, no qual supostamente “isolou” o partido das massas e causou retrocessos. Sim, elementos unilaterais, espontâneos e subjetivistas que foram contra a posição, ponto de vista e métodos de essência marxista-leninista-maoísta de Charu Mazumdar, eram evidentes em suas obras. Mas o que mais se destaca, quando lemos hoje sua obra, é a resoluta claridade de sua crítica ao revisionismo, sua penetrante compreensão da questão chave de tomar o poder, sua profunda confiança nas massas, e seu robusto otimismo revolucionário. Longe do isolamento, sua liderança enraizou profundamente o partido entre as massas, e criou uma vasta reserva de apoio, da qual seguem usando hoje os autênticos revolucionários. Seu nome segue obcecando as classes dominantes, e inspirando aos revolucionários.
Depois do governo ter assassinado covardemente, com a ajuda dos revisionistas do P.C.I./P.C.M., a Charu Mazumdar em 1972, o P.C.I. (M.L.) não seguiu como um partido unido. Desde então, tem havido muita luta para fazer um balanço das experiências e das tentativas de se unificar. Em 1976, o golpe de Estado dos seguidores do caminho capitalista da China causou novas divisões, fortaleceu tremendamente as tendências direitistas no P.C.I. (M.L.), e gerou mais complexidades. Mas esta situação também criou novas e importantes obrigações e oportunidades para aprofundar a compreensão da ideologia, coisa que, por sua vez, deu um novo impulso à luta para fazer um balanço correto e alcançar uma unidade sobre bases corretas. Infelizmente, estas oportunidades foram desperdiçadas ou acabaram desviando-se nos casos onde apenas se aproveitavam. As autênticas forças revolucionárias levam anos elevando sua compreensão sobre o significado da luta internacionalista para defender o desenvolvimento qualitativo do marxismo-leninismo por Mao Tsetung a um nível novo, e para lutar contra os ataques revisionistas contra este, por parte dos usurpadores capitalistas da China dirigidos no começo por Hua Guo-feng e Deng Xiaoping, assim como pelos hoxhaistas. Esta questão, que ainda afeta diretamente as possibilidades de unir as forças maoísta revolucionárias em um único centro, permanece sem ser resolvida por completo. 
Durante todo esse período, as forças revolucionárias que foram parte do P.C.I. (M.L.) unido, assim como outras, tem continuado com heroísmo mantendo alto a bandeira vermelha de Naxalbari. Em Andhra, Bihar e Dandakaranya [2], lutas revolucionárias armadas tem feito avanços significativos, ganhando um amplo apoio das massas e acumulando importantes experiências.
Durante os últimos 30 anos, as condições que tornaram possível e necessária a rebelião agrária armada de Naxalbari, vem amadurando-se ainda mais. A agressiva penetração imperialista em todos os setores da economia, juntamente com a exploração e a opressão por parte das classes dominantes, está causando uma intensificação generalizada da miséria das massas. E, mais importante, esta situação está convocando a resistência e a luta, incluindo a luta armada, em diversas regiões e setores da sociedade. As divisões entre as classes dominantes têm aumentado.
Os revolucionários proletários de todo o mundo não podem dar-se ao luxo de mostrar a mínima indiferença aos avanços e as dificuldades de nossos camaradas da Índia. Hoje na Índia se desenvolve um processo revolucionário que todos os autênticos comunistas e revolucionários do mundo têm o dever de apoiar e aprender com ele. Nos diversos idiomas da Índia, “Naxalbari Zindabad! ” quer dizer “Viva Naxalbari! ”. Mas, para os oprimidos da Índia e do resto do mundo, esta palavra de ordem também quer dizer “A rebelião se justifica”.


Notas:

[1] O Partido Comunista da Índia (P.C.I.) é o partido revisionista pró soviético da Índia. O Partido Comunista da Índia (Marxista) (P.C.M.) surgiu de uma cisão centrista do P.C.I. em 1963, no qual criticou este último e a Kruschev pelo revisionismo, ainda que nunca adotou um programa revolucionário genuíno.
[2] Uma vasta região arborizada que abarca partes de quatro estados da Índia Central.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Igualdade de Direitos

Do Naenara

Traduzido por I.G.D.



Quando a Coreia estava ocupada militarmente pelo imperialismo japonês (1905-1945), a posição social das mulheres era muito deplorável. Muitas delas não sabiam seu próprio nome nem seu dia de nascimento, e quase a totalidade destas não conheciam o 8 de março, o Dia Internacional da Mulher.
Só depois da libertação nacional (15 de agosto de 1945) que elas puderam desfrutar de um autêntico direito à vida.
O Presidente Kim Il Sung, imediatamente após conquistar a causa da fundação do Partido na pátria libertada, organizou a União de Mulheres Democratas da Coreia. Denominou como “Mulher Coreana” a primeira revista para as mulheres da nova Coreia, cujo o primeiro número ele até escreveu uma mensagem de felicitação.
As mulheres coreanas que antes estavam sendo oprimidas por pesados entraves feudais, se levantaram na luta pela construção da nova sociedade.
Segundo dados, os jornais daquele tempo publicaram, em um ano, mais de cem artigos sobre a luta das mulheres, que demonstravam a mudança transcendental na posição social das mulheres coreanas que haviam sido marginalizadas na história.
No mês de março do ano seguinte da libertação, elas celebraram com dignidade, pela primeira vez na história, o 36º aniversário do Dia Internacional da Mulher.
Alguns meses depois, em 30 de julho, se proclamou a lei de igualdade de direitos do homem e da mulher, que foi uma verdadeira virada histórica no destino das mulheres.
O Presidente, com a célebre frase “uma roda da carruagem da revolução”, expressou de forma concisa a posição e o papel das mulheres coreanas que constituem a metade da população 
Ele era verdadeiramente o salvador e o benfeitor ímpar que lhes ofereceu a dignidade e a felicidade.
Aqui está uma história impressionante. 
No distrito de Phyonggang, província de Kwangwon, vivia um casal de caçadores que antes da libertação haviam servido um latifundiário.
Depois do país ter sido libertado, o Presidente Kim Il Sung se reuniu com eles, escutou a mulher de nome Ri Su Dok falando sobre sua trágica vida passada, e disse a ela que se as mulheres se levantarem com forças unidas na edificação da nova pátria, seriam capazes de fazer coisas grandes e que elas constituíam um firme alicerce na construção desta, da mesma maneira que os homens. E lhes entregou um certificado de reconhecimento em seu nome, uma espingarda e uma câmera.
Ri Su Dok, tendo em conta o amor e a confiança do Presidente nela, a quem não haviam tratado como um ser humano no passado, organizou uma guerrilha durante a Guerra de Libertação da Pátria (junho 1950 a julho de 1953) para travar uma luta de vida ou morte contra os invasores.
O Presidente Kim Il Sung destacou no congresso do Partido a questão de libertar as mulheres das cargas pesadas das tarefas domésticas e quando se reuniu com estas que viviam desencorajadas pelos seus maridos que cometeram delitos contra o país pois foram enganados pelos invasores ianques, lhes retirou o amontoado de carga psicológica e lhes abriu um largo caminho para uma vida feliz.
O Dirigente Kim Jong Il que continuou e desenvolveu compactamente a ideia e as proezas do Presidente Kim Il Sung acumuladas no movimento das mulheres, orientou-as a avançar com firmeza pelo caminho da revolução diante de quaisquer vicissitudes. No 8 de março de 1995, publicou a obra clássica imperecível intitulada “As Mulheres Constituem uma Poderosa Força Impulsora da Revolução e da Construção”.
Quando fazia as inspeções em unidades militares, apreciava as soldados dizendo a elas que eram revolucionárias que defendiam a pátria e que contar com uma numerosa tropa como esta constituía um grande orgulho de nosso Partido e povo.
Em uma entrevista com uma cientista, ele perguntou detalhadamente de sua especialidade e a animou dizendo que ganhara fama nas pesquisas. Quando ela escreveu sobre a notícia de haver alcançado o doutorado, o Dirigente Kim Jong Il respondeu dizendo que era uma notícia alegre e lhe desejou maiores êxitos em suas pesquisas.
Sob a atenção minuciosa do Dirigente Kim Jong Il, uma varredora comum se fez benemérita da época do Songun e as mulheres que pariram e criam muitos filhos são respeitadas como heroínas maternas.
Um dia, em fevereiro de 2010, o Dirigente Kim Jong Il, as vésperas do centenário do Dia Internacional da Mulher, destacou que tal data era para ser comemorada com maior significação.
Com motivo desse dia, o Dirigente Kim Jong Il enviou a todas as mulheres uma mensagem de felicitação, que impressionou todo o povo.
Uma parte da mensagem dizia:
“Considero como grande orgulho as nossas mulheres, que são fieis infinitamente ao Partido e ao Líder, se abnegam para a prosperidade da pátria e possuem nobres traços ideológico-espirituais, e aprecio muito as proezas históricas delas. Aproveitando esta oportunidade, envio a todas as mulheres do país uma felicitação calorosa.
Entre os grandes líderes e as mulheres coreanas existiu uma relação tão íntima quanto a de uma família e tal laço fraternal se mantém, até os dias de hoje, com mais nobreza entre estes e o Marechal Kim Jong Un.
Em 2012, ano em que o falecimento do Dirigente Kim Jong Il deixava uma grande dor no coração de todas as mulheres coreanas, o Marechal fez celebrar um pomposo concerto motivado pelo Dia Internacional das Mulheres, a fim de felicitá-las.
Durante a IV Conferência Nacional de Mães, expressou máxima confiança às participantes, apreciando-as como pessoas magníficas que cumpriam com deveres da época assumidos diante da pátria e da nação com nobre lealdade e patriotismo.
Para a saúde das mulheres, construiu-se a nível máximo na Maternidade de Pyongyang, o instituto de tumores de glândulas mamárias, e ao visitar famílias comuns que se mudaram para novas casas, doou a estas, utensílios de cozinha. Para as operárias da Fábrica Têxtil Kim Jong Suk de Pyongyang, foi construído, como se fosse um palácio, um albergue operário e foi dada uma festa motivada pelo Primeiro de Maio.
Quando se formaram, pela primeira vez no país, as pilotos de aviões de caça, o Marechal Kim Jong Un disse que isso era um grande sucesso de todo o país e que elas eram filhas orgulhosas da pátria e do povo, e que eram também revolucionárias insubstituíveis. E lhes perguntou com carinho sobre sua terra natal e seus pais, e destacou que estes se sentiriam muito felizes ao ouvir a notícia de que suas filhas no serviço militar se formaram como pilotos de aviões de caça, representando todas as mulheres coreanas. Foram tiradas fotografias com elas e inclusive lhes tiraram fotos para não apenas serem enviadas aos seus respectivos pais, mas também para que fossem apresentadas para todo o país.
Sob seu amor e atenção todas as mulheres coreanas entre outras as soldados da companhia de caquis, beneméritas da província de Jagang, cientistas, artistas e atletas, desfrutam de uma vida digna e feliz.
Hoje, elas exercem dignamente o direito a palavra nas assembleias populares de órgãos de poder a toda instância, incluindo a suprema, e desempenham um papel importante na luta pela prosperidade nacional como heroínas, beneméritas da época do Songun, funcionárias, etc.

sábado, 5 de março de 2016

Sobre as Causas da Aparição da Oposição Trotskista e Seu Futuro na China

Informe ante uma reunião de quadros da célula diretamente subordinada ao Comitê Central do PCCh

Outubro de 1929

Por Zhou Enlai

Traduzido por I.G.D.



Como se destaca na circular Nº 44 do Comitê Central (1), embora não devamos exagerar no que se refere a influência política e organizativa que a oposição exerce no Partido, de maneira alguma devemos permanecer indiferentes diante de suas crescentes atividades e manifestações antipartido.
A derrota da Grande Revolução e o surgimento de uma ressaca revolucionária, constituíram a causa principal da aparição desta oposição na China, tanto que os atrasados “companheiros de estrada” pequeno-burgueses que estavam no Partido viriam a compor a base de seu crescimento. Há aqueles que afirmam que a responsabilidade de sua presença na China correspondia aos “estudantes que haviam retornado de Moscou”. Tal argumentação é errônea, pois estes não tem cumprido mais do que um papel catalizador. Agora, vamos destacar as principais causas objetivas de sua aparição.
Primeiro. Nos tempos iniciais depois de sua instauração, o governo de Nanjing se preocupava muito em introduzir na China o ideário da oposição da Rússia a fim de dividir o Partido Comunista. A oposição trotskista é apreciada como um “tesouro” não somente pela burguesia da Europa, mas também pelas classes dominantes da China. Quando a oposição no seio do Partido Comunista da Rússia era teimosa com sua própria linha, a burguesia da Europa lhe prestou suma atenção e pretendeu utilizá-la para dividir o Partido Comunista da Rússia e liquidar sua linha correta. Na China, Hu Han Min (2), Dai Jitao (3) e Zhou Fohai (4) trataram de desmembrar o Partido Comunista fazendo uma propaganda a favor da oposição. As classes dominantes da China acabavam por aproveitarem-se dela como um instrumento no seio do Partido Comunista para aniquilar esta força dirigente da revolução chinesa. Assim, pois, o ambiente político da China tem sido favorável para as atividades da oposição. Esta tem sido a primeira causa objetiva de sua aparição.
Segundo. O fracasso de uma revolução traz inevitavelmente fortes sentimentos de derrotismo e produz, como é lógico, muitas disputas. Isto sucedeu na Rússia após 1905, e na Alemanha a raiz da derrota de sua revolução. E assim ocorreu também na China, uma experiência semelhante após o fracasso da Grande Revolução (5). A partir da Reunião de 7 de agosto, o Partido Comunista da China obteve muitos êxitos na retificação do oportunismo no organizativo, mas não levou até o fim a luta contra este no aspecto teórico e ideológico. Foi com a realização do VI Congresso Nacional quando se obteve certo êxito nesta luta. Apesar disto, as tendências nocivas de todo tipo existentes no Partido e as distintas correntes políticas oriundas da raiz do fracasso da Grande Revolução, especialmente a oportunista, estavam na espreita para entrar em ação. Esta tem sido a segunda causa do surgimento da oposição na China, e também a causa fundamental da confabulação ideológica e organizativa dos oportunistas e dos opositores no seio do Partido.
Terceiro. Até agora, ainda não se pode dizer que a vida interna de nosso Partido está completamente saudável. Ainda que no organizativo temos trabalhado para desenraizar o oportunismo e admitido no Partido um bom número de operários, não se instituíram práticas saudáveis na vida da célula. Daí as frequentes vacilações na vida do Partido. Em algumas células, a linha correta do Partido não tem sido seriamente discutida por todos os membros, e, por conseguinte, sua linha política não se firmou como é devido no plano organizativo. Frequentemente aparecem células que não podem explicar tal ou qual problema de acordo com a linha correta, o que conduz a sua vacilação. Em Shanghai, certas células chave do setor industrial não estão ainda consolidadas, enquanto que outras possuem uma fraca vida política. Como resultado disso, essas células, mostrando-se ativas no caso de sucesso na luta, acabam desmoralizadas e ainda chegam a se desfazer quando sofrem derrotas. Isto evidencia que a linha política do Partido não foi consolidada em todo o plano organizativo. Assim, não somente a oposição, mas também os oportunistas, podem facilmente explorar este fenômeno para levar a cabo seus planos. Esta tem sido a terceira causa objetiva.
Quarto. A raiz do fracasso da Grande Revolução, entre os numerosos elementos que haviam se mostrado vacilantes no período da cooperação com o Kuomintang, uns tem desistido de seus postos de trabalho, outros persistem no localismo, e outros mais se recusam a corrigir seus erros, sem que se haja superado estes fenômenos nocivos no organizativo. Estes elementos provocam disputas sem princípios meramente por insignificantes problemas pessoais, de modo que a oposição tem sido capaz de arrastar consigo tais elementos descontentes com a linha do Partido e ainda se aproveitam de tais disputas para levar adiante suas atividades antipartido. Esta tem sido a quarta causa objetiva.
Embora não se haviam conhecido no passado atividades da oposição, as quatro causas mencionadas tornaram inevitáveis por algum tempo as tais atividades no país. Desde então, o retorno de alguns estudantes do estrangeiro e a ressureição do oportunismo foram causa direta de sua aparição.
Em relação a linha tática da oposição trotskista, podemos advertir os quatro seguintes pontos:
Primeiro, inelutável confabulação com as classes dominantes. Em “Vida Nova” (6), já se publicaram artigos escritos pela oposição. Esta seguirá usando os órgãos de propaganda das classes dominantes para ajuda-las em suas atividades anticomunistas. Se caso fracassar na luta que levam a cabo no seio do Partido, sem dúvida se entregará inteiramente a essas classes. Este é seu inevitável futuro.
Segundo, propaganda e atividades ilustrativas de sua linha antipartido em todos os problemas práticos atuais. Com motivo do aniversário do Movimento do 30 de Maio, a oposição trotskista publicou uma declaração em que chamou os militantes a lutar contra o Partido Comunista, concedendo a esta luta uma maior importância do que a luta anti-imperialista. Sem sombra de dúvidas, assim estava fazendo, objetivamente, o jogo do inimigo. Quando celebramos a manifestação do 1º de agosto (7), a considerou como uma ação putchista, deixando passar uma forte dose de derrotismo. Seu ponto de vista demonstra um liquidacionismo pessimista e ultradireitista.
Terceiro, tática de se manter e atuar dentro das células explorando a imperfeição da vida do Partido em algumas delas. Permanece nelas para fazer vacilar as massas, e busca em especial as células que têm sofrido derrotas na luta a fim de aproveitar-se destas para atacar a linha do Partido. Em momentos difíceis de nossa luta, lança palavras de ordem ultra esquerdistas como “confiscação das fábricas”, com o intuito de deixar isolada a classe operária e induzir as massas operárias a adotar ilusões sobre um paraíso futuro e a perder de vista a significação real da luta atual. Por outro lado, formula táticas ultradireitistas nos problemas práticos, levando as células operárias a um beco sem saída e à desmoralização.
Quarto, colaboração com os oportunistas chineses. Obstinados pela sua linha, os oportunistas não conseguem se adentrar nas massas, mas tampouco podem deixar de buscar um novo programa político que lhes sirva para encobrir seus erros. É assim que o programa da oposição lhes cai como uma luva, permitindo encobrir erros cometidos no passado, formular palavras de ordem revolucionárias “esquerdistas”, mas manter na realidade uma apreciação de direita da situação da revolução e aplicar táticas direitistas. Por isso, o programa da oposição tem sido aproveitado pelos oportunistas. E a oposição, por sua vez, recorre a tática de apoiar-se nos oportunistas para levar adiante suas atividades antipartido. Desta maneira a facção oportunista e a oposição estão unidas – são farinha do mesmo saco.
Ainda mais, a oposição trotskista mente, difama e calunia deliberadamente, tirando vantagem de problemas e de disputas insignificantes, enquanto deixa de lado assuntos de princípios, com a finalidade de minar a confiança dos camaradas dos órgãos dirigentes do Partido. Isto apenas serve de ajuda ao inimigo na difamação da liderança revolucionária.
As atividades da camarilha da oposição têm sido descobertas em Shanghai, Hong Kong e no norte da China. Eles guardam segredo sobre sua organização do Partido. Precisamente por isso é imperativo expor este problema para as organizações de base e conduzir os camaradas a discutir este e liquidar totalmente com as atividades dos oportunistas e da oposição. Como alguns elementos da camarilha da oposição não expõem publicamente seus pontos de vista, não conhecemos todos eles. Portanto, nós devemos submeter o problema da oposição para as discussões das células, e utilizar esta situação para educar os camaradas e firmar uma sólida base para a linha correta de nosso Partido. A fim de solidificar a linha correta no organizativo, todos os camaradas devem compreender a necessidade da luta entre a linha correta e a incorreta. Por conseguinte, além de aplicar as devidas sanções organizativas, é absolutamente indispensável engajar-se na luta nos campos ideológico e teórico, que é uma arma muito importante para consolidar o Partido na atualidade.



NOTAS

(1) Circular “Sobre a oposição dentro do Partido Comunista da China”, emitida pelo Comitê Central do Partido Comunista da China a agosto de 1929.
(2) Hu Hanmin (1879-1936) exerceu as funções de chefe militar supremo do governo de Guangzhou e foi governador da província de Guangdong durante a Primeira Guerra Civil Revolucionária. Conspícuo líder dos direitistas, foi cúmplice de Chiang Kai-shek no golpe de Estado contrarrevolucionário de 12 de abril de 1927. Mais tarde entrou em uma prolongada disputa com a camarilha de Chiang pelo poder e lucro.
(3) Dai Jitao (1890-1949), fiel seguidor de Chiang Kai-shek antes e depois do golpe de Estado contrarrevolucionário de 12 de abril de 1927. Durante o período da Primeira Guerra Civil Revolucionária, tergiversou o conteúdo revolucionário da doutrina de Sun Yat-sen e propalou absurdos contra o Partido Comunista e o movimento operário-camponês, preparando deste modo o terreno ideológico para o golpe de Estado contrarrevolucionário de Chiang Kai-shek.
(4) Zhou Fohai (1897-1948) assistiu em 1921 ao I Congresso Nacional do Partido Comunista da China, mas renegou este em 1924. Depois da traição de Chiang Kai-shek a revolução, foi chefe do Departamento de Propaganda de Comitê Executivo Central do Kuomintang. Iniciada a Guerra de Resistência contra o Japão, passou ao lado dos invasores japoneses, traindo a pátria. Desempenhou o cargo de vice-presidente do Yuan Executivo no governo títere de Wang Jingwei e outras funções.
(5) Se refere a Primeira Guerra Civil Revolucionária (1924-1927), chamada também de Expedição do Norte.
(6) Revista mensal reacionária, redigida por Zhou Fohai, que teve sua aparição em 1928, em Shanghai.
(7) Em julho de 1919, a Segunda Internacional, que apoiava a guerra imperialista durante a primeira conflagração mundial, decidiu celebrar em 1º de agosto seu congresso em Lucerna, Suíça. O Comitê Executivo da Internacional Comunista convocou os operários de todo mundo a manifestarem-se nesse mesmo dia contra a Segunda Internacional. Em julho de 1929, em sua X Sessão Plenária foi fixado o 1º de agosto como data internacional contra a guerra imperialista; quando chegou este dia, o Partido Comunista da China organizou uma manifestação anti-imperialista em Shanghai.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A República Popular da China: um sistema multipartidário


Extraído do artigo “China sobre la via del socialismo”, publicado na revista Etudes Marxistes nº64 a setembro de 2003


Escrito por Rolf Berthold (Entre 1982 e 1989 foi embaixador da República Democrática da Alemanha na China)

Traduzido por I.G.D.



Além do Partido Comunista da China (PCCh), existem outros oito partidos na China. Nasceram durante o transcurso da revolução de nova democracia, e devido a esta, foram denominados de partidos democráticos. De maio de 1948 até meados de 1949, aceitaram um atrás do outro a proposta do Partido Comunista de convocar uma conferência política consultiva. Em setembro de 1949, em conjunto com o PCCh e de outros elementos que não eram de nenhum partido, participaram na primeira Conferência Política Consultiva do Povo Chinês. Esta adotou um programa comum que devia servir de constituição provisória, elegeu um governo popular central e decidiu fundar a República Popular da China.
Os partidos democráticos gozam de liberdade política, são autônomos no plano organizativo e iguais perante a lei. Tudo isso se reflete na constituição. Estes partidos reconhecem a direção do Partido Comunista da China, colaboram nos trabalhos deste e se comprometem com a causa do socialismo. Estes partidos são os seguintes:

1. O “Comitê Revolucionário do Kuomintang da China”. Fundado em Hong Kong a janeiro de 1948, conta com mais de 60.000 membros, sobre tudo antigos membros e simpatizantes do Kuomintang. O partido honra o legado de Sun Yat-sen. É um partido patriota e progressista.
2. A “Liga Democrática da China”. Fundada em outubro de 1941 em Chongqing, conta com cerca de 144.000 membros. Entre seus membros, assim como seus círculos, se compõe principalmente de intelectuais de classe média e alta.
3. A “Associação Chinesa da Construção Nacional Democrática”. Fundada em dezembro de 1945, conta com cerca de 78.000 membros. Durante sua fundação, seus membros e simpatizantes pertenciam em sua maioria, a classe burguesa. Eram especialmente intelectuais que mantiveram contatos com o mundo econômico. Ainda nos dias de hoje, se tratam de figuras ligadas ao mundo empresarial, de especialistas e de homens da ciência.
4. A “Associação Chinesa Pela Promoção da Democracia”. Fundada em Shanghai em dezembro de 1945, conta com mais de 74.000 membros. Seus membros e seus simpatizantes são constituídos de intelectuais do ensino, da cultura e das ciências, assim como do mundo editorial.
5. O “Partido Democrático Chinês dos Camponeses e dos Trabalhadores”. Fundado em Shanghai em agosto de 1930, conta com mais de 75.000 membros. Os membros e simpatizantes são essencialmente intelectuais do mundo da medicina, homens da ciência, quadros técnicos, pessoas ativas no setor cultural e professores.
6. O “Zhi-Gong-Dang” da China. Fundado em outubro de 1925, conta com aproximadamente 18.000 membros, especialmente de chineses que retornaram do estrangeiro ou familiares e parentes de chineses no exterior. O precursor deste partido era o “Zhi Gong Tang” da América, que durante seu congresso em São Francisco, em 1925, havia mudado seu nome (tang = sala; dang = partido).
7. A “Associação do 3 de Setembro”. Fundada em setembro de 1944. Conta com aproximadamente 78.000 membros. Seus filiados são constituídos em sua maioria de intelectuais de classe média e alta do mundo da ciência e da técnica, da cultura, do ensino e dos cuidados sanitários.
8. A “Liga Democrática pela Autodeterminação de Taiwan”. Fundada em Hong Kong a novembro de 1947, conta com 1.800 membros, quase todos originários da ilha de Taiwan. Seu objetivo é servir a construção e a reunificação da pátria.

Hoje, diversos membros destes partidos possuem uma cadeira na Assembleia Popular Nacional e na Conferência Política Consultiva do Povo Chinês. Assumem funções importantes no seio do governo, nas instituições econômicas, culturais, científicas, técnicas e educativas. Os partidos democráticos são organizações que representam certas forças sociais específicas que, em companhia do Partido Comunista, colaboram na gestão do país. O PCCh e o governo os consultam a fim de conhecer sua opinião e os respeita. Não são partidos de oposição nem são elementos dos quais o governo ignora. Ao contrário, contribuem em uma parte nem um pouco insignificante no processo de tomada de decisões políticas.
Paralelamente à Assembleia Popular Nacional, a Conferência Política Consultiva se reúne uma vez ao ano para tratar sobre questões essenciais na política do Estado, da vida cotidiana na China e de tudo o que concerne à frente única. A Conferência avalia o trabalho do governo e a aplicação da Constituição das leis. O sistema de colaboração entre os distintos partidos e a coordenação política, sob a direção do PCCh, tem demonstrado ser de uma excelente qualidade.
Entre as principais organizações de massas que exercem uma grandiosa influência social, está a Federação Nacional de Sindicatos de Toda a China, a Liga da Juventude Comunista, a Federação Nacional de Mulheres Chinesas e a Associação pela Indústria e Comércio.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

China-RPDC: Firme aliança contra a Agressão Imperialista

Publicado pelo Editorial do Renmin Rinbao, Hongqi e Jiefangjun Bao
16 de julho de 1971

Traduzido por Gabriel Duccini

Junto do fraternal povo coreano, o povo chinês solenemente celebra hoje o décimo aniversário da assinatura do Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua em uma situação em que a luta contra o Imperialismo ianque e o militarismo japonês por parte dos povos de vários países asiáticos está se moldando diariamente. O Partido coreano e a Delegação do Governo com o camarada Kim Jung Rin, Membro da Comissão Política do Comitê Central e Secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia à sua frente; e o camarada Kim Man Gum, Membro suplente do Comitê Político do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia e vice-primeiro-ministro do Conselho de Ministros como seu Vice chefe, chegou ao nosso país para participar das celebrações. O povo chinês calorosamente dá boas-vindas à delegação.
Dez anos atrás quando eles se depararam com a situação onde o Imperialismo ianque e seus lacaios estavam fervorosamente levando a cabo atividades agressoras e de guerra na Ásia, a China e a Coreia assinaram o histórico Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua. O tratado solenemente estipula que “as partes assinantes se comprometem conjuntamente a adotar todas as medidas para evitar a agressão contra qualquer das partes assinantes por qualquer Estado. No caso de uma das partes ser submetida a um ataque armado por algum Estado ou vários Estados conjuntamente, e assim envolvida em um Estado de guerra, a outra parte deve imediatamente prestar ajuda militar e outras formas de auxílio por todos os meios à sua disposição”. Também contém outros artigos importantes no que tange o reforço da amizade fraternal, a assistência mútua e a cooperação entre os dois países. Esse tratado é um enorme marco na história das relações amigáveis entre os dois povos. Ao solidificar a amizade revolucionária e a unidade militante forjada na prolongada e conjunta luta dos povos da China e da Coreia na forma de um tratado, ele encarna plenamente a sua firme determinação a se opor à agressão imperialista, assegurar a segurança comum de ambos os países e garantir a paz na Ásia e no Mundo.
O Presidente Mao, grande líder do povo chinês, apontou: “Os camaradas coreanos e chineses devem se unir como irmãos, passar por bons e maus momentos juntos, compartilhar felicidade e angústia, e lutar até o fim para derrotar o inimigo comum”.
Recapitulando a história das lutas comuns dos povos coreanos e chineses, sentimos profundamente que a amizade revolucionária entre os nossos dois povos é muito testada e incomparavelmente preciosa. Por quase um século, o povo de nossos dois países teve experiências ruins semelhantes e sempre realizou lutas comuns contra a agressão estrangeira. Assim que o militarismo japonês começou sua agressão do final do século XIX até o começo do século XX, a China e a Coreia se tornaram as vítimas imediatas porque ocuparam o território chinês de Taiwan e anexaram a Coreia. Os destinos do povo da China e da Coreia desde então já estão unidos. Durante a ocupação japonesa da Coreia, o povo coreano encenou levantes antijaponeses e um patriota coreano assassinou o chefe militar dos agressores japoneses Hirobumi Ito, dando um golpe ao inimigo comum dos povos de ambos países. Após o Imperialismo Japonês desencadear a guerra de agressão contra a China nos anos 30, os povos chineses e coreanos lutaram ombro a ombro contra os agressores. Junto do povo chinês, as guerrilhas antijaponesas organizadas e lideradas pelo Camarada Kim il Sung, o grande líder do povo coreano, resistiram e derrotaram os agressores japoneses. Nos anos 50 quando os Estados Unidos desataram sua guerra de agressão contra a Coreia e ao mesmo tempo ocuparam a Província chinesa de Taiwan, os povos chineses e coreanos mais uma vez lutaram lado a lado e derrotaram os agressores ianques no campo de batalha coreano. No longo período de luta, muitos camaradas coreanos derramaram seu sangue em apoio à causa revolucionária da China. O povo chinês nunca irá se esquecer do apoio e ajuda que o povo coreano deu a eles.
O Imperialismo ianque agora está intensificando a presença de suas políticas de agressão e guerra na Ásia. Ele continua a ocupar o território chinês de Taiwan e a metade sul da Coreia e persiste na expansão de sua guerra de agressão na Indochina. O Governo Nixon está fazendo o máximo possível para realizar a assim chamada “nova política para a Ásia” ao acelerar sua conivência militar com os reacionários japoneses e ansiosamente fazendo uso do militarismo japonês como uma tropa de choque da agressão imperialista ianque contra a Ásia. Após a extensão automática do “Tratado de Segurança” dos Estados Unidos-Japão, os Estados Unidos e o Japão assinaram o acordo de “reversão” de Okinawa, portanto reforçando a agressiva aliança militar de EUA-Japão. Ademais, o Imperialismo ianque está tentando trazer forças militares japoneses para o Sul da Coreia para fortalecer a operação conjunta EUA-Japão-Pak e inclusive conduziu exercícios militares provocativos conjuntos dos EUA e Japão, no mar a leste da Coreia. Tudo isso é uma séria ameaça à segurança do povo da Coreia, China e outros países asiáticos.
O militarismo japonês, que está sendo revivido sob a égide do imperialismo norte-americano, está fervendo com sua ambição de renovar o seu sonho de anexar a Coréia, invadir a China e dominar a Ásia. Enquanto declaram abertamente que a Coreia é “essencial para a própria segurança do Japão”, não mediram palavras ao afirmar que "se pode supor que as Forças de Autodefesa conduzirão operações em um determinado lugar fora do Japão, e esse lugar será a Coreia”. Os reacionários japoneses já estenderam suas garras de agressão à Coreia do Sul em tentativa de transformá-la em uma colônia dual dos Estados Unidos e do Japão. Ao mesmo tempo, os reacionários japoneses aumentaram sua penetração no território chinês de Taiwan politicamente, militarmente e economicamente, alegando que Taiwan é “um fator de máxima importância para a segurança do Japão”, e conspiraram abertamente em estender a "zona de identificação de defesa aérea" do Japão para o território chinês da Ilha de Tiaoyu e o espaço aéreo perto de áreas costeiras da China. Isso revela plenamente as ambições raivosas do militarismo japonês em colocar as mãos sobre o território da China. Obviamente, o militarismo japonês novamente embarcou no velho caminho da agressão e expansão e se tornou uma perigosa força de guerra na Ásia.
Nas atuais circunstâncias, portanto, é de enorme significância prática consolidar ainda mais e fortalecer a aliança entre a China e Coreia que foi concretizada no tratado.
Precisamente como o Camarada Kim Il Sung, o grande líder do povo coreano, apontou: “Os povos da Ásia e os povos progressistas do mundo hoje são confrontados com a urgente tarefa de lutar contra o renascimento do militarismo japonês ao mesmo tempo que frustrem a agressão do Imperialismo ianque”.
Mudanças profundas vêm ocorrendo na situação atual da Ásia. A República Popular da China está diariamente crescendo cada vez mais forte. A República Popular Democrática da Coreia se tornou um baluarte que permanece firme como uma rocha à frente da luta anti-imperialista na Ásia. A guerra contra a agressão ianque e pela salvação nacional pelos povos dos três países da Indochina fez conquistar grandes vitórias de abalar o mundo. A luta dos povos da China, Coreia, Vietnã, Laos, Camboja, Japão e outros países asiáticos contra os agressores norte-americanos e o renascimento do militarismo japonês a partir dos Estados Unidos e reacionários japoneses está surgindo à frente com um enorme impulso, irresistível. A força revolucionária do povo asiático está mais poderosa do que nunca. Qualquer superpotência ou “potência econômica” que tente passar por cima do povo asiático e fazer girar a roda da história para trás está simplesmente sonhando acordada. Em face da unidade militante dos povos dos países asiáticos, qualquer agressor que se atreva a provocar uma nova guerra na Ásia não encontrará nada com exceção da derrota completa para ele.
A China e Coreia são vizinhos fraternos ligados pelas mesmas montanhas e rios e estreitamente relacionados como a língua é com os dentes, e sua segurança é inseparável. As relações em todo o horizonte de assistência mútua e cooperação entre ambos os países e ambos povos foi consolidada e desenvolvida firmemente à luz dos grandes objetivos estabelecidos no Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua. O povo chinês inflexivelmente apoia a justa luta do povo coreano contra a agressão do Imperialismo ianque e é pela reunificação pacífica de sua pátria. Vamos cumprir fielmente, como no passado, as obrigações estipuladas no Tratado Sino-Coreano de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua e estamos determinados a lutar até o fim contra os inimigos comuns de nossos dois povos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

NEOLIBERALISMO: Um Flagelo para a Humanidade

Escrito por Jose Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos
(20 de agosto de 2012)


Traduzido por I.G.D.
 
 
Antecedentes e Definição
O termo “neoliberalismo” foi forjado pelo estudioso alemão Alexander Rustow no Colloque Walter Lippmann em 1938. Ludwig von Mises o popularizou como “novo liberalismo” em seus escritos. Os expoentes do neoliberalismo definiram como “a prioridade do mecanismo de preços, a livre iniciativa, o sistema de concorrência e um Estado forte e imparcial. ” Eles pertenciam ao que foram chamados de Escola de Freiburg, Escola Austríaca e Escola de Economia de Chicago.
O conceito de neoliberalismo retira de Adam Smith a noção de que a mão invisível do auto interesse no livre mercado resulta no bem comum, mas, obscurece a ideia dele de que a força de trabalho é a criadora de novos bens materiais e de riqueza social. Ele considera apenas a noção de que a liberdade econômica dos empresários se traduz na liberdade política de toda a sociedade. Ele idealiza e perpetua a ideia do capitalismo de livre concorrência.
Ele mantém como sagrada e inviolável o direito à propriedade privada dos meios de produção e com veemência está contra a propriedade estatal dos meios de produção e contra a intervenção do Estado na economia, a menos que favoreça os capitalistas privados com oportunidades lucrativas, incluindo a expansão da oferta de dinheiro e crédito, redução de impostos, contratos, subsídios, garantias de investimento e outros incentivos.
O conceito surgiu na época da Grande Depressão, quando a crise de superprodução do capitalismo monopolista tinha dado origem ao fascismo e a iminência da Segunda Guerra Mundial. Mas os intelectuais neoliberais ignoraram a realidade do capitalismo monopolista e a luta de classes entre a grande burguesia e o proletariado. Eles tomaram o ponto de vista pequeno-burguês de “estar sobre as classes” e que estariam contra o fascismo e o socialismo, e então passaram a pregar sobre a “liberdade”, com base na condição passada do capitalismo de livre concorrência do século 19.
Friedrich Hayek, bem conhecido pela noção de que o socialismo é “o caminho para a servidão”, fundou a Sociedade Mont Pelerin, em 1947, a fim de reunir intelectuais e políticos neoliberais. Os neoliberais eram um instrumento hiperativo ainda marginal do anticomunismo durante a Guerra Fria. Hayek e Milton Friedman se tornaram figuras icônicas do neoliberalismo na Escola de Economia de Chicago.
Friedman se tornou mais conhecido por ter feito com que o neoliberalismo fosse a política econômica oficial do imperialismo estadunidense. Ele promoveu a noção de que a liberdade econômica é uma condição necessária para a liberdade política e que o Estado não deve possuir ativos produtivos e não deve planejar ou regular a economia, mas deve dar lugar a uma “livre iniciativa” desenfreada e um “livre mercado” que se autorregula, e permitir a grande burguesia acumular capital e aproveitar as oportunidades lucrativas.
Descrevendo a si mesmo como um monetarista, Friedman espalhou a noção de que o crescimento da economia e a resolução dos problemas econômicos de estagnação e de inflação eram apenas uma questão de manipular as taxas de oferta de moeda e de juros. Ele liderou a campanha acadêmica e midiática de ataque ao keynesianismo e de culpar a classe trabalhadora pela inflação de salário e supostamente pelos grandes gastos sociais por parte do governo. Ele e seus colegas neoliberais proclamaram estes como a causa da estagflação na década de 1970.
 
Política Econômica Neoliberal
No início da década de 1980, a política econômica neoliberal foi adotada por Ronald Reagan nos EUA e por Margaret Thatcher no Reino Unido, e se tornou conhecida respectivamente como “Reagonomics” ou economia do lado da oferta e por thatcherismo. Ele usou como bode expiatório a classe operária e os gastos sociais do governo para justificar o fenômeno da estagflação e obscurecer a crise de superprodução, como resultado da reconstrução da Europa Ocidental e do Japão, e o rápido aumento dos gastos militares estadunidenses devido a intensificação da produção militar, do desenvolvimento ultramarino das forças militares dos Estados Unidos e das guerras de agressão na Coréia e na Indochina.
Reagan e Thatcher empreenderam ações sinalizadoras e empurraram a legislação para pressionar para baixo o nível salarial, suprimir os sindicatos e os direitos democráticos da classe trabalhadora e cortar as despesas sociais do governo. Eles reduziram os impostos sobre as corporações e os membros individuais da burguesia monopolista, e forneceram a eles todas as oportunidades para que fizessem superlucros e acumulassem capital.
Estas oportunidades foram disponibilizadas através da flexibilização do trabalho, liberalização comercial e financeira, privatização de bens públicos, da desregulamentação antissocial, da desnacionalização das economias dos países subdesenvolvidos, do aumento dos contratos superfaturados na produção de guerra e garantias e subsídios para investimentos no exterior.
Eventualmente, as outras potências imperialistas seguiram o exemplo dos EUA e do Reino Unido. Mesmo os partidos burgueses trabalhistas, social-democratas e neorrevisionistas adotaram a política econômica neoliberal. Para isto, foi dado o nome fantasioso de globalização do "livre mercado". Mas esta é a globalização imperialista, permitindo que as potências imperialistas desencadeiem suas firmas monopolistas e bancos contra sua própria classe operária e contra todos aqueles que trabalham, especialmente aqueles dos países subdesenvolvidos. Os Estados fantoches traíram seus povos, entregaram a soberania econômica e os seus recursos naturais para as potências imperialistas sob a bandeira da globalização.
A política econômica neoliberal foi instigada pelo imperialismo estadunidense e veio a ser conhecida em 1989 como o Consenso de Washington (forjado pelo economista John Williamson) devido ao longo período em que tinha sido projetada e executada pelo FMI, Banco Mundial e pelo Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, para ser unida subsequentemente pela Organização Mundial do Comércio nos anos de 1990. Foi imposta aos países subdesenvolvidos as seguintes prescrições supostamente para o desenvolvimento: a disciplina da política fiscal, o redirecionamento da despesa pública longe do desenvolvimento industrial e da independência, reforma nos impostos em benefício de investidores estrangeiros e às custas das massas populares, taxas de juros determinadas pelo mercado, taxas de câmbio competitivas, liberalização das importações, liberalização dos investimentos, privatização de empresas estatais, a desregulamentação e a segurança jurídica para os direitos de propriedade.
O neoliberalismo, também conhecido como fundamentalismo de mercado, acelerou a acumulação de capital e a obtenção de superlucros pela burguesia monopolista. Como resultado, a crise de superprodução e superacumulação por alguns retornou a um ritmo rápido e pior. A burguesia monopolista recorreu a truques do capitalismo financeiro e gerou uma oligarquia financeira em uma tentativa inútil de anular as crises recorrentes de superprodução e a tendência da taxa de lucro cair. Ela tem expandido repetidamente a oferta de dinheiro e de crédito, gerou derivados em quantidades astronômicas e fez uma bolha financeira após a outra, a fim de aumentar os lucros e supervalorizar os ativos da burguesia monopolista.
No entanto, mais de cem crises econômicas e financeiras de diferentes escalas e gravidades ocorreram no sistema capitalista mundial nas últimas três décadas de política econômica neoliberal. A crise mais severa estourou em 2007. É comparável à Grande Depressão da década de 1930, só que com muito mais destrutivas e concomitantes consequências políticas e sociais para o mundo inteiro. Ela é acompanhada pelo aumento do terrorismo de Estado ou do fascismo e por outras guerras imperialistas de agressão. As grandes massas populares estão sofrendo com as condições terríveis de depressão global e a intensificação da exploração, o empobrecimento, a opressão e todos os tipos de degradação.
 
Resistência Popular
As potências imperialistas e seus Estados fantoches têm sido incapazes de resolver a grande crise em curso, porque eles se apegaram dogmaticamente à política econômica neoliberal. Eles creem que isto é de longe, a melhor política adotada pelo sistema capitalista mundial para manter a burguesia monopolista e a oligarquia financeira nos superlucros e acumular capital. Eles desejam perpetuar esse flagelo para a humanidade. É, portanto, dever e obrigação das massas lutar contra este sistema que impôs esta política nefasta.
A grave crise do sistema está incitando as grandes massas do povo a travar várias formas de resistência, a fim de apoiar, defender e promover os seus direitos democráticos básicos e de lutar por sua libertação nacional e social. Através de sua própria luta, elas podem construir um mundo fundamentalmente novo e melhor, de maior liberdade, democracia, justiça social, desenvolvimento, solidariedade internacional e de paz. Elas apontam para um futuro socialista. 
 
Jose Maria Sison - Fundador do Partido Comunista das Filipinas
 
 
 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A Luta das Mulheres que Enfrentaram uma Multinacional e Venceram


Traduzido por I.G.D.



Este é um relato de uma revolta extraordinária, um movimento de 6.000 trabalhadoras de um grau de educação baixíssimo que enfrentaram uma das empresas mais poderosas do planeta. Em um país dominado pelo machismo, desafiaram o mundo dos sindicatos e partidos políticos, dominados por homens, negando-se a deixar que estes controlassem sua luta. E o mais importante: venceram.
É muito provável que você tenha desfrutado dos ganhos do seu trabalho. Estas mulheres são coletoras de chá no belo Estado de Kerala, no sul da Índia. Trabalham para uma gigantesca companhia de plantações, chamada Kanan Devan Hills Plantations, que em parte é propriedade e em grande medida está controlada pela multinacional indiana Tata, proprietária da Tetley Tea. A faísca que desencadeou o protesto foi uma decisão de anular a bonificação que é paga às coletoras de chá, mas as raízes do conflito são muito mais profundas.

Somente Elas
Os trabalhadores e trabalhadoras do ramo do chá na Índia não recebem um tratamento digno. Quando investiguei o setor em Assam, no mês passado, observei que as condições de vida e de trabalho eram tão ruins, e os salários tão baixos, que as trabalhadoras do chá e suas famílias sofriam de desnutrição e estavam expostas a enfermidades mortais. Parece que a situação em Kerala não é muito diferente. Parte das queixas das mulheres é que estas vivem em cabines de uma só cama, sem banheiro nem quaisquer outros equipamentos básicos, e ainda que ganhem significativamente mais que suas colegas de Assam, dizem que as 230 rupias (equivalente a 3,50 dólares) que recebem de salário é a metade do que ganharia um trabalhador em Kerala.
Quando, em meados de setembro, as mulheres de Kerala reclamaram para que se restabelecesse a bonificação – junto com um aumento do salário e das condições de vida –, não só desafiaram a empresa que as empregam, como também aos sindicatos que supostamente as representam. As trabalhadoras alegam que os líderes sindicais, homens, estão aliados com a direção da empresa, negando as mulheres seus direitos e salvaguardando os melhores postos para eles mesmos.
Quando houve uma queda nos preços do chá há alguns anos e alguns latifundiários abandonaram suas plantações, segundo as mulheres, os líderes sindicais sempre conseguiram manter seus empregos. Também disseram que os sindicatos não fizeram o suficiente para fazer com que seus maridos deixassem de gastar sua renda em bebidas sem garantir a educação de seus filhos, nem atender as necessidades sanitárias de suas famílias. E demonstraram que eram capazes de levar a cabo um protesto efetivo sem ajuda dos sindicatos.

“Mulheres Unidas”
Quando 6.000 mulheres ocuparam a rodovia principal que conduz à sede central da companhia proprietária das plantações, a manifestação foi organizada por elas mesmas, que em sua maioria, não possuíam quaisquer antecedentes de ativismo sindical. Se chamaram a si mesmas de “Pempilai Orumai”, que significa “Mulheres Unidas. Em outra ação, as mulheres ocuparam o Munnar, um dos destinos turísticos mais populares de Kerala. O comércio e o turismo ficaram quase totalmente paralisados. Muitas das palavras de ordem se dirigiam abertamente aos dirigentes sindicais. “Colhemos o chá e levamos os sacos em nossos ombros, enquanto vocês levam as bolsas com o dinheiro”, dizia um cartaz. “Nós vivemos em cabines de estanho, vocês têm bangalôs”, dizia outro.
Quando os dirigentes sindicais, homens, trataram de se unir junto com a manifestação, estes foram expulsos. As mulheres atacaram um ex-dirigente sindical com suas sandálias. O homem teve que ser resgatado pela polícia. Em outro incidente, as manifestantes arrancaram os mastros localizados no exterior do edifício dos sindicatos. E ainda, rechaçavam e perseguiam políticos locais que queriam fotografar-se oferecendo seu apoio. As mulheres insistiram que continuariam com seus protestos até que se vissem satisfeitas de suas demandas.
No princípio, a empresa se mostrou desafiante, mas depois de nove dias de protestos e negociações intensas, supervisadas pelo primeiro-ministro do Estado, a empresa cedeu. Foi uma vitória sensacional: um grupo de mulheres semianalfabetas se enfrentaram com um dos interesses mais poderosos do Estado... e ganharam. As mulheres haviam se engajado nas conversações e forçaram a direção a aceitar sua reivindicação de restabelecer a bonificação de 20%. Enquanto isso, líderes sindicais, todos homens, tiveram que engolir seu orgulho e assinar o acordo negociado pelas mulheres.

Nada a perder
Mas a guerra, apesar de tudo, não havia terminado. A questão do aumento salarial teve de ser negociada separadamente e quando não se satisfez a demanda das mulheres de incrementar os salários, os sindicatos lançaram uma campanha por tempo indeterminado para reivindicar um aumento de 232 rupias para 500 rupias. Em parte, isso tinha como finalidade resgatar a direção sobre o êxito da luta das mulheres. Estas rejeitaram tomar parte de tal prática dos sindicatos e lançaram suas próprias exigências, de modo independente, de um aumento salarial.

Em meados de outubro, alguns ativistas sindicais do sexo masculino, supostamente atacaram uma manifestação de mulheres, a base de pedradas. Seis pessoas foram feridas, mas não gravemente. Mas as mulheres seguem decididas a continuar com a luta. “Não temos nada a perder”, disse Lissy Sunny, uma das dirigentes do “Pempilai Orumai”, em declarações para o site de notícias India Catch. “A fome e o sofrimento fazem parte de nossa vida. Não nos preocupamos, mesmo que morramos de fome. Mas não deixaremos que nada nos explore. Já basta! ”.